terça-feira, fevereiro 06, 2007

OS SEM-ABRIGO

Sem surpresas ficámos todos a saber que a grande maioria dos sem-abrigo estão nos grandes centros urbanos e são maioritariamente do sexo masculino. Talvez menos esperado seja o facto de que o alcoolismo é mais comum em Lisboa e a toxicodependência é mais visível no Porto.
Os motivos que levam alguém a esta situação, são geralmente de ordem social o que demonstra alguma fraqueza das organizações públicas do sector, que deviam poder realizar mais embora o fenómeno não seja passível de ter uma solução total.
Para além do vício, alcoolismo ou toxicodependência, temos outros factores predominantes como a doença, conflitos familiares e desemprego ou vínculo precários que também contribuem para esta situação. Um dado que geralmente é pouco valorizado é o facto do desemprego e o vínculo precário ser a causa de mais de 35% do problema dos sem-abrigo, que talvez seja aquele que demonstra a realidade do trabalho clandestino e da exploração sem direitos de quem trabalha. Muitos são emigrantes, alguns são nacionais com baixas qualificações e, em comum, têm apenas o estigma de serem mão-de-obra descartável e sem protecção social à disposição de empregadores sem escrúpulos que furam com facilidade a fiscalização das autoridades.
Os números conhecidos pecam por defeito e só não tomam proporções mais dramáticas porque há algumas organizações que vão tentando integrar ou ajudar estas pessoas, muitas vezes com mais vontade do que meios para a tarefa que pretendem realizar.

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Superior National Forest, Minnesota (map), 1996Photograph by Raymond GehmanDragonflies and their close relatives damselflies are also known as snake feeders, snake doctors, darning needles, and mosquito hawks. By any name they are commonly seen—some 5,000 different species are known. During their larval stages, dragonflies and damselflies live underwater, where they commonly spend one to two years before they emerge as adults.

St. Mary's River, Georgia and Florida (map), 1991Photograph by Melissa FarlowWith its back high and dry, an alligator walks the muddy bottom of the boundary between Georgia and Florida—the St. Mary's River. Alligators also live in southeastern U.S. swamps, lakes, and marshes, from North Carolina to Texas.





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CARTOON

BANDEIRA



DN, 4 FEV

segunda-feira, fevereiro 05, 2007

MARCELO E A RTP

Começo por dizer que não sou contra a presença semanal de Marcelo Rebelo de Sousa nos écrans da RTP comentando, notícias nacionais, internacionais e até livros. Dito isto, porque a RTP é um serviço público pago pelos contribuintes e por isso sendo obrigada a informar com o máximo de isenção exigível, devia acautelar certas situações onde o pluralismo seja indispensável.
A RTP e o próprio Marcelo R. de Sousa deviam ter suspendido o programa durante a campanha do referendo em curso, ou pelo menos, deviam entender que este tema não devia ser abordado nesta ocasião. Sei que há o argumento de que o professor se pronuncia enquanto cidadão ou que o outro de que o partido no qual está filiado dá total liberdade de voto aos seus militantes, ainda assim eu mantenho a minha discordância. Tal como MRS, eu acho que em referendos desta natureza (consciência), os partidos enquanto organizações políticas deviam distanciar-se, mas na verdade isso não se passa e os partidos têm condições privilegiadas e concorrem com movimentos cívicos em situação de clara vantagem. Pois bem, MRS intervém em apoio de movimentos cívicos com opinião expressa e é, ele próprio o confessa apoiante do PSD, o que o coloca em situação muito delicada ao ter de comentar as posições sobre o referendo, durante a campanha, sem poder ser rebatido (o contraditório) por ninguém.
Eu não gostei do episódio da TVI em relação à saída do professor, mas lá que ele se põe a jeito, isso é evidente.

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BANDEIRA

DN, 03 Fev


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MARAVILHA


A beleza do Mosteiro da Batalha e o seu significado histórico fazem deste monumento um marco histórico e arquitectónico de Portugal.

domingo, fevereiro 04, 2007

CURTAS

Museus – Ficou a saber-se que o número de entradas nos museus não reflecte na realidade o número de pessoas que lá entrou com a finalidade de os visitar. Nos números divulgados contabilizaram-se entradas para cafetarias, visitas a jardins, raves, eventos diversos, cursos, etc.
Na realidade cerca de 22% dos visitantes contabilizados poderão não ter ido aos museus com o intuito de usufruir das suas colecções. Já aqui tinha referido que os números dos museus entravam em divergência (para cima) com os que consegui apura de alguns dos monumentos que contactei, o seu aumento relativamente a 2005 tinha sido bastante superior aos cerca de sete, 8% que eu tinha constatado. Sempre considerei que as receitas de bilheteira eram um indicador mais fiável, embora saiba que não é o único.

