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quarta-feira, maio 30, 2018

NÃO SOU RICO, MEUS SENHORES

Surpreendentemente, ou talvez não, a notícia de que o “governo, patrões e UGT de acordo nas alterações à lei laboral” e a outra segundo a qual “Portugal tem o gás mais caro da UE e o preço da luz é o segundo mais alto”, não foram dadas em sequência em nenhum telejornal das nossas televisões, mas sim com algumas notícias diversas de permeio.

Pode parecer que as duas notícias não estão relacionadas, mas pode não ser mesmo assim.

O patronato nacional estica cada vez mais a corda, acenando com o possível aumento do desemprego, dizendo que as empresas não suportam salários mais altos nem as empresas podem admitir mais funcionários nos seus quadros. O custo do trabalho vem sempre à baila, como se só estes tivessem influência nos custos globais das empresas.

Se juntarmos as duas notícias vemos que é evidente que a energia é um custo a ter em conta, e que neste campo os empresários portugueses estão em desvantagem clara com os concorrentes europeus, ao contrário dos custos salariais, que não alinham pelos valores mais altos, mas sim pelos mais baixos.  


Outra informação que torna isto mais evidente, prende-se com o preço dos combustíveis rodoviários, que também estão entre os mais altos, em termos de paridade do poder de compra, sabendo-se que muitas das nossas exportações (e importações) dependem do transporte rodoviário. 


sábado, dezembro 27, 2014

SERÃO OS PERITOS MUITO ESTÚPIDOS?



São conhecidos inúmeros estudos e relatórios, avalizados por peritos nas diferentes matérias, que acabam por ditar a acção de governos e de grandes empresas, mas que não passam de absolutas cretinices criadas para justificar a agenda de grupos que detêm o poder, económico e político.

É muito recente um estudo com a chancela do Banco Central Europeu, que conclui que os trabalhadores têm poder a mais e prejudicam as empresas, o que se não fosse tão estúpido até faria rir qualquer trabalhador lúcido deste país.

O BCE e também o governo não devem gostar muito dos números oficiais da precariedade do emprego nas grandes superfícies comerciais, que já é superior a 25%, nem tão pouco da realidade que regista a perda de emprego no comércio, que já perdeu 4.000 empresas e 20.000 trabalhadores num só ano.

A realidade é tão cruel para os peritos, e para as instituições para as quais elaboram estudos absolutamente falsos, que só podem ser “encomendas”, pois já se sabe que durante o programa de ajustamento, e por causa da troika e deste governo, foram “roubados” 5.800 milhões ao trabalho, e foram “dados” 4.400 milhões ao capital, o que diz muito sobre a agenda de quem detém o poder, cá e um pouco por toda a Europa.


quinta-feira, dezembro 18, 2014

O INTERESSE PÚBLICO E A PRIVATIZAÇÃO DA TAP

Se o interesse, legítimo, dos privados é o lucro qual a mais valia da privatização da TAP? Quem defenderá então os direitos dos emigrantes, do país que beneficia e muito do turismo e da economia nacional?

Só porque disso não se fala, digam-me quem fica com o passivo da TAP, e qual o seu montante, só para aquilatar dos benefícios, ainda que momentâneos,  da sua venda.


quarta-feira, outubro 15, 2014

O MAU MODELO ECONÓMICO



Os portugueses estão já a pagar muito caro o mau modelo económico seguido por este governo, baseado nos baixos salários e na destruição da coesão social com os cortes nas transferências para este sector.

Uma das evidências está plasmada em números da OCDE onde fica claro que Portugal é um dos países da Europa onde se trabalha mais horas por ano, e com salários dos mais baixos. Para os mais distraídos, que nos querem passar por parvos, fica o registo de que trabalhamos mais 324 horas que os alemães por menos 7.484 euros.

Mas os maus resultados deste péssimo modelo económico não se esgotam nestas diferenças de horas trabalhadas e nos baixos salários praticados, porque não nos podemos esquecer dos reformados que viram a sua situação ficar bastante pior, e dos desempregados que além de terem aumentado duma forma alarmante, também viram reduzidos os subsídios e outras ajudas sociais.

Com quase metade da população na miséria ou em claras dificuldades económicas, só nos resta correr com quem tão mal nos governou nestes últimos anos, e exigir compromissos claros dos candidatos a governar proximamente este país. Não pedimos o céu, mas tão só honestidade na gestão da coisa pública.


Cão by Leonid Afremov

quinta-feira, setembro 11, 2014

A MISTIFICAÇÃO

A crise que atravessamos tem sido uma oportunidade muito bem aproveitada pelo governo para impor um programa de destruição dos direitos dos trabalhadores, e dos cidadãos em geral, sempre com a desculpa de se querer resolver o problema das finanças públicas, o que evidentemente não aconteceu.

