A tarefa de qualquer ministro da Cultura será sempre difícil, em épocas de crise económica, nomeadamente quando o governo que integram se quer afirmar como reformista e modernista. Convenhamos que com um ministro que à partida, e sem conhecer os cantos à casa, afirma que pretende fazer mais com menos dinheiro, as coisas ficam mais simples para o chefe do executivo e para o ministro das Finanças.
Esquecidas as promessas eleitorais de ir subindo as dotações para a Cultura até ser atingido o patamar mágico de 1%, e com um ministro manietado pelas suas próprias palavras, eis que estamos confrontados com um orçamento cada vez menor, neste caso 2,4% abaixo do de 2008. É aqui que as coisas começam a ficar estranhas, surgindo José António Pinto Ribeiro, para os que não sabem é este o nome do actual ministro da Cultura, a dizer que o orçamento da Cultura cresce 0,4% face ao OE 2008.
Não pretendo discutir ou questionar os dados do senhor ministro, que salientou a permissão de reforços orçamentais de seis milhões de euros, concedidos pelo ministro das Finanças, ainda em 2008, mas mesmo com os 3,5 milhões de euros de verbas provenientes do jogo em 2009, o que se conhece do OE para 2009 fica mesmo assim abaixo do orçamento executado em 2008.
Outra curiosidade, impossível de descortinar no documento apresentado como OE para 2009, é o que decorre das afirmação do ministro de que o Instituto dos Museus e da Conservação (IMC), vai ter no orçamento um crescimento de 148 por cento para despesas normais e funcionamento, que permitirão que os museus funcionem em condições mais desafogadas do que em 2008.
Veremos em breve se estas afirmações do ministro da Cultura se confirmam na prática. O tempo corre muito depressa, e o Carnaval e a Páscoa já estão próximos, e nessa altura cá estaremos para ver se há mais vigilantes nos quadros dos museus e palácios para atenderem o público, ou se vai ser necessário recorrer, mais uma vez, a pessoal contratado à pressa e sem formação, para tapar de novo o buraco.
Finalizo com as previsões de alguns amigos ligados ao turismo, que calculam para o próximo ano um decréscimo de visitantes na casa dos dois dígitos, 10 a 12 por cento com algum optimismo, o que se irá traduzir num decréscimo de receitas geradas pelos museus, que talvez não estejam nos cálculos do ministério.
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