OPAS – O BCP lançou uma OPA sobre o BPI que pelos vistos não agradou a muitos dos accionistas deste último, que manifestaram a sua discordância propondo-se a resistir à intenção do primeiro. No decurso desta eternidade que decorreu desde a manifestação do interesse, ouviu-se de tudo sobre os valores que a aplicação implica, sobre a concentração e até se ouviram apelos à manutenção dos centros de decisão em mãos nacionais. Este último argumento é curioso quando ambos têm parceiros fortes espanhóis, no que são acompanhados pelo menos pelo BES que tem forte participação dos franceses.
Com isto tudo lembro que os nossos “patrões” que tanto clamam pelo funcionamento do mercado e por menos Estado, quando estão em apertos pedem a protecção do mesmo Estado que dizem meter o nariz em tudo impedindo que o mercado funcione.
Promover o Património – Com as 7 Maravilhas de Portugal houve quem dissesse que se estava a promover o Património, eu diria que nem por isso, pois há concerteza outras coisas mais prioritárias para o Património. A conservação e a divulgação são dois pilares que devem ser respeitados. Na conservação falha sistematicamente dinheiro para a manutenção dos edifícios, dos espaços expositivos, e da sinalética informativa. Na divulgação falta muito mais, mas podia começar-se pelas visitas guiadas, principalmente nos monumentos, que até já existira há alguns anos mas que pelos vistos não é considerada necessária (?) ou estará inviabilizada pela falta de pessoal que, ao que sei, é agora aflitiva em diversos serviços.

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FOTOS
Mona Lisa wearing eyeglasses in a file photo. Digital art has broken into the mainstream with venerable institutions such as New York's Guggenheim Museum buying such works for permanent collections. REUTERS/File


A woman uses her mobile phone in Chiba, east of Tokyo, September 22, 2006. Millions of consumers a week buy mobile phones with digital video cameras, and several Web sites are now providing them with free online editing tools, nurturing a new generation of filmmakers. REUTERS/Kiyoshi Ota



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CARTOON


Igor Kondenko - Ukraine

sábado, fevereiro 03, 2007

MARAVILHAS BARALHADAS

Neste sábado foram apresentadas duas putativas Maravilhas de Portugal na Vila de Sintra. As duas candidatas deste concelho são o Palácio Nacional de Queluz e o Palácio Nacional da Pena.
O concurso as 7 Maravilhas de Portugal já tinha apresentado dois monumentos de Lisboa, a Torre de Belém e o Mosteiro dos Jerónimos, tendo na altura colocado o atrelado de apresentação e votação oficial junto aos Jerónimos, e com vista para a fronteira Torre de Belém. Hoje, por ironia do destino, e porque não das escolhas, a caravana promocional assentou arraiais no largo fronteiro ao Palácio Nacional de Sintra, sem um vislumbre sequer dos dois monumentos colocados entre os 21 ainda em concurso. É no mínimo curiosa a escolha do espaço, tendo em conta a votação.
Quanto às escolhas, não me admira muito que o Palácio Nacional de Sintra não esteja entre os mais votados, até porque ele também não consta entre os “Grandes Monumentos Portugueses”, uma colecção de 60 medalhas prateadas oferecidas recentemente pelo Diário de Notícias.
O segundo monumento mais visitado deste país e gerador de grandes receitas como se calcula, é visitado maioritariamente por estrangeiros e é pouco visitado e valorizado pelos nacionais. As razões podem ser as mais variadas, mas segundo alguns amigos da zona de Sintra, muito se deve à ausência de visitas guiadas (já houve há alguns anos) e ao desconhecimento gritante da História de Portugal dos nossos jovens devido ao modo como se ensina a História desde há 30 anos.
Eu não vou votar nas 7 Maravilhas, embora admire muito o Mosteiro da Batalha, pois não gostei de ficar limitado a uma lista de “especialistas” onde há escolhas mais do que aberrantes em critérios históricos e arquitectónicos.

