sexta-feira, março 16, 2007

ACÇÃO E PROPAGANDA

Alguns amigos meus tentam convencer-me que, apesar de eu ter razão em muitas das minhas críticas, os políticos não são tão maus quanto eu os pinto, são apenas engolidos por um sistema que é mais poderoso que eles. Não posso concordar com estes amigos, pois apesar do respeito que tenho pela política desconfio sempre de políticos que prometem uma coisa e depois arranjando uma qualquer desculpa fazem outra completamente diferente.
Não vou falar das promessas eleitorais de não aumentar impostos, com que defraudaram o eleitorado mas apenas de dois casos que ontem pude consultar nos sítios oficiais e que reflectem um pouco, o que é a propaganda e os anúncios, e o que é a realidade neste preciso momento.
Começo pela Bolsa do Emprego Público (BEP) que consultei a propósito da falta de vigilantes nos Museus, Palácios e Monumentos dependentes do Ministério da Cultura. Este projecto que pretende simplificar e dar maior transparência aos processos de recrutamento e reafectação dos recursos humanos da administração pública, tinha ontem (15/3) 32 ofertas e curiosamente, nenhuma era referente a vigilantes-recepcionistas, os tais que faltam nos nossos museus e monumentos.
Em segundo lugar quero referir o Sistema de Reconhecimento Validação e Certificação de Competências (RVCC), recentemente mencionado por Cavaco Silva e José Sócrates, que devia já estar em funcionamento, desde Janeiro, em 50 centros em todo o país. Pois é, consultem o sítio das Novas Oportunidades, e tentem saber onde podem obter e/ou frequentar, na zona de Lisboa que foi a que obviamente escolhi, um centro de validação para adultos que os possa habilitar ao 12º ano de escolaridade. Não encontrei nenhum, apesar das palavras do senhor José Sócrates e das intenções por ele manifestadas nas televisões.A propaganda não resolve problema nenhum e os anúncios repetidos da mesma coisa desvalorizam as medidas que possam vir a ser adoptadas. Eu enquanto cidadão e contribuinte exijo dos políticos a verdade e a acção, quando as palavras não são acompanhadas da acção merecem-me sempre a crítica que acho justa na ocasião.

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FOTOS



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DESENHO

Duas bombas

quinta-feira, março 15, 2007

MUITAS MENSAGENS

Nas últimas horas tenho recebido inúmeras mensagens de amigos a desejar-me as melhoras, o que me tem entretido bastante. Junto com algumas delas vêm uns anexos interessantes (fotos, cartoon’s e anedotas) bem como algumas informações sobre o caso da falta de pessoal nos museus, palácios e monumentos.
Embora os jornais, rádios e televisões tenham vindo informar que a falta de vigilantes estava em vias de ficar solucionada, não se deve passar o mesmo nos serviços dependentes do IPPAR. A situação, pelo que me descreveram três mails bastante extensos, parece que tem tudo a ver com a nova lei orgânica do IPPAR.
A nova lei orgânica (a que circula pela rede) prevê que a maioria dos serviços agora dependentes do IPPAR vão passar para a tutela do IPM, ficando de fora apenas os monumentos classificados como Património Mundial e o Palácio Nacional da Pena que deverá passar a ser explorado pelos Parque de Sintra – Monte da Lua. Em consequência deste facto, e também por alguma inacção, a direcção deste instituto começou a não se empenhar devidamente com serviços que vão sair da sua alçada, e alguns directores, atendendo à sua situação, terão preferido não fazer muitas ondas o que os deixaria em situação desfavorável (pensam eles).
A actuação do IPPAR e dos seus dirigentes, contrasta com a do IPM e dos seus dirigentes que sem receios (e com elevado profissionalismo) denunciaram a situação de carência de vigilantes, que de outro modo não teria solução com a brevidade necessária.
Se tudo correr com a celeridade anunciada os museus podem ter soluções para o problema de falta de pessoal e se o Ministério da Cultura não tomar a iniciativa, creio que a situação se vai agravar já na Páscoa em alguns palácios e até em monumentos, nomeadamente naqueles que recebem verdadeiras enchentes nesta quadra.
Veremos se o problema da falta de vigilantes não vai ser mais negativo do que as greves que esta classe de trabalhadores tem feito nesta ocasião também para alertar para o problema que agora teve projecção, negativa é claro.

