quinta-feira, janeiro 17, 2008

APERTADO PELO TEMPO

Nestes últimos dias tenho sentido a pressão, e a enorme falta de tempo para visitar os meus companheiros deste meio, por estar empenhado em reunir alguns trabalhos meus e de mais dois amigos para um concurso em que estamos a participar.
Recebi algum correio a que fui respondendo nos intervalos das minhas diferentes tarefas, mas outros ficaram por responder devido à falta de tempo. Um dos assuntos em que fiquei em atraso prende-se exactamente com o anúncio de algumas actividades culturais que me chegaram, e que não noticiei aqui. É notório que não tenho aqui uma agenda cultural, e apenas tenho publicitado alguns eventos que me suscitaram interesse particular e que pretendo visitar ou assistir, caso me seja possível.
Hoje ficam aqui mais dois:

Dalí em Évora – Vai ser inaugurada hoje em Évora pela Fundação Eugénio de Almeida a exposição de gravuras de Dali para ilustrar a Divina Comédia, de Dante. O mestre catalão, influenciado pela mesma dualidade entre o bem e o mal, realizou estas gravuras por ocasião do 700º aniversário do nascimento de Dante Alighieri, com a concordância e incentivo do próprio Papa. A exposição decorre até Maio e aqui fica o seu registo.

Cerberrus, Illustration for Dante's "Divine Comedy", 1951

Tambores Taiko em Sintra – Para quem não esteja familiarizado com o termo japonês, Taiko, direi que a palavra significa simplesmente “grande tambor” naquela língua. A palavra é também usada para fazer referência a alguns dos vários tambores japoneses. Para quem não esteja longe de Sintra, no próximo dia 20 de Janeiro, e tenha curiosidade em ver e ouvir alguns percussionistas japoneses tocando Taiko (tambores), fica também esta sugestão. O espectáculo será pelas 15 horas em frente ao Palácio Nacional de Sintra, e é absolutamente grátis.

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CARTOON


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FOTOGRAFIA

alexnow

quarta-feira, janeiro 16, 2008

AS FALHAS NOS CÁLCULOS

Os nossos sucessivos governos conseguiram o feito inédito de errarem durante dez anos seguidos o cálculo da inflação. As grandes economias mundiais devem estar roxas de inveja de semelhantes governantes, que apesar da pequena dimensão do país e da quase absoluta dependência do exterior, conseguem errar com esta consistência.
Os portugueses lucraram imenso com estas previsões e têm premiado os seus autores com lugares de topo na economia e nas empresas nacionais, nos bancos e até em instituições europeias e internacionais. Todos? Não, claro que não, apenas os que interessam e que enriquecem estupidamente perante a passividade de quem sai claramente mais pobre com este feito.
A dada ocasião começam-nos a iniciar nos meandros da economia global e nos mercados liberalizados, para logo saltarem para os benefícios do empreendedorismo e para as regras da oferta e da procura, e da auto-regulação dos mercados. Aqui começam as perguntas ingénuas sobre a natureza dos efeitos das falhas nos cálculos da inflação. As respostas são prontas e o erro é sempre considerado marginal, resultante duma conjuntura internacional imprevisível, mas que terá afectado igualmente toda a sociedade portuguesa. Se ficamos convencidos? Nem todos.
Na busca de mais respostas, alguns perguntam inocentemente se o governo ao fornecer indicadores para a inflação sistematicamente abaixo do valor real não estará, com isso a desregular o mercado? Bem, aqui começam a subir o tom da voz. A imparcialidade e outras declarações, como as preocupações sociais e a defesa intransigente dos interesses do país são despejados em catadupa.
Silenciosamente, no seu recanto e em surdina, o Zé destila o seu fel e murmura para si mesmo, que estes cálculos por defeito apenas servem para influenciar as negociações salariais, baixando na prática o poder de compra de quem trabalha por conta de outrem, beneficiando uns quantos alarves, que de rédea solta com a desregulação das normas laborais, ameaçam quem deles depende e paga cada vez menos com mais exigências.
Os autores das falhas nos cálculos gabam-se ainda de em tudo o resto terem acertado, permanecendo cegos ao ridículo de tal afirmação, perante a incredulidade diante tamanha desfaçatez, por parte do pobre Zé, que afinal até pensava que estava num oásis rosado e dá por si num país com um nome difícil de pronunciar, onde até a linguagem é diferente da que aprendera nos seus tempos de escola.
Aqui acordei do pesadelo, saltei para as teclas e escrevi estas tolices, antes de voltar lá para fora e ser forçado a reviver tudo isto, agora em português de Portugal.