PS – Peço desculpa ao meu amigo Palaciano que defende este palácio com unhas e dentes, mas eu adoro a Batalha, como ele compreenderá.

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OLHA O BALÃO
LONDON - Sir Richard Branson poses for the camera at a press conference for the launch of the new Virgin Stem Cell Bank at the British Medical Association on Febuary 1, 2007 in London, England. The bank will mean parents will be able to store their children's stem cells in a dual public and private bank giving them the option of accessing their children's stem cells for future possibilities of regenerative medicine. (Photo by Chris Jackson/Getty Images)




Ferreira dos Santos - Portugal

sexta-feira, fevereiro 02, 2007

SEM ASSUNTO?

O nosso primeiro veio em defesa do ministro Manuel Pinho, mas tamanha asneira só podia ser explicada com outra equivalente. Ficámos todos nós a saber que Pinho não se queria referir aos portugueses em geral, quando referiu a mão-de-obra barata portuguesa, mas apenas aos profissionais mais qualificados.
Engenheiro Sócrates, se os trabalhadores portugueses mais qualificados podem ser considerados mão-de-obra barata no panorama europeu, como classificar os operários, os administrativos e outros profissionais de carreiras menos especializadas? O senhor tentou limitar o estrago mas deixou em aberto um termo de comparação, daí para baixo. Pior ainda se nos recordarmos que o governo diz que os professores (só para dar um exemplo) portugueses estão entre os mais bem pagos da Europa, a quem se estava a referir então o ministro da Economia?
A “asneira” de Manuel Pinho não deu de falar por falta de assunto político, mas sim porque o aperto de cinto É O ASSUNTO, pois ameaça eternizar-se com referências como estas dum ministro, que dá o mote às entidades empregadoras para exigirem ainda mais reduções de salários e de direitos aos seus empregados.
Só os nossos governantes e alguns empresários oportunistas e pouco inteligentes é que ainda não viram que os trabalhadores estão cada vez mais desmotivados, e que a mola para o aumento da produtividade e consequente competitividade do país, está na motivação. Motivar a força laboral baseia-se fundamentalmente na melhoria das condições de trabalho, e nas melhorias salariais ligadas a objectivos de qualidade e quantidade. Não é pela mão-de-obra barata que ganhamos produtividade, até porque nos factores de produção isso tem pouco peso, há outros factores que pesam mais nos custos e qualquer economista, ainda que principiante, o sabe.

Pagode chinês Foto@EPA/Tiago Petinga
Na sua viagem oficial de cinco dias à China, José Sócrates faz notícia por fazer jogging num parque público, em Pequim. O pagode, ao fundo, marca o momento histórico desta visita ensombrada pela ausência do presidente chinês que se encontra em actos oficiais em África. Ao fazer exercício, o primeiro-ministro dá o exemplo aos portugueses, pois assim não precisam de apertar tanto o cinto.

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José Sócrates classificou hoje como «absurdas» e «injustificadas» ascriticas feitas pela oposição e sindicatos ao ministro da Economia a propósito de Portugal praticar salários mais baixos do que a média europeia. Segundo o primeiro-ministro, «tratou-se de uma polémica absurda e injustificável» frisando que o seu ministro da Economia apresentou «cinco boas razões» para a atracção de investimento estrangeiro.



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Economia 2007-02-02 13:54
Vieira da Silva assegura que o Governo aposta na qualificação e em melhores salários
O ministro do Trabalho e da Solidariedade Social disse hoje que o Governo aposta na qualificação dos trabalhadores para aumentar a produtividade e permitir salários mais elevados, escusando-se a comentar as declarações do ministro da Economia na China.

Tiago Silva com Lusa


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SEM O PESCOÇO ENTERRADO ...




Avestruzes do centro de criação de Kozishche, Bielorrúsia. Cerca de 700 espécimes deste patusco animal são criados nesta quinta bielorrusa, a 260 km de Minsk. ©AP

