segunda-feira, outubro 08, 2018

PREÇOS E RECEITAS DOS MUSEUS


O aumento de preços de entrada nos museus, palácios e monumentos encontra uma natural resistência por parte do público em geral, mas é uma possibilidade que tem de ser equacionada.

Em Portugal o nosso Património construído é sustentado directamente pelo Orçamento de Estado, e pelo conjunto de receitas obtidas pelos diferentes serviços, dinheiros que são controlados pela Direcção Geral do Património Cultural.

Sem uma verdadeira autonomia administrativa não existe nenhum planeamento possível, que seja da responsabilidade dos directores, como é evidente. As acções de manutenção corrente, alguns restauros absolutamente necessários, e a contratação de pessoal necessário para garantir a segurança dos serviços, estão sempre dependentes da tutela e da boa vontade do ministro das Finanças.

A política de preços é determinada pela tutela da Cultura, não tendo em conta factores determinantes como a procura, a oferta, a disponibilidade de pessoal e a localização.

Por cá não vemos nenhum director a falar deste assunto, mas gostei de ler o que disse o director do Victoria and Albert Museum sobre este assunto tão sensível, apesar de se tratar dum museu diferente e com outra dimensão diferente dos que temos.



sábado, outubro 06, 2018

PORQUE MENTE CENTENO?


Existe um provérbio chinês que diz: Meia verdade é sempre uma mentira inteira.

Centeno, e por arrasto o governo, têm vindo a insistir que os funcionários públicos, por via do descongelamento dos escalões, já tiveram (TODOS) um aumento superior aos 3%, e como Centeno sabe, e é público, nem todos os funcionários foram abrangidos por esse descongelamento, nem o descongelamento se verificou inteiramente no ano de 2018, pois 50% só será recebido em 2019, em duas tranches.

Na realidade existem bastantes funcionários que não receberam nenhum aumento desde 2009, e que portanto estão há 10 anos a perder poder de compra por causa da inflação. Estes funcionários em vez de aumentos tiveram diminuição de salários num valor que ronda os 12%, e esta é a verdade que Centeno nunca refere.

Outra particularidade que importa referir, é que para Manuela Ferreira Leite, quando era ministra das Finanças, os salários que mereciam maior atenção eram os que estavam até aos 1.024 euros, e agora para Centeno, muitos anos depois e com um salário mínimo em 600 euros, só vão até aos 835 euros.

Os números e a memória são lixados, senhor ministro.


IN MEMORIAM

quarta-feira, outubro 03, 2018

SERÁ MESMO AUTONOMIA?

Quando se ouve falar de maior autonomia dos museus, com um projecto discutido com as entidades representativas (algumas), e com os actuais directores, os outros profissionais e o público desconfiam.

Todos sabem que a delegação de competências nos directores, através dum contrato-programa a cinco anos, é problemática. A autorização para assinar despesas terá sempre um limite que tem que ser negociado para poder ser autorizado.

Estando tudo dependente das receitas obtidas, a autonomia é curiosa e bem limitada, e nunca permitirá mudanças substanciais ao que temos hoje. Os concursos internacionais para comissões de serviço de 5 anos, com a limitação máxima de duas comissões, vão ser o teste decisivo da atractividade desta autonomia.

Outra preocupação sobre as receitas a consignar está no modo como elas podem ser obtidas, pois além dos bilhetes, temos também o mecenato, protocolos com terceiros, cedências de espaços e cedência temporária de bens.

Tudo muito vago e certamente arbitrário, a menos que dependente de autorização da tutela, ou de regulamentos bem definidos.


É pena que o documento não tenha sido público, e nem sequer tenha sido discutido por todos os grupos profissionais ou pelas suas estruturas representativas, porque existem outras questões paralelas ao documento, como o novo museus a nascer no Palácio da Ajuda, que precisavam de ficar esclarecidas.


sábado, setembro 29, 2018

LEITURAS

"O paradoxo do império é que ele cria nações, geralmente onde estas não existiam, e ao mesmo tempo tem de actuar energicamente para as reprimir."

Esta está a ser a minha actual leitura, que me está a despertar a atenção, não apenas pelo tema, mas sobretudo pela visão desassombrada do autor.


quarta-feira, setembro 26, 2018

A MODELO DA ORIGEM DO MUNDO FOI IDENTIFICADA

Numa altura em que tanto se discute a censura em Portugal, e no mundo, também se fala de Cultura, costumes, e excessos.

Foi notícia hoje mesmo, que se terá identificado a modelo da obra A Origem do Mundo, do pintor Gustave Courbet, que não é a retratada abaixo, Joanna Hiffernan, mas sim a bailarina Constance Quéniaux.

A imagem que se impunha era a do quadro A Origem do Mundo, mas devido à evidente censura de algumas redes sociais, a escolha foi a de outra pintura do mesmo autor.

Jo, la belle Irlandaise de Gustave Courbet

segunda-feira, setembro 24, 2018

CONTRA A CENSURA

Pode parecer estranho mas o Cara de Livro bloqueou-me por causa dum artigo do El País que falava da exposição de Robert Marpplethorpe em Serralves, e dos acontecimentos que a rodearam. Fiquei sem saber se foi por no título constar a palavra "sadomasoquistas", referindo-se a algumas imagens, ou se foi pela imagem que acompanha o artigo, que francamente não sei se chocam alguém.