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A Taste of Heaven by Scattered-Light

Morocco 21 by gabimartins

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Pat Bagley
John Darkow

terça-feira, janeiro 15, 2008

RAPIDINHAS DA CULTURA

Gulbenkian – A Fundação Calouste Gulbenkian em Lisboa inaugura em Fevereiro uma exposição com obras do Louvre, que abrangem um quarto de século de história de arte (1750-1775) influenciadas pela cultura grega e dominadas pelo neoclassicismo. Esta exposição já esteve em Madrid e é da responsabilidade de Laure Rochebrune , do departamento de artes decorativas do Museu do Louvre, departamento este que está temporariamente encerrado para obras. Uma curiosidade será, para os que já viram esta mostra no país vizinho, adivinhar ou simplesmente admirar as seis obras da colecção da Fundação Gulbenkian que vão ser incluídas nesta mostra.

Castelo de Almourol - Até ao final de Fevereiro o Castelo de Almourol estará fechado para pequenas obras. Segundo o presidente da Câmara Municipal de Vila Nova da Barquinha, aproveitando os meses de menor afluência de público, a autarquia e a Escola Prática de Engenharia de Tancos vão realizar em conjunto pequenas obras de manutenção e segurança, não de musealização, a fim de facilitar o acesso e a segurança de quem visita a ilha e o Castelo. As visitas voltam a ser possíveis a partir de 1 de Março.

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FOTOGRAFIA

Maximuss

chuvilin

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Maz - Argélia

Dilem - Argélia

segunda-feira, janeiro 14, 2008

POLÍTICA DE PREÇOS NA CULTURA

Todos os anos assistimos a uma escalada dos preços dos bens de consumo, sempre explicados pelos aumentos dos custos de produção, das regras do mercado ou do aumento dos preços dos combustíveis. Jogando com estes números e com o exercício de regras manhosas que aos iniciados pertencem, estabelece-se o valor da inflação esperada.
Na Cultura as coisas não se passam exactamente do mesmo modo, e apesar dos cálculos científicos (?) dos peritos em estatísticas e inflação, os preços aumentam por simples despacho e em valores que desafiam qualquer raciocínio lógico.
Em 2008 assistimos a aumentos à volta de 1 euro por entrada em diversos museus e palácios dependentes do Ministério da Cultura, o que traduzido em percentagem significa acréscimos de 25% ou até de 33%. Claro que os motivos invocados foram os aumentos de despesas na conservação e manutenção destes equipamentos, porque a nível salarial todos sabem que os aumentos impostos foram de 2,1%, valor que está abaixo da maioria das previsões sobre a inflação esperada.
Algumas alterações merecem aqui menção, como sejam as entradas grátis para professores e alunos desde que devidamente identificados, mesmo que em visitas que não sejam de estudo. Pela negativa refiro o meio bilhete que os portadores de deficiência e os maiores de 65 anos têm de pagar.
Resta-me continuar a sugerir aos portugueses que visitem os nossos museus e palácios aos domingos e feriados pela manhã, e até às 14 horas, para que beneficiem das entradas gratuitas, já que continuo a achar que as entradas são demasiado caras para grande parte dos cidadãos deste país.

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FOTOS DE FLORES

igor_tr

McGal

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CARICATURAS

Nelson Santos

Nelson Santos

sábado, janeiro 12, 2008

FALTA DE INSPIRAÇÃO

- O próprio sábio cora das suas palavras, quando elas surpreendem as suas acções.