quinta-feira, fevereiro 01, 2007

A OPINIÃO DOS COMENTADORES

Hoje na TSF ouvi um ouvinte criticar alguns jornalistas/comentadores afirmando que seriam os melhores defensores e porta-vozes do governo, o que foi considerado um insulto aos jornalistas em questão e lhe valeu um corte da palavra. Para mim, que ouço regularmente a TSF, não me pareceu que a opinião do ouvinte tivesse sido particularmente ofensiva e a reacção, penso que foi excessiva.
Não há opiniões absolutamente isentas, por muito que os jornalistas queiram que sejam assim consideradas só porque da autoria de jornalistas. Todos, jornalistas incluídos, temos opiniões próprias baseadas no que julgamos ter aprendido e de acordo com o julgamento que fazemos de factos, mas isso não é algo bacteriologicamente puro e totalmente isento. O ambiente influencia isso é inegável.
Quanto ao facto em concreto, que repito não considerei insulto aos visados, da utilização infeliz da mão-de-obra barata como factor de competitividade de Portugal, pelo ministro Manuel Pinho, também achei estranho que os ditos jornalistas pouco ou nada tenham dito, apesar de toda a indignação das oposições e dos sindicatos, e da incomodidade do próprio PS. É certo que ele não mentiu, mas a imagem projectada para o exterior foi má e inconveniente.
São livres os senhores comentadores de concordar com o senhor ministro e até de acharem que as afirmações foram benéficas para os objectivos que se pretendem obter na China, mas a opinião contrária também é legítima e pelos vistos maioritária.
Não havia necessidade de cortar a opinião do ouvinte. Eu continuarei a ouvir a TSF e a ler o DN embora também tenha uma opinião idêntica à que ouvi por parte do ouvinte censurado. DEMOCRACIA.
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MÚSICO



FOTOS




quarta-feira, janeiro 31, 2007

O SERVIÇO PÚBLICO DA EDP

Num serviço público verifiquei a dificuldade dos funcionários em aceder a dados nos seus computadores devido a uma falta de corrente eléctrica noutra zona onde estava o servidor com a aplicação que queriam consultar. Telefonema para cá, telefonema para lá e o caso parecia insolúvel. Um dos funcionários tentava desesperadamente fazer funcionar uma máquina, intento que se realizou cerca de dez minutos depois. Pelos vistos alguns procedimentos ficavam acessíveis, pois o atendimento começou a processar-se com alguma normalidade.
De volta para o meu serviço a cerca de um quilómetro dali deparei-me com uma arreliadora falta de electricidade. Tento entrar em contacto com a EDP e fiz mais de vinte tentativas telefónicas, através do telemóvel e só me surgia a arreliadora gravação “de momento não podemos estabelecer a sua ligação”. Cerca de duas horas depois lá veio a energia eléctrica, mas para meu espanto as UPS não paravam de tocar e até as luzes de emergência se acendiam sem que a luz faltasse.
Desisti, estava na hora de almoço, e fui alimentar o corpinho. Uma hora passada e de volta ao escritório tento ligar o computador. Consegui trabalhar cerca de dez minutos e eis que as UPS voltam a tocar e, mais dois minutos o computador desliga-se.
A paciência tem limites, e eu volto ao telefone para ligar para a EDP. Nada, a mesma gravação e mais de uma dezena de tentativas iguais. Desço a escada furioso e dirijo-me a um vizinho electricista e conto-lhe a minha desgraça, sendo que ele delicadamente me elucida que a corrente tinha sido restabelecida mas, há sempre um mas, havia uma flutuação de carga na rede que causava o distúrbio que eu estava a verificar. Nada a fazer, disse-me, senão tentar comunicar o facto à EDP, ou esperar pacientemente que alguém desse pela anomalia e a corrigisse. Entretanto, para proteger os meus computadores fui aconselhado a mantê-los desligados enquanto as UPS mantivessem o seu comportamento anormal, eram 16 horas e 30 minutos e a tarde estava irremediavelmente perdida.
A falta de energia foi às 9 e pouco da manhã e eu perdi mais de meio dia de trabalho e a EDP, a quem eu pago o fornecimento eléctrico nem sequer me atendeu o telefone. Só espero que nenhum equipamento fique danificado, senão temos o caldo entornado.
Que saudades do tempo em que a EDP era inteiramente pública e o piquete de urgência atendia os telefones.

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POUPANÇAS EM GRANDE
Enquanto pregam a necessidade de poupanças, atacam os salários, aumentam os medicamentos, taxam os actos médicos e aumentam os impostos, os nossos políticos gastam que se fartam.
Segundo CM 10 deputados do nosso Parlamento gastaram 291 mil euros em viagens. Não é apenas o transporte mas também o alojamento.
Não será muito, dirão alguns, mas verifica-se um aumento de 35% em relação ao ano anterior. Afinal estamos em contenção de despesas, ou isso só se aplica a alguns portugueses? Já agora, 2007 começou em grande com umas viagens ao Oriente, veremos se os negócios cobrem os gastos.
Estamos em poupança, malta.