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Igor Permamedov

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POBRE BLOGOSFERA
Como a blogosfera tem sido muito crítica da classe política e do governo, vamos começar a ver anúncios de blogues de ministros e, quem sabe, procuradores, secretários de Estado e acessores. Isto é que vai ser uma farturinha.
Devem ter dito a tais senhores que é muito “in” ter um blogue nem que para isso se tenha de contratar um jornalista e um jurista, para lançar para a já poluída blogosfera uns tantos palpites e anúncios de medidas a realizar daqui a algumas décadas.
Já não nos bastava o Pacheco Pereira e uns quantos analistas perfeitamente enquadráveis partidariamente, agora vão ser os membros do governo.
Para além da propaganda e dos comunicados estou curioso quanto ao conteúdo substancial e à participação dos leitores. Será que todos podemos participar, ou não?
Eu penso continuar por cá, se a saúde e a patroa mo permitirem.


Andrey Kurdyukov

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OUTRO MANGUITO CULTURAL
Fiquei hoje a saber que mais de trinta funcionários do IPPAR, concursados há cerca de três anos e devidamente classificados, aguardam a subida de categoria desde então. Parece que alguns conseguiram ser recebidos recentemente por um responsável deste instituto e foi-lhes explicado que por dificuldades orçamentais, dívidas e outros encargos, não há dinheiro no orçamento para efectivar as suas promoções (por concurso). Senhora ministra da Cultura, a senhora não se envergonha com este tipo de argumentação num serviço por si tutelado? Será que não é possível libertar uns tostões para ao fim de três anos de injustiça, fazer o que já há muito devia ter sido feito?

quarta-feira, março 14, 2007

O DESCANSO

Isto de estar doente é uma seca, muito trabalhosa por sinal. Uma consulta no médico de família, que por acaso não tenho, fez-me perder uma manhã completa para os seis minutos que durou a dita. Foram 4h e35m para isto e uma receita para aviar na farmácia, que me levou mais 76 euros.
De volta a casa, toca a engolir qualquer coisa e descansar pois fiquei estafado.
Pela tardinha lá consegui ler o meu jornal, a mesma treta do costume, mas também já vai sendo um hábito.
Guardei uns minutos para passar em revista alguns blogues meus favoritos, tentei alinhavar algo de interessante mas fiquei-me pela descrição deste dia, que quase me faz desejar voltar ao trabalho amanhã embora o médico me tenha aconselhado uma semana de descanso.
Hoje, porque não tenho inspiração nenhuma deixo uns bonecos que me chamaram a atenção enquanto navegava por aí.

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OS MODELOS ESCOLHIDOS

terça-feira, março 13, 2007

AINDA ESTOU DE MOLHO

Uma gripe arreliadora e a asma que me acompanha há longos anos, atirou-me para a cama, impedindo-me de escrever o meu post diário no começo da semana. Enfim, nada de muito grave e que não passe com um caldo de galinha e um repouso forçado.
Fui colocar a minha informação em dia e parei no sítio do Público onde li uns comentários interessantes, sobre a notícia do fecho parcial dos museus. Afinal há quem repudie esta situação, embaraçosa para a senhora ministra Isabel Pires de Lima.
Houve quem dissesse que “Isto é uma vergonha”, “Há anos que assistimos à constante falta de pessoal”, “Esta notícia é sintomática”, “O Estado só se interessa com números”, “Que situação vergonhosa!”, e outras mais.
Ainda bem que há quem se indigne com situações vergonhosas como esta, o que tenho mais dificuldade em acreditar é que esta ministra tenha peso ou influência para resolver o assunto com a brevidade necessária. Se isto não chegar aos ouvidos de José Sócrates ou não for publicado em jornais estrangeiros, penso que vamos ter mais alguns capítulos desta triste história.
Vou tentar voltar amanhã, se a patroa deixar, o que não vai ser fácil.
PS - Hoje recebi um link interessante, acompanhado pelo título: Best Place to Work
Porque vale a pena, ligue-se a http://www.youtube.com/watch?v=zHu3hXSl7M4
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FOTOS