- Aquilo que não puderes controlar, não ordenes.

Sócrates

Caros leitores, quando a inspiração não é muita e as notícias custam bastante a digerir devido às implicações que têm na nossa vida diária, a solução é mesmo recorrer ao que já foi dito, e de preferência por quem sabe.
As palavras de Sócrates, não daquele que nos vai infernizando a vida, mas do filósofo ateniense que é um ícone da filosofia ocidental, aqui ficam para meditação.
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AO ESPELHO...

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FOTOGRAFIA

sila

sila

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Pat Bagley

sexta-feira, janeiro 11, 2008

MUSEUS – VISITAS AUMENTARAM

Li hoje no Diário Digital a notícia sobre o aumento de visitas aos Museus Nacionais, que terão atingido o maior número de sempre.
As estatísticas oficiais, constantes do sito do Instituto dos Museus e da Conservação, ainda com a designação antiga (IPM) fornece números diferentes dos que constam na notícia deste diário, mas confirmam o aumento anunciado. Os resultados são de certo modo harmoniosos, havendo no entanto um facto a registar que é o da forte diminuição registada no Museu Nacional de Arte Antiga.
Apesar do muito fraco investimento efectuado pelo governo na Cultura, e das enormes dificuldades registadas em meios financeiros e em meios humanos, com relevância para o pessoal de vigilância, o desempenho registou uma melhoria tanto no número de visitas como nos números conhecidos de reclamações registadas.
Lamentavelmente não foram divulgados os números referentes aos Palácios Nacionais que transitaram para o IMC, IP, nem pelo Diário Digital/Lusa nem pelo sítio desta instituição, mas as informações recolhidas e os números conjugados de diversas fontes também parecem confirmar o aumento generalizado de visitantes.
É lamentável que o governo tenha reservado apenas os já conhecidos 0,4% para o Ministério da Cultura, que ameaçam estrangular completamente o sector do Património que afinal dão um contributo de peso ao nível das receitas próprias, e geram a montante grandes receitas na hotelaria, restauração e no que se move em torno do turismo em geral.

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FOTOGRAFIA
LessLemon

LessLemon

quinta-feira, janeiro 10, 2008

APRENDIZ DE MAQUIAVEL

Acabei de ler as explicações dadas por José Sócrates para recusar o referendo e optar pela ratificação parlamentar do Tratado da União Europeia, por «ética da responsabilidade», alegando que até seria vantajoso para o executivo ir a votos numa consulta sobre a União Europeia.
Vou intencionalmente colocar de lado os três argumentos invocados, como a ampla maioria favorável, que é desde logo contraditória com a decisão. As implicações que o referendo teria nos outros Estados da União, como se Portugal não fosse um País independente. O terceiro em que afirma que não existe qualquer compromisso eleitoral de fazer o referendo já que o Tratado de Lisboa tem um conteúdo diferente do defunto Tratado Constitucional, que considero uma explicação ainda mais fantástica.
Fico-me pelas questões de ética, e aqui entra definitivamente o pensamento de Maquiavel no seu estado puro. Segundo Maquiavel a política deixa de ser pensada apenas no contexto da filosofia e constitui-se como um campo de estudo independente, com regras e dinâmicas livres de considerações privadas, morais, filosóficas ou religiosas. Com Maquiavel, a política identifica-se com o espaço do Poder, enquanto actividade na qual assenta a existência colectiva e que tem prioridade sobre as demais esferas da vida humana. Para Maquiavel, a política deve preocupar-se com as coisas como são, em toda a sua crueza, e não como deviam ser, com todo o moralismo que lhe é subjacente.
Talvez assim se entenda porque é que o seu nome virou sinónimo de uma prática política desprovida de moral e boa fé, ou procedimento astucioso e velhaco.
Normalmente sou pouco dado a reflexões filosóficas, mas ouvir José Sócrates falar de ética, que é a «disciplina filosófica que tem por objecto de estudo os julgamentos de valor na medida em que estes se relacionam com a distinção entre o bem e o mal», para justificar uma decisão política tomada sobre pressão, como ficou bem claro, veio-me à ideia o pensamento de Maquiavel, por sinal muito mal traduzido em argumentos.
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FOTOS DE INTERIORES