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Slavomir and Richard Svitalsky - Czech Republic


Anatoliy Lerner - Germany

terça-feira, janeiro 30, 2007

AVALIAÇÃO DO DESEMPENHO

Tem sido corrente falar-se da vantagens da avaliação do desempenho na função pública como factor que poderia estimular os trabalhadores a fazerem mais, ou pelo menos melhor. Pessoalmente nunca acreditei que isso viesse a ser implementado com justiça e muito menos acredito que os melhores venham a ser premiados.
Já manifestei a minha opinião perante alguns amigos do sector privado e, verifiquei que embora ainda hajam uns quantos idealistas, grande parte dos que já têm anos de tarimba também eram cépticos, concordando comigo no facto de os chefes colherem sempre os louros todos e os deméritos recaírem sempre nos subordinados.
Vem isto a propósito do que me contaram uns funcionários dum serviço público, que ao serem chamados para preencher a autoavaliação, foram individualmente informados que, devido às cotas impostas para as classificações, nenhum iria receber a avaliação de Muito Bom porque esta já estava destinada a uma pessoa que todos apelidam de lambe-botas do chefe e tem um cargo de técnico superior. Explicando melhor, nos diversos grupos profissionais de base daquele serviço ninguém preenche as qualidades necessárias para o Excelente ou até para o Muito Bom, na óptica da direcção, classificações estas que pelos vistos estavam reservadas para o pessoal superior, e mesmo neste caso apenas para uma, ou na melhor das hipóteses duas pessoas.
Está-se mesmo a ver que o serviço só é bem feito por quem receberá o Excelente ou o Muito Bom, que por acaso até nem atende o público e quase nem sai do gabinete, e todo o restante pessoal “anda a roçar o cu pelas paredes” como vulgarmente se diz.
Pois bem, conheço o serviço e alguns dos funcionários, porque já lá trabalhei, e por acaso conheço o tal elemento Excelente que saiu de onde estava sem por lá ter deixado saudades não só pela inépcia, mas também pelo pouco empenho, por isso estou muito inclinado para a hipótese do favorecimento por qualquer tipo de amizade ou influência.
Os meus receios afinal podem vir a confirmar-se, mas o que considero mais grave, é que nestes casos a produtividade baixa, a motivação não existe e o profissionalismo esmorece, pois os dados estão viciados à partida, e a hipótese de recurso é caricata pois terá de ser feita ao notador, o mesmo que já tinha dado a classificação.Assim, não vamos lá, de certeza.
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Álvaro Portugal



segunda-feira, janeiro 29, 2007

SEMPRE OS POLÍTICOS

Quando, com alguma relutância, me referi ao referendo ao aborto e à minha discordância com o envolvimento excessivo de forças partidárias, não me referia à direita ou à esquerda em particular. Apesar disso já tive de apagar alguns comentários cujo conteúdo era obsceno. “Ossos do ofício”.
A minha posição pelo SIM é tão respeitável como qualquer outra, e o facto de ter afirmado que o Parlamento podia e devia ter legislado despenalizando as mulheres que, por motivos de ordem pessoal, tivessem recorrido ao aborto, não me identifica forçosamente com nenhuma corrente política. A minha crítica a muitos políticos é sobre a posição hipócrita que agora demonstram, dizendo que são pelo NÃO mas que também não querem ver julgadas e expostas a humilhações as mulheres que recorrem ao aborto. Então porque não fizeram nada até agora? Estavam distraídos?
Os cidadãos podem neste referendo acabar com esta situação vergonhosa, votando SIM, sem por isso se considerarem defensores do aborto, pois caso contrário não há garantias que a classe política o venha alguma vez a fazer.
Seja qual for o resultado do referendo, cá estaremos para ajuizar das políticas activas a favor da natalidade e da família, que os políticos que agora dizem defender a vida, vão propor nos tempos mais próximos e o sentido do seu voto.

