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sexta-feira, janeiro 04, 2019

ROUBO DE BENS CULTURAIS


Os museus, palácios, monumentos e sítios que deviam estar protegidos pelo Estado, não estão assim tão bem protegidos, quer por falta de pessoal, quer de meios, quer por falta de eficácia dos organismos dedicados à sua protecção.

Podíamos falar das condições de segurança de muitos destes serviços e o rol de falhas seria imenso, mas é melhor meditar-se apenas num caso da actualidade que é o roubo de azulejos do Mosteiro de Odivelas.

O edifício está devidamente classificado, já de lá saíram as meninas de Odivelas, já se começou a trabalhar nas coberturas (?) e no túmulo de D. Dinis, mas parece que há coisas de que ninguém se lembrou.

O mosteiro não tem qualquer segurança, humana ou de videovigilância. Não existe uma vedação na zona onde se encontram, à vista de todos, os painéis de azulejos que foram alvo de furto parcial.

Já começou o jogo das culpas, ora para a Defesa porque o edifício ainda não foi oficialmente entregue à autarquia, ora à autarquia que vai em breve ser o arrendatário do monumento, ora ainda ao Ministério da Cultura, que enquanto autoridade fiscalizadora do Património, não previu a possibilidade de roubo ou vandalismo.

O Estado anda a falhar demasiadas vezes, e espera-se que também neste caso o Presidente Marcelo exija celeridade, não só nas investigações, como nas medidas de segurança do Património.



segunda-feira, outubro 08, 2018

PREÇOS E RECEITAS DOS MUSEUS


O aumento de preços de entrada nos museus, palácios e monumentos encontra uma natural resistência por parte do público em geral, mas é uma possibilidade que tem de ser equacionada.

Em Portugal o nosso Património construído é sustentado directamente pelo Orçamento de Estado, e pelo conjunto de receitas obtidas pelos diferentes serviços, dinheiros que são controlados pela Direcção Geral do Património Cultural.

Sem uma verdadeira autonomia administrativa não existe nenhum planeamento possível, que seja da responsabilidade dos directores, como é evidente. As acções de manutenção corrente, alguns restauros absolutamente necessários, e a contratação de pessoal necessário para garantir a segurança dos serviços, estão sempre dependentes da tutela e da boa vontade do ministro das Finanças.

A política de preços é determinada pela tutela da Cultura, não tendo em conta factores determinantes como a procura, a oferta, a disponibilidade de pessoal e a localização.

Por cá não vemos nenhum director a falar deste assunto, mas gostei de ler o que disse o director do Victoria and Albert Museum sobre este assunto tão sensível, apesar de se tratar dum museu diferente e com outra dimensão diferente dos que temos.



sábado, novembro 25, 2017

COMO (NÃO) CUIDAR DO PATRIMÓNIO



O caso do jantar no Panteão já tinha sido infeliz, e tinha sensibilizado a opinião pública para as más práticas que advinham do aluguer de espaços em edifícios classificados como museus e monumentos, mas na altura estavam apenas (?) em causa questões de dignidade dos espaços, mas não eram apenas esses que nos deviam preocupar, pois sempre estiveram também em causa problemas de uso e conservação, que também podem decorrer da ligeireza (necessidade afirmam alguns) em fazer estas cedências de espaços.

Agora veio a público um jantar no Palácio Nacional da Ajuda, e ilustrado com fotos bem elucidativas de más práticas, desde logo porque o número de convivas era demasiado elevado para o espaço cedido, o que devia ter inviabilizado desde logo a sua realização.




Algumas frases atribuídas à assessoria da direcção do Palácio Nacional da Ajuda e/ou ao conselho de curadores do Museu de Arte Antiga é que me deixaram furioso com tudo isto. Pretender que o facto de se verem pratos colocados nos corrimões, mesas de catering “perigosamente juntas aos frescos e tapeçarias” e convidados fotografados “encostados e sentados na parte lateral de um coche secular” eram resultado de haver vigilantes em número insuficiente, é para rir, porque quem autorizou a realização, e determinou a colocação das mesas e de todo o material de apoio, bem como o que se iria passar no decorrer da festarola, foram com toda a certeza técnicos superiores do palácio, e nunca vigilantes, que muitas vezes nem são autorizados a estar nos espaços onde decorrem os eventos.