Sheer Simplicity by ilikedeviant

The lion by mih11

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CARTOON

quarta-feira, janeiro 09, 2008

MAIS UMA MENTIRA

Depois de já ter deixado cair diversas promessas feitas em campanha eleitoral e até no programa de governo, este governo prepara-se para não cumprir outro compromisso assumido perante os portugueses, recusando o referendo ao agora chamado Tratado de Lisboa.
Devo afirmar que não estou surpreendido com esta notícia, e já há muito que digo que as promessas dos nossos políticos não são para levar a sério, pois são mais as que teimam em não cumprir do que aquelas que são respeitadas. A credibilidade dos nossos políticos, na minha modesta opinião, é nula.
O meu desprezo não se restringe apenas a José Sócrates ou ao PS, mas estende-se a todos os partidos políticos que fizeram igual promessa e que agora mudaram de opinião, e mesmo o Presidente da República que não está disposto a obrigar o governo a cumprir os compromissos assumidos no programa do próprio governo.
Nunca estive convencido de que o referendo sobre a ratificação do tratado, tivesse mais do que 50% de votantes, ou que o resultado, ainda que não vinculativo, tivesse um resultado desfavorável, mas não concebo a política baseada em mentiras.

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FOTOGRAFIA
Тимоничев Александр

besenorita

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CARTOON

Alexander Zudin

Riber Hansson

terça-feira, janeiro 08, 2008

PÉROLA INFORMATIVA - OFICIAL

Hoje dei uma volta a diversos sites institucionais e num deles encontrei esta pérola informativa que vos deixo para apreciação. Fiquei muito confuso com tudo isto, mas a explicação é SIMPLEX: o corta e cola falhou, mas pelos vistos também ninguém leu.

Portal do Cidadão

É permitido fumar em:
-Hospitais psiquiátricos e serviços psiquiátricos, centros de tratamento e reabilitação e unidades de internamento de toxicodependentes e de alcoólicos, em áreas exclusivamente destinadas a pacientes fumadores;
-Estabelecimentos prisionais em áreas exclusivamente destinadas a reclusos fumadores;
-Em áreas expressamente previstas para o efeito:
-Nos locais onde estejam instalados órgãos de soberania, serviços e organismos da administração pública e pessoas colectivas públicas;
-Nos locais de trabalho;
-Nos lares e outras instituições que acolham pessoas idosas ou com deficiência ou incapacidade;
-Nas salas e recintos de espectáculos e noutros locais destinados à difusão das artes e do espectáculo, incluindo as antecâmaras, acessos e áreas contíguas;
-Nos recintos de diversão e recintos destinados a espectáculos de natureza não artística;
-Nos recintos das feiras e exposições;
-Nos conjuntos e grandes superfícies comerciais e nos estabelecimentos comerciais de venda ao público;
-Nos estabelecimentos hoteleiros e outros empreendimentos turísticos, onde sejam prestados serviços de alojamento;
-Nos aeroportos, nas estações ferroviárias, nas estações rodoviárias de passageiros e nas gares marítimas e fluviais;
-Nos estabelecimentos de ensino que integrem o sistema de ensino superior;
-Nos centros de formação profissional que não sejam frequentados por menores de 18 anos.
-Nos estabelecimentos de restauração ou de bebidas, incluindo os que possuam salas ou espaços destinados a dança, com área destinada ao público inferior a 100 m2, o proprietário pode optar por estabelecer a permissão de fumar que deve, sempre que possível, proporcionar a existência de espaços separados para fumadores e não fumadores;
-Nos estabelecimentos de restauração ou de bebidas, incluindo os que possuam salas ou espaços destinados a dança, com área destinada ao público igual ou superior a 100 m2, podem ser criadas áreas para fumadores, até um máximo de 30% do total respectivo, ou espaço fisicamente separado não superior a 40% do total respectivo, e não abranjam as áreas destinadas ao pessoal nem as áreas onde os trabalhadores tenham de trabalhar em permanência;
-Nos estabelecimentos hoteleiros e outros empreendimentos turísticos, onde sejam prestados serviços de alojamento, podem ser reservados andares, unidades de alojamento ou quartos para fumadores, até um máximo de 40% do total respectivo.