PS – A propaganda para a votação n’ “Os Grandes Portugueses” não deve ser feita neste espaço, como alguns por engano quiseram fazer.
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Este tubarão cobra fêmea foi localizada por um pescador, que contactou um Parque Marítimo no Japão. O animal foi transportado até uma piscina de água salgada, onde foi possível filmá-lo. ©Reuters

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Daniel Loewy – Argentina
Bandeira
DN 27 de Janeiro de 2007

sábado, janeiro 27, 2007

SOBRE O PESSIMISMO

Ao ler um artigo de Nicolau Santos (Expresso, 27/01/07) com o título “podem os bons líderes ser pessimistas”, fiquei completamente baralhado, pois referia-se expressamente aos empresários, gestores e dirigentes sindicais e patronais ao colocar a questão, a que respondia com um rotundo não.
O pessimismo e o optimismo são reacções naturais que todos temos perante as situações que nos são colocadas. Partindo deste pressuposto lógico, o discurso a cada momento reflecte a situação que se vive e as expectativas para um futuro a curto ou médio prazo, porque os nossos tempos já não permitem previsões económicas a longo prazo.
Numa sociedade justa era expectável que os líderes fossem todos optimistas, quer os que se situam no campo do capital quer os que lideram no campo laboral, todos tinham garantias de ganhar algo, havia essa garantia. Descendo à realidade, temos uma sociedade liberal mas pouco justa, onde a relação de forças está muito desequilibrada onde há quem ganhe e que esteja a perde visivelmente – o trabalho.
O pessimismo não é nem pode ser considerado miserabilista, como o classifica Nicolau Santos, mas resulta normalmente da constatação da situação. Os trabalhadores em geral vêm o exemplo do Estado, que fala na redução de custos à custa de despedimentos, agora já é bem claro, como se não houvessem outras soluções como a melhoria dos serviços e o colmatar de faltas gritantes de meios humanos (para não mencionar os materiais) em muitos sectores da sua responsabilidade, nomeadamente na assistência social, apoio à infância e à terceira idade e cultura, para mencionar apenas alguns exemplos.
Mesmo ao lado deste artigo, e julgo que também da autoria de Nicolau Santos, menciona-se o primeiro discurso oficial do novo director-geral da VW em que a tónica foi a necessidade de baixar os salários na Autoeuropa, que atribui à ignorância profunda de Reimers, e que considera como um mau começo que pode vir a originar turbulência naquela empresa. Não sejamos ingénuos, ninguém acredita que o novo director da Autoeuropa desconheça o passado da empresa. O que este senhor quer, é aproveitar este momento estratégico em que a correlação de forças está claramente desfavorável para os trabalhadores, copiando o discurso do próprio Estado, é reduzir ainda mais os custos laborais da empresa que vem gerir. Afinal não é ignorância, é mimetismo, e deste fenómeno estamos todos a ficar fartos. Somos portanto pessimistas!
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A REFRESCAR AS IDEIAS

EXPERIÊNCIAS E PRÁTICAS EDUCATIVAS

Desde os remotos tempos de Veiga Simão, temos vindo a assistir a sucessivas reformas do ensino sem nunca se ter encontrado uma versão correcta, já que as experiências continuam. Não estou a falar em modernização ou em melhoramentos pontuais, sempre possíveis e desejáveis, mas sim em alterações curriculares profundas.
Não sou professor, mas vou acompanhando os estudos dos meus filhos e agora dos meus netos e por vezes fico estupefacto. Os resultados por eles obtidos (notas) até nem foram ou são muito maus, mas a sua cultura geral, mesmo com os hábitos de leitura que a família sempre teve, são francamente maus.
Para complicar tudo isto surgem os erros, que até podiam ser desculpáveis não fora a teimosia, como a infeliz TLEBS ou o inquérito sobre a vida sexual dos pais das crianças e jovens. A dita TLEBS com a participação “de milhares de professores” (?), poucos se acusaram, que não é uma nova gramática, tem erros mas que só foram detectados depois do início do ano lectivo, vai ser suspensa mas só lá mais para a frente. O inquérito, também ele elaborado por especialistas e sancionado por quem de direito, que é um disparate maior do que as asneiras de que fala José Sócrates.
Os nossos jovens não podem continuar a ser cobaias duns quantos iluminados que pelos vistos não atinam. Gastem o dinheiro que desperdiçam nestas experiências falhadas em ginásios decentes e em laboratórios, que tanta falta fazem e mandem esses grupos de trabalho fazer algo de útil, como por exemplo dar aulas.