Durante todo este tempo diminuíram-se salários, cortaram-se direitos adquiridos, cortaram-se pensões, tiraram-se feriados, aumentaram-se as jornadas de trabalho, etc. Com isto tudo apenas se conseguiu aumentar o desemprego e empobrecer o país.

Passados estes anos vemos provado à saciedade que a precariedade prejudica a produtividade, bem como o aumento da jornada laboral, a insatisfação gerada pelos baixos salários, a diminuição dos feriados, ou as preocupações geradas pela incerteza quanto ao futuro (velhice).


Hoje já poucos conseguem dar a cara por tudo o que nos levou aqui, e os autores desta experimentação política foram premiados com lugares em instituições financeiras e políticas internacionais, provando-se que não foram eles os mentores, mas simples executantes de políticas que se revelaram desastrosas para o país e para os portugueses.


quinta-feira, junho 12, 2014

AS POUPANÇAS NA DESPESA



Este governo anda a enganar os portugueses quando afirma que tem funcionários a mais e que a única solução para baixar a despesa é despedir pessoal.

A despesa com pessoal pode ser um desperdício, ou não, tudo dependendo dos serviços que se prestam e da sua utilidade para os cidadãos. 

O caso que melhor demonstra que o encerramento de serviços públicos, causados por falta de pessoal e pela “racionalização” feita pelo governo é o das Lojas do Cidadão e das Conservatórias do Registo Civil, que se reflecte em dias perdidos pelos cidadãos para obtenção do cartão do cidadão.

O Estado tem muitas despesas de que não se fala, e nas quais não se quer mexer, como a aquisição de serviços, muitos desnecessários e outros que podiam ser feitos internamente, nas PPP’s que servem apenas para garantir lucros, ou em rendas excessivas como as da EDP.

Talvez hajam pessoas que estejam a mais no Estado, em alguns serviços, ou em algumas funções, mas que fazem falta noutros, mas há muito pessoal que está colocado por confiança política e que depois acaba por ficar em lugares criados à sua medida, que não são certamente aqueles que o governo quer despedir ou mandar para a mobilidade.

Quem tem sido iludido pela poupança na despesa do Estado, em salários, talvez deva pensar melhor se também deseja passar mais horas na fila para obter o cartão do cidadão, para renovar a sua carta de condução, ou para receber cuidados de saúde…



quarta-feira, agosto 28, 2013

AGENDA POLÍTICA



As trapalhadas com dados estatísticos fornecidos pelo governo não são novidade, contudo quando esses dados servem para as entidades que compõem a troika concluírem qual o caminho que Portugal deve trilhar para a recuperação económica, então a coisa complica-se.

Depois da Moody’s ter concluído que os aumentos de produtividade apresentados por Portugal resultam em grande parte do aumento do desemprego, o que não garante qualquer sustentabilidade económica, agora veio a polémica do relatório do FMI com dados errados.

Quando todos sabemos que as entidades estrangeiras gostam de fazer os ajustamentos por via da compressão dos salários, é inadmissível que o governo forneça dados nada precisos sobre os cortes salariais e a percentagem dos trabalhadores atingidos pela tesourada nos salários.

Portugal tem dos salários mais baixos da Europa e nos últimos 4 anos foi o país que mais cortou nos rendimentos do trabalho, quer por via dos cortes efectivos nos salários, quer por via do aumento brutal da carga fiscal. 

Pedir mais cortes devido a dados manifestamente incorrectos é pouco sério, e um governo que não faz nada para clarificar é porque tem uma agenda secreta que não quer admitir.



quarta-feira, outubro 03, 2012

QUEM VAI EXPLICAR?



Ao que parece, e foi noticiado, um secretário de Estado fez um despacho, em Outubro de 2011, que foi ao encontro dos interesses fiscais de certos grupos económicos, ao arrepio da Inspeção-geral de Finanças.

Claro que estamos a falar de milhares de milhões de euros de lucros que ficaram por tributar em sede de IRC. Com interpretações absolutamente inacreditáveis, vários grupos económicos fugiram a ser tributados, mesmo numa altura em que o governo declarou o estado de emergência nacional, que até serviu para se apropriar inconstitucionalmente dos subsídios de férias e de Natal dos funcionários públicos e dos pensionistas.

Quem é que consegue explicar este laxismo do qual beneficiaram apenas os grandes grupos económicos? Será Passos Coelho, o secretário de Estado dos Assuntos Fiscais, ou o ministro das Finanças, Vítor Gaspar?

O mais certo é ficarem todos calados e vir o professor Marcelo explicar que são questões de ordem jurídica que a seu tempo serão esclarecidas e clarificadas. É o Portugal dos manhosos, em todo o seu esplendor.


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Humor - Equidade com Palas
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Foto - Amarela