Desde que:
-Estejam devidamente sinalizados, com afixação de dísticos em locais visíveis;
-Sejam separados fisicamente das restantes instalações, ou disponham de dispositivo de ventilação, ou qualquer outro, desde que autónomo, que evite que o fumo se espalhe às áreas contíguas;
-Seja garantida a ventilação directa para o exterior, através de sistema de extracção de ar que proteja dos efeitos do fumo os trabalhadores e os clientes não fumadores.

É ainda admitido fumar:
-Nas áreas ao ar livre;
-Nas áreas de serviço e postos de abastecimento de combustíveis é admitido fumar nas áreas ao ar livre, com excepção das zonas onde se realize o abastecimento de veículos;
-Nas áreas descobertas nos barcos afectos a carreiras marítimas ou fluviais.

Conferir AQUI

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PINTURA
SOUTH WIND by *Leonidafremov


ALLEY OF MEMORIES by *Leonidafremov

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CARTOON

segunda-feira, janeiro 07, 2008

RAPIDINHAS

Lascaux – Está em curso um plano de emergência para salvar as pinturas rupestres de Lascaux, devido a um ataque de fungos que ameaça as Pinturas. Saliente-se que a caverna está encerrada ao público desde 1963, para protecção dos desenhos pré-históricos que decoram as suas paredes. O número de visitantes e os efeitos nefastos para o ambiente interno da caverna estavam a acelerar a degradação das pinturas. Já tinha sido montado um sistema de ar condicionado para manter estável o ambiente, mas as infestações por fungos têm-se sucedido pintando as paredes de cinzento e preto.

A Crise dos Avençados – O vergonhoso incumprimento da lei no Ministério da Cultura e que é do conhecimento público, parece nunca mais chegar ao fim. Titulam os jornais que o “governo põe fim à crise dos avençados”, depois da autorização da renovação dos contratos dada pelo Ministério das Finanças, embora “de acordo com as vagas disponíveis no instituto”. Não há “vagas disponíveis” pois até nem há quadros que decorram da reestruturação dos institutos dependentes do M.C.. è também público que a grande maioria destes avençados já está há perto de uma dezena de anos nesta situação, desempenhando tarefas indispensáveis, a tempo inteiro, e na dependência de chefias, o que configura uma clara violação da lei, mas neste ministério isso não tem importância nenhuma, como se está a ver.

Depois dos Fumadores, as Crianças – Em Portugal vamos assistindo à perseguição e à denúncia dos fumadores, existindo já uma “polícia dos costumes” que actua nestes casos, a ASAE. A saúde e o alívio dos que não fumam não justifica os rigores da nossa lei tão restritiva e não regulamentada, como qualquer cidadão pode comprovar atravessando apenas a fronteira, onde podem constatar a existência de cafés e mesmo restaurantes, uns onde se pode fumar e outros onde isso não é permitido, respeitando-se assim a liberdade dos cidadãos. Os excessos e a repressão resultantes da letra desta lei, leva-me a questionar se daqui a uns tempos teremos uma lei que restrinja a entrada de crianças com menos de dez anos em restaurantes, como vai acontecer em breve num restaurante do Walt Disney World , que segundo os responsáveis «passa a ser um espaço disponível para uma experiência adulta». Quando se exagera numas matérias, deixa-se a porta aberta para atitudes aberrantes como esta.