3dmb - http://www.photosight.ru

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CARTOON

Carências

domingo, março 11, 2007

PATRIMÓNIO - O TOQUE A FINADOS

O domingo é um dia em que a maioria dos portugueses dão um passeio com a sua família, vão ver o mar ou vão ver umas montras ao centro comercial da sua preferência. Digo a maioria, porque há quem trabalhe neste dia e, entre eles, recordo os vigilantes dos museus e monumentos nacionais, espécie em vias de extinção, devido à distracção da Ministra da Cultura e às medidas restritivas impostas pelos vários ministros das Finanças.Em breve talvez não seja possível visitar o nosso Património por não haver quem abra as portas e garanta a segurança, mas que importa, a imagem que os estrangeiros têm do país já é a dum país atrasado...


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FOTOS - VIAGENS



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CARTOON

Cláudio Jorge - Brasil

As novas regras anti-pecado da igreja, como não ver televisão e não navegar na internet, gerou a polémica entre os cristãos. A própria igreja dividiu-se em diferentes opiniões.

Carlos Sêco - Portugal

sábado, março 10, 2007

RAPIDINHAS

Atentados – O ataque contínuo ao funcionalismo público, por parte de membros do governo como o ministro das Finanças, começa a parecer uma acção premeditada para denegrir o seu trabalho e um verdadeiro atentado ao bom-nome, a que todos os cidadãos têm direito. Os problemas do país não se resumem na generalização de que os funcionários públicos são menos produtivos que qualquer outro cidadão português, e o mau desempenho da economia não é de certeza consequência do mau desempenho deles. A pirâmide das culpas é uma impossibilidade física, o vértice está em baixo e a base no topo. A Física não faz parte da cultura geral de quem se dedica a maltratar os pequenos fechando os olhos à incompetência dos que o rodeiam.

Poupanças que são desperdício – Teixeira dos Santos diz que há funcionários a mais, cria o quadro de supranumerários e congela as admissões nos outros ministérios clamando por poupanças. Pinho alarga os cordões à bolsa e solta milhões para a promoção no exterior do turismo português para captar dinheiros que são essenciais para a economia nacional. Isabel Pires de Lima, remetida à sua insignificância dentro do governo, deixa que os museus e monumentos encerrem as portas por falta de pessoal de vigilância, não se atrevendo a enfrentar Teixeira dos Santos e acaba por dinamitar a promoção externa de muitos milhões de Manuel Pinho.
Uma equipa destas não necessita de adversários para se afundar, delapidando o dinheiro dos nossos impostos.

Avaliação do desempenho – Estando o governo de José Sócrates tão empenhado na avaliação do desempenho dos funcionários públicos e em premiar o mérito, porque é que não nos diz como podem os funcionários avaliados, avaliar os seus avaliadores? É que todos ficámos a saber que, mesmo com cursos do INA, muitos serviços recorreram a entidades externas para fazerem essas avaliações e para definir os objectivos dos serviços e dos funcionários. Isso não lhe diz nada sobre a competência (ou falta dela) dos dirigentes nomeados?

