Há que esteja sempre a afirmar que “Deus escreve direito por linhas tortas”, o que sem qualquer carga religiosa, parece ser inteiramente verdade. Falo a propósito do Tratado Reformador, depois chamado Tratado de Lisboa, por ter sido assinado nessa cidade, que pelo andar da carruagem não parece estar a dar-se bem com os carris.
Este documento sucedeu a uma Constituição que já tinha sido mal sucedida nos referendos efectuados, e apesar dos esforços da nomenclatura política que governa os povos deste velho continente, que driblou as promessas que em muitos casos tinham sido muito explícitas de o sujeitar a um referendo, mas acabou por esbarrar numa obrigação da constituição irlandesa, onde acabou por haver um referendo vindo a chumbar inequivocamente.
O saldo até agora era de 3 referendos e 3 chumbos, mas mesmo assim a nata da democracia continuava a assobiar para o ar, tentando forçar os irlandeses a ratificar o documento num segundo referendo, mas eis que surge mais um escolho no caminho da “democracia” dos eurocratas, o Presidente da Polónia que se recusa a ratificar o Tratado, após o “NÃO” da Irlanda.
Durão Barroso deve estar à beira de um ataque de nervos, Sarkozy deve estar possesso com este início da presidência europeia, e José Sócrates deve estar a preparar-se para alterar o seu currículo político.
Os resultados das urnas contrariam a vontade dos governantes, e isso é muito difícil de engolir por quem “ama tanto a Democracia”! Mesmo com novas roupagens o tratado constitucional está amaldiçoado.






