O Lisboa - Dakar -


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CARTOON

Delize

Bauer

Delestre

sábado, janeiro 05, 2008

O ESTADO DA CULTURA

Eu não costumo embarcar em petições para destituir quem quer que seja de um lugar governamental, porque acho que os altos titulares de cargos públicos, mormente os ministros, são escolhidos pelo chefe do governo e executam as políticas por ele definidas. Esta premissa aplica-se à senhora ministra da Cultura, mesmo que eu ache que o seu desempenho na pasta é simplesmente desastroso.
Já são muitos os que assinaram uma petição lançada na Internet exigindo a substituição de Isabel Pires de Lima, mas não vejo ninguém questionar o governo quanto à política cultural que defende, pelo menos no horizonte desta legislatura. Sei eu, e sabem muitos dos que subscreveram ou vão subscrever esta petição, que a Cultura é um parente pobre do Orçamento de Estado, e que a barreira mítica do 1% prometida por José Sócrates é uma miragem que não vai acontecer com toda a certeza. É perfeitamente claro que as dívidas deste ministério, que são muitas como bem sabem os nossos autarcas, vão aumentar substancialmente em 2008, com a inauguração de mais 3 museus.
Há uns meses atrás veio a lume uma polémica sobre alguma autonomia dos serviços, falo de museus, palácios e monumentos, que demonstrou claramente que existe um excesso de centralismo decisório, o que só pode resultar na má aplicação de verbas por atraso na decisão ou porque simplesmente não existe um planeamento consequente para acudir às reais necessidades. O caso da falta de pessoal nos museus, a não renovação de contratos atempadamente e até a falta de manutenção de edifícios e equipamentos são uma constante nos serviços dependentes do Ministério da Cultura, e a isso chama-se incompetência na gestão. Isabel Pires de Lima é a responsável máxima, tem que assumir as suas responsabilidades e não desculpar-se com subalternos, como já nos habituou.
Não há dinheiro para acudir a tudo, também já ouvi este argumento, então deixem-se de lado projectos pessoais e até megalómanos, para primeiro tratar do que existe, e há muito onde gastar dinheiro para reabilitar e potenciar o Património, a maior fonte de receitas deste ministério.

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INTERPRETAÇÕES

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PINTURAS

two boats by skumov

Amaneciendo by deathfairyabie

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CARTOON

Maz
Delestre

sexta-feira, janeiro 04, 2008

O PREÇO DA VIDA

Fico sempre estarrecido com o valor que os fanáticos das estatísticas dão à vida humana. O desgosto e a dor dos familiares e amigos não podem ser estimada, nem os efeitos que derivam da perda de rendimentos da família, que muitas vezes fica sem recursos suficientes para levar uma vida decente e digna.
Que importa o que eu penso sobre uma realidade avalizada pela União Europeia, que estabelece um valor estimado em um milhão de euros, por cada vítima mortal das estradas? Eles sabem tudo, calculam deste modo os prejuízos para o Estado pelo investimento que teve em educação, segurança social e saúde, bem como aquilo que deixou de contribuir para a sociedade.
A política e a economia dos nossos dias contabilizam tudo em dinheiro, como se as pessoas fossem meros bens negociáveis. A Europa Social deixou de existir na prática, e hoje temos uma Europa tecnocrática, económica e financeira, em que o cidadão deixou de ser a peça chave e o destinatário ou beneficiário de todas as políticas. O Deus dinheiro é o objectivo único, tudo o resto é acessório.
Desiludam-se os que ainda acreditam no discurso cínico de que todas as medidas que se vão tomando são para benefício dos cidadãos, e que os objectivos económicos que se pretendem atingir, e que justificam todos os nossos sacrifícios, vão ser recompensadas a prazo. Não acreditem nestas tretas, porque a criação de mais riqueza apenas vai aguçar mais a gula de quem hoje já beneficia e de que maneira do que estamos a produzir.
Para que não vos restem dúvidas sobre a hipocrisia que é a valoração da vida humana, perguntem aos familiares de qualquer das inúmeras vítimas dos acidentes rodoviários, quanto é que os seguros dos culpados dos acidentes “ofereceram” pela perda sofrida. É que afinal os familiares das vítimas também ouvem e lêem notícias deste tipo. Quem perdeu mais, a família ou o Estado?


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FOTOS "O MAR"

Maverick

Eugene Lemeshko

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CARTOON
John Sherffius

Gary Brookins