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Winfried Besslich (Bess) - Germany


Ups

sexta-feira, março 09, 2007

A IRRACIONALIDADE DA CENTRALIZAÇÃO

Enquanto vemos Teixeira dos Santos arvorar-se como supremo gestor de pessoal de toda a função pública, desdobrando-se em propostas inqualificáveis e em cortes sistemáticos em efectivos e em direitos, os problemas dos serviços agravam-se, a motivação esvanece-se e a revolta alastra. O gestor supremo, indiferente ao caos que vai gerando, vai continuando a sua saga destruidora enquanto tudo se desmorona à sua volta, convencido que umas quantas declarações demagógicas lhe podem permitir mais uns quantos erros.
De corte em corte, com o poder centralizado na sua pessoa, o ministro não vê nem ninguém lhe diz que há serviços que já não conseguem manter-se abertos nos horários previstos, e que já a partir do final do mês de Março entrarão em situação de ruptura completa. Estou a referir-me concretamente aos Museus, Palácios e Monumentos dependentes do Ministério da Cultura.
Sedentos de protagonismo e com demagogia a rodos, os membros deste governo atiram para o lixo muitos milhões na promoção da imagem de Portugal no exterior, e ao mesmo tempo forçam o fecho das portas dos Museus, Palácios e Monumentos por falta de pessoal de vigilância. Investimentos faraónicos em promoção e falta de dinheiro para contratação de pessoal duma das carreiras mais baixas do Ministério da Cultura.
Um dos perigos da centralização do poder é a irracionalidade das medidas que se tomam nestas circunstâncias. Houve uma ministra que o reconheceu, afirmando que tinha sido forçada a tomar uma “medida estúpida”, o congelamento das admissões. Esta medida estúpida, é tanto mais estúpida, quando significa a possível perda de muitos milhões de euros com o intuito de poupar uns trocados.

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Link

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HOJE CITO "O JUMENTO"
Não costumo fazer citações de outros blogues, embora os leia assiduamente e tenha a minha opinião, mas há coisas que por vezes lemos e que gostaríamos de ter sido nós a escreve-las, como é o caso. O título era: Violência nas escolas: o que mudou em 40 anos?
…Basta olhar para as notícias e percebemos, alguém vê o ministro das Finanças preocupado com os modelos de gestão dos serviços públicos? Alguém viu a ministra da Educação perguntar aos professores o que precisam para melhorar a qualidade no ensino? Não, desde há meses que a culpa de todos os males do país é dos funcionários públicos, a regras para despedir quem não cumpre dão mais votos do que a nomeação de chefias competentes.
Os mesmos portugueses que nunca se lembrariam de gritar numa loja da Vodafone, até porque cada loja conta com o segurança, acha que por pagar (os que pagam) impostos pode desancar no primeiro funcionário público, seja médico, professor ou mesmo polícia, nem os magistrados se escapam. E sabem que se o funcionário reagir pede logo o livro amarelo e parte descansado, a vingança fica completa com um processo disciplinar, e nos tempos que correm é melhor para o funcionário “abaixar a bola” do que reagir, ninguém o vai proteger. Aos políticos o que dá votos e a demissão de funcionários públicos.
E se os pais não respeitam os funcionários públicos os filhos, que quantos mais mal-educados mais bem tratados são pois ganham o estatuto privilegiado de “crianças vulneráveis”. Se eu fosse fazer queixa de um professor à minha mãe teria que ter muita razão, se não a tivesse ainda levava para não repetir a brincadeira, agora a “criancinha vulnerável” queixa-se do professor aos pais e a família vai à escola meter o professor na linha.
Se ninguém neste país trata bem os funcionários públicos, começando pelos próprios políticos, porque hão-de ser as crianças a dar o exemplo tratando bem os professores? A relação entre o Estado e a sociedade está cada vez mais doente, esta não será a única causa mas a solução do problema da violência nos serviços públicos, sejam escolas ou hospitais, também passa por aqui.