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O boca do inferno, ou o abominável homem das neves?



http://pitecos.blogs.sapo.pt/


CUIDADOS EM INFORMÁTICA

sexta-feira, janeiro 26, 2007

A PARTICIPAÇÃO

Depois da revolução em 1974 os portugueses tiveram consciência de que podiam participar na política do país e que a sua voz se podia fazer ouvir, na contestação ou no apoio daquilo e daqueles em que se reviam. A democracia seguiu o seu processo de consolidação, os partidos políticos organizaram-se e o povo confiou-lhes a tarefa de os representar nas instituições democráticas, legitimados pelo voto livre.
Trinta anos passados, temos máquinas partidárias fortes, sedentas de poder e hegemónicas, quantas vezes divorciadas da realidade dos cidadãos comuns e mais interessadas na conquista e manutenção do poder.
As diferenças ideológicas são quase imperceptíveis, o contacto com as populações está restrito às campanhas eleitorais (caça ao voto) e a participação cívica não é estimulada fora das estruturas dos próprios partidos.
Há sempre quem reme contra a maré foram surgindo movimentos cívicos, grupos peticionários com objectivos concretos que agregam vontades e assinaturas para suscitar discussões parlamentares e, os muitos que colocam na Rede as suas opiniões, sejam elas críticas ou apoios à acção política. O poder e a força dos partidos também aqui se manifestam, infiltrando todos estes grupos fazendo com que muitos cidadãos desconfiem, por vezes, da independência deste grupos ou pessoas individuais.
Continuo a acreditar na participação cívica independente, tome a forma que tomar (blogues, sítios ou petições), mas confesso que estou atento e vou acompanhando a evolução dos projectos, porque detesto ser utilizado pelos interesses instituídos.
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Um cão com os olhos vendados, atravessa um obstáculo num campo de treino para animais do Ministério da Defesa Bielorusso. Depois de cumprirem os treinos, os animais ficam aptos para uma série de operações militares, como procura de explosivos, minas e drogas.
© Reuters

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Resposta a um dos últimos posts



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www.ecocoisasetc.blogspot.com/

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VISITE OS MUSEUS

Museu Nacional de Arqueologia
Maior exposição portuguesa de vasos gregos em Lisboa
A primeira grande exposição de cerâmica grega em Portugal é inaugurada hoje no Museu Nacional de Arqueologia (MNA), em Lisboa. Os visitantes poderão observar cerca de uma centena de vasos gregos e fragmentos com mais de dois mil anos.
Sol, 25 de Jan. 2007
Abertura ao público: entre 26 de Janeiro e 15 de Julho de 2007

IMAGEM CHOQUE

quinta-feira, janeiro 25, 2007

DESAFIO AOS ECONOMISTAS

A produtividade tem sido o cavalo de batalha de economistas, gestores, políticos e empresários deste país, que não hesitam em brandir os índices para justificar parcos aumentos, muitas vezes abaixo da real inflação prevista. Pouco se fala da economia paralela, pouco se diz sobre a fuga aos impostos, o que se proclama é a baixa produtividade dos portugueses. No estrangeiro os portugueses têm boa produtividade, em Portugal não, mas as razões não interessam. Será devida à organização do trabalho, será devida à modernização dos factores de produção? Que interessa, o que conta é que a produtividade apurada, por formas de cálculo racionais e standard, é baixa.
Para baralhar os gestores e empresários que se baseiam em conceitos meramente teóricos, ficámos todos a saber que os nossos vizinhos espanhóis estão na cauda da produtividade do trabalho.
Bolas, a Espanha cresce mais do que a média Europeia, Portugal claramente abaixo dessa média, em Espanha os salários são sensivelmente o dobro dos praticados em Portugal (exceptuando os dos políticos e altos quadros), o défice é semelhante tirando as diferenças de população e de tamanho, os preços dos bens essenciais são inferiores aos praticados no rectângulo, os horários de trabalho são em média de 38 horas semanais como os portugueses, a segurança social está de boa saúde ao inverso do que aqui se passa, o endividamento das famílias é inferior em Espanha, no país vizinho temos Bancos que estão entre os dez maiores da Europa, também o mesmo entre as Seguradoras, ainda o mesmo entre as empresas de construção civil e operadoras turísticas. Em que é que nos podemos comparar com os nossos vizinhos?
A questão pertinente a colocar aos políticos, empresários, economistas e gestores é muito simples, será que a produtividade (medida como tem sido) é uma vaca sagrada, ou haverá algo mais, como o consumo interno, que os senhores têm desprezado, que tem sido a alavanca potenciadora para o crescimento da economia espanhola?
Dimensão, escala, são desculpas que não se aceitam, e os economistas entendem porquê, aos outros indicamos o estudo da economia luxemburguesa, onde a mão-de-obra é maioritariamente portuguesa.

