O homem que diz não ser um
político e que está na política há mais de 20 anos, nunca me convenceu, nem
sequer quando afirmou estar a fazer a rodagem do seu automóvel.
Toda a intervenção cívica é um
acto político, e a candidatura a um lugar público é feita com o intuito de
servir, foi isto que me ensinaram, mesmo na escola do antigamente.
Fica tudo muito mais claro, para
mim, quando leio uma declaração de Cavaco Silva, que disse: ”num regime
democrático só há um critério para definir a legitimidade dos governantes – o
voto expresso nas urnas. É isso que distingue a democracia de uma ditadura.”
Se para o presidente os votos
obtidos nas urnas bastam para legitimar os governantes, é porque tem uma visão
muito redutora do assunto, porque a sua actuação e a sua coerência com o que se
propôs executar quando se apresentou ao eleitorado, são condições
indispensáveis a qualquer eleito.
Percebe-se que Cavaco Silva não
tenha valorizado a palavra dos políticos e o cumprimento das suas promessas
eleitorais, pois só assim se compreende que ainda não tenha demitido o actual
executivo.
Como disse Mário Soares: Cavaco nunca usou um cravo vermelho na lapela, e eu acrescento, nem escudado numa barreira de cravos consegue ser um entusiasta do 25 de Abril.