Abomino a censura e por isso denuncio-a como me é possível.

Nota: Siga este link se o desejar, e verá o artigo a que me refiro.

sábado, setembro 22, 2018

É MAIS FÁCIL SE PERGUNTAR EM INGLÊS

Os sinais de alarme soam quando um português, em Lisboa, tenta orientar-se e constata que as pessoas que o rodeiam, nos transportes públicos, nos cafés e nos locais turísticos, são mesmo só turistas...


quinta-feira, setembro 20, 2018

A MOBILIDADE DOS "BEM MONTADOS"

Está na ordem do dia falar-se das dificuldades existentes no que respeita à mobilidade dos portugueses, e dos problemas ambientais, mas será que os Governos discutem e encaram estes problemas com a devida seriedade?

Quando se fala da poluição ligada à mobilidade, ataca-se o transporte particular, e fala-se de aumentos dos impostos nos automóveis, nos combustíveis, imposto de circulação e portagens, e fica-se por aí, porque umas "massas" a mais nos cofres significam mais "umas flores" para se ganhar as próximas eleições.

Como sempre ouvi dizer, o exemplo tem que vir de cima, e o que fazem os senhores governantes deste país onde as desigualdades são das maiores da Europa? Compram ou alugam uma frota de automóveis topo de gama para seu uso pessoal, e da família, com um motorista, com "gasosa" e todas as demais despesas, por conta do erário público.

Será que se os senhores ministros e ajudantes tivessem que usar os seus próprios automóveis, com tudo à sua custa (como o comum dos contribuintes), ou os transportes públicos que existem, para todas as suas deslocações diárias, as coisas estavam no estado em que estão? 

Confesso que nunca encontrei uma explicação convincente para a atribuição de viaturas de serviço (todo ele, particular incluído), aos governantes e demais chefias (excepto para as deslocações estritamente em serviço), quando todos os subordinados, alguns dos quais com salários bem baixos, têm que se deslocar a expensas próprias. 



terça-feira, setembro 18, 2018

POLÍTICAS AMIGAS DA NATALIDADE


A baixa da natalidade em Portugal, é um verdadeiro problema, que apesar de já ter sido identificado há cerca de uma década, continua a não ter qualquer solução à vista.

Há pouco tempo ouviu-se a ideia peregrina de incentivar o regresso ao país daqueles jovens que abandonaram o país em busca dum futuro melhor, que Portugal não lhes podia proporcionar.

A ideia é peregrina porque os jovens, na sua grande maioria, não conseguem encontrar empregos com remunerações justas, que lhes permitam constituir família, ter uma habitação condigna, criar e educar os seus filhos.

Neste preciso momento temos jovens saídos das nossas faculdades que não encontram empregos nas suas especialidades (não só os enfermeiros, ou outros da área do ensino), e mesmo os que conseguem têm no começo da sua carreira salários que vão dos 600 aos 900, pelo menos nos primeiros 3 anos.

Com salários tão baixos como os que se praticam no início da carreira, e com o grau de precariedade que é a norma, como é que se promove a natalidade? Em Portugal quando se fala em aumentar os salários, surgem logo os que falam de ameaça à competitividade, na fuga dos investimentos, e começam os pedidos de vantagens nos impostos, nas prestações sociais obrigatórias, etc. Este patronato nacional é o mesmo que diz que não encontra profissionais para trabalhar nas suas empresas, e que reclama pela vinda de emigrantes, que quando vêm é só para saltar o mais depressa possível para outro país europeu onde possam viver decentemente.

Este é o país que temos, e que vai envelhecendo a cada ano que passa.



segunda-feira, setembro 17, 2018

OS TRONOS DE D. JOÃO VI (cont)



Este trono esteve em exposição no antigo Palácio de S. Cristóvão, casa dos Braganças no Brasil, e depois Museu Nacional do Brasil que ardeu na sua totalidade há poucos dias.

Não existem pois dúvidas que estes dois tronos, agora desaparecidos, pertenceram a D. João VI, pois existem provas documentais que suportam esta afirmação.

É uma pena que uma sala tão emblemática e bela como a Sala do Trono do Palácio Nacional de Mafra, exiba uma cadeira muito banal, e nunca se tenha pensado em mostrar uma réplica dum trono verdadeiramente de D. João VI, o rei que mais tempo passou neste palácio.

Podem afirmar que uma réplica não é adequada, mas continuo a achar que, desde que devidamente identificada, e fiel ao original, é mais própria do que uma outra cadeira qualquer.

Existe mais outra curiosidade que encaixa na perfeição no título “Os Tronos de D. João VI”, que é o trono oferecido a este monarca pelo príncipe do Daomé, Adandozan, em 1810, que é mais antigo do que o Museu Nacional, sendo portanto uma das suas primeiras peças, que infelizmente também se perdeu no incêndio.


Trono de Daomé

Nota: Sei que existem outros tronos de monarcas portugueses, como o que se diz ser de D. Afonso VI e o de D. Maria II, por exemplo, mas isso não invalida que se dê o devido relevo a D. João VI, e aos seus pertences, no Palácio Nacional de Mafra, ao invés de se teimar em falar nas “coxinhas de frango nos bolsos”, de cada vez que se mostra um retrato menos feliz exposto nos aposentos do rei.