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Vatnajökull Glacier, Iceland, 1997
Photograph by Steve Winter
A traditional Icelandic sod house built into a hillside faces the wide expanse of Vatnajökull glacier. Vatnajökull was the site of a volcanic eruption in November 1996 that melted billions of a gallons of glacial ice and triggered a cataclysmic flood that lasted two days. No one was injured in the flood, but it destroyed a bridge and littered a floodplain with huge blocks of ice, some weighing more than 1,000 tons (1,016 metric tons). (Text adapted from and photograph shot on assignment for, but not published in, "Iceland’s Trial by Fire,” May 1997, National Geographic magazine)



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ATRIBUIR UMA DISTINÇÃO



António Mexia, presidente da EDP, prepara um “emagrecimento” do número de funcionários, 1100 segundo consta, e espera financiar as rescisões de 600 funcionários com o aumento do preço da energia, esperando para tal a aprovação da entidade reguladora. Ficamos todos a saber que o senhor pretende que todos os consumidores sejam solidários com os funcionários que ele pretende despedir, pagando-lhes nós não só os subsídios de desemprego e as reformas mas também as rescisões.
Senhor António Mexia, seja solidário, mas para os seus subordinados e preferencialmente com o seu dinheiro…


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O fim da floresta Virgem

quarta-feira, janeiro 24, 2007

ADMIRAR A COERÊNCIA E A HONESTIDADE

Ao ler o editorial de ontem do DN, da autoria de João Morgado Fernandes, achei interessante a questão por ele colocada no título “E Soares?”. Porque não terá ficado Mário Soares entre os 10 primeiros do programa Grandes Portugueses, onde figuram, entre outros Salazar e Cunhal?
Podíamos começar pelo facto de ambos já terem morrido e portanto terem passado à categoria de mitos, seja por boas ou más razões consoante as diferentes opiniões. Acho que é uma explicação possível, mas não suficiente perante outros possíveis candidatos à escolha.
Escolheram-se diversos personagens da História, da Cultura e do espectáculo, pelo que era inevitável também a escolha de políticos, mas mesmo assim Soares recolheu menos votos que Salazar e Cunhal.
Pegando apenas nestes três políticos e excluindo o facto de apenas um estar vivo, então o que é que os diferencia entre si, para justificar as preferências? Não pesou o facto de se situarem à esquerda ou direita do espectro partidário, porque é clara a opção das últimas eleições pelo chamado centrão (PS/PSD).
Tudo ponderado, resta-nos a coerência de atitudes, tanto Salazar como Cunhal sempre mantiveram o mesmo tipo de discurso durante o tempo em que tiveram o seu espaço de influência e a honestidade que pautou o seu estilo de vida, austero e de acordo com os princípios que sempre defenderam.
Dois estilos antagónicos, dois inimigos declarados, duas visões opostas no que respeita à política nacional mas sempre coerentes com as suas ideias e honestos quanto aos bens materiais que nunca ofuscaram a sua acção. O carácter despojado de cada um, aliado à firmeza das suas ideias justificam a escolha dos portugueses?
Penso que sim. Nós portugueses, temos a tendência de desculpar os erros dos protagonistas históricos, tendendo a valorizar mais a constância, a honestidade e os princípios que pautaram a vida dos que de algum modo marcaram a nossa História passada e não muito recente.
Talvez seja uma conclusão politicamente incorrecta, para quem conhece profundamente a acção política deste dois Homens, com H grande, até porque não me identifico com nenhum deles no campo das ideias, mas é a explicação mais provável (na minha modesta opinião), para Mário Soares ter sido preterido na escolha popular, pois o seu percurso (embora) notável teve oscilações ideológicas (meteu o socialismo na gaveta), e nunca terá sido um exemplo de frugalidade como os seus dois adversários, que embora derrotados na vida política, se impuseram perante o português comum.Será uma opinião politicamente incorrecta, mas é a minha!
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Parada militar na Índia Foto@EPA/STR

Soldados indianos treinam o desfile para as celebrações do Dia da República, em Nova Deli. A 26 de Janeiro, a Índia comemora a adopção da constituição em 1950, com festejos que incluem marchas militares e eventos culturais por todo o país