Sacudir a água do capote é coisa que está na moda, mas é patético estar sempre a bater nos mais fracos quando as coisas dão para o torto, e neste caso, como em muitos outros, os responsáveis não se podem esconder atrás dos subordinados que só obedecem a quem manda.


 

segunda-feira, junho 26, 2017

A CULPA NÃO É DE TODOS.

Demorou a chegar, mas como é habitual nestas coisas em que estão envolvidas responsabilidades políticas, há sempre quem venha dizer que as culpas são de todos, começando pelos comentadores da praça, diluindo assim as responsabilidades, e acentuando assim as diferenças entre os portugueses das diversas tendências, que souberam unir-se após as desgraças.

É fácil dizer que a culpa começou no Adão, que comeu a maçã, que o D. Afonso Henriques não devia ter batido na mãe, que o D. João I perdeu uma boa ocasião para estar quietinho e que o D. João VI devia ter ficado no Brasil a comer coxinhas de frango, para assim ilibar quem actualmente tem responsabilidades políticas em sectores que falharam rotundamente, e que não têm vontade de abandonar o poleiro, mesmo que deixem o governo arder em lume brando.

Com disparates destes estamos a culpar os bombeiros, a polícia, os habitantes das áreas atingidas, os mortos, os sobreviventes, os eleitores, os não-eleitores, e estamos a contribuir para que tudo fique na mesma e para que quem aceita lugares de responsabilidade, continue a achar-se inimputável. 

Como dizia um amigo meu, a culpa, em última instância, é do segurança que abriu a porta e deixou entrar no ministério alguém que falhou nas suas funções de defende a causa pública e os portugueses. Demita-se o segurança!


quinta-feira, março 02, 2017

DIREITOS DOS CIDADÃOS

Há coisas que não consigo entender neste rectângulo à beira mar plantado, e prendem-se sobretudo com coisas que eu acho que deviam ser do conhecimento público, porque afinal acabam por interferir, e muito, com a nossa carteira, pois são os cidadãos deste país a pagar a factura.

O que se passou com a nossa banca, onde os accionistas ganharam somas muito altas durante muitos anos, gestores receberam principescamente, e a certa altura deram o estoiro, e nós (o Estado somos nós) ficámos com o menino nas mãos. Quem foi responsabilizado pelo verdadeiro saque dessas instituições, e quem foi condenado?

Agora com a Caixa Geral de Depósitos também se constatou que existe muito crédito que já voou, mas não podemos conhecer quem foram os beneficiários desses créditos manhosos, e existam apenas suspeitas de que afinal são os mesmos fulanos e instituições que também ficaram com calotes nos outros bancos falidos. Quem autorizou tal sangria, que garantias exigiu, para se saber quem esteve envolvido nestes maus negócios.


Já que são os cidadãos contribuintes que vão pagar toda esta festança, também me pergunto porque é que estrangeiros com posses ficam isentos de alguns impostos, e eu português e contribuinte, sou obrigado a pagar cada vez mais impostos? Terei que adoptar outra nacionalidade?


sexta-feira, agosto 09, 2013

ATENTADOS À DEMOCRACIA



A política nacional está cheia de atentados à Democracia, e por isso é ridículo ouvir a expressão da boca de um político que está em funções governamentais.

O ministro Poiares Maduro veio a público falar em «atentado à democracia» a propósito de uns documentos ligados aos contratos swap, alegando a possibilidade de falsificação, mas em momento nenhum veio negar o envolvimento de Joaquim Pais Jorge na tentativa de venda ao governo português de tais contratos.

Não há inocentes na má gestão da coisa pública, e pouco interessa ouvir as razões do chamado bloco central dos interesses, onde estão incluídos PSD, PS e CDS, que partilharam durante mais de duas décadas os destinos da nação, sós ou em coligação.

Enquanto estes partidos perdem tempo lançando culpas uns aos outros, é bom que os cidadãos se interroguem se vale a pena continuar a votar em tal gente, ou se pelo contrário os devemos entregar à Justiça para responderem pelos seus actos públicos.

Democracia implica responsabilidade, e PSD, PS e CDS são responsáveis pelo estado em que o país se encontra.   


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