In O Jumento
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CARTOON

O Rei não vai nu, vai a rigor.

quinta-feira, março 08, 2007

CONTRATOS HÍBRIDOS

Andou o governo a esconder atrás duma capa de secretismo o futuro contratual dos actuais funcionários públicos, para agora vir com uma solução de contratos híbridos. Isso mesmo, híbridos, o que significa exactamente o pior de dois mundos.
Os contratos vitalícios, esta é a terminologia do ministro, continuam nas áreas de soberania nacional. Desiludam-se os que julgavam que o Estado é soberano, pois fiquei agora a ter a certeza que só é soberano na representação externa, defesa, administração directa da justiça, informações de segurança, investigação criminal, segurança pública e inspecções.
Os outros funcionários a desempenhar funções que não são consideradas de soberania nacional (?), deixam de ter contratos vitalícios, apesar de terem sido contratados exactamente do mesmo modo que os outros, e passarão a estar sujeitos a um contrato híbrido. Por contrato híbrido entende-se, que mantêm as características do regime de nomeação definitiva “em matéria de cessação da vinculação, de mobilidade especial e de protecção social”, passando nas restantes matérias a ser abrangidos pelo regime do contrato de trabalho da administração pública (CTAP) – contrato individual adaptado à AP.
Esta embrulhada jurídica e contratual é absurda, inconstitucional, discriminatória e lesiva dos interesses dos funcionários públicos. Todo este processo de imposição de novas regras pode ser considerado um atentado à dignidade do trabalhadores com um único intuito – diminuir a capacidade reivindicativa dos funcionários públicos.
A qualidade dos serviços é algo que não está nas prioridades deste governo, ficou agora bem claro.

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PHOTOSHOP - A ARTE DA MANIPULAÇÃO




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CARTOON

quarta-feira, março 07, 2007

“FLEXIGURANÇA À PORTUGUESA”

Não admira ouvir da boca dum dirigente duma confederação patronal que este conceito lhe agrada particularmente. Os patrões portugueses falam de flexibilidade, mais ainda, mas acham que a segurança é algo que cabe ao Estado resolver.
“À portuguesa” os mesmos que vão lucrando com o trabalho precário, com isenções em impostos e em prestações sociais, querem ainda mais. Como podem querer mais, pergunta-se? É simples, aplicando o Simplex têm o despedimento na hora.
A alta taxa de desemprego aumenta a oferta e diminui os salários numa base de recrutamento substancialmente maior. Esta é regra do mercado e é isto que os patrões têm na mira. O Estado, todos nós portanto, tem que ter uma visão racional sobre o fenómeno desemprego, que é a visão social e o impacto nas contas públicas. O fundo de desemprego é pago pelos impostos, os rendimentos mínimos também, a formação profissional é maioritariamente paga pelo orçamento, o ensino, a saúde e as reformas também.
Aos patrões coloca-se a questão, quanto estão eles dispostos a pagar pela Segurança? Para esta pergunta nunca ouvi respostas dos representantes do patronato. Quem está disposto a pagar a formação e a abdicar das isenções fiscais derivadas da contratação de jovens e de desempregados de longa duração?
Um palavrão como “flexigurança”, não deixa de ser uma palavra composta por dois elementos, não adianta dizer que nos agrada, se não estivermos dispostos a aceitar os dois conceitos lá contidos. É tudo ou nada, bem à portuguesa.

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FOTOS - VIAGENS



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terça-feira, março 06, 2007

AS HORTAS CLANDESTINAS

A vida está cada vez mais cara nas grandes cidades, a pobreza começa a ser cada vez mais visível e deprimente, pelo que já há quem comece a olhar para além das causas e soluções assistenciais.
As hortas em terrenos devolutos, estatais ou particulares começam a ser considerados como oportunidades a encorajar a todos os que por estarem carenciados, queiram plantar alguns legumes para suprir deficiências alimentares próprias e dos vizinhos. Até já vale citar a FAO que aponta este caminho para países do terceiro mundo.
Enquanto se fala disto, agricultura clandestina em locais não autorizados, temos um governo interessado no verde dos campos de golfe, plantados em zonas protegidas, onde se sacrificam sobreiros e habitats de espécies protegidas, sob o manto da legalidade da classificação manhosa de PIN (Projecto de Interesse Nacional).
Os excluídos devem plantar e colher os vegetais necessários à sua subsistência, enquanto terrenos agrícolas e santuários da diversidade biológica, são sacrificados em prol de relva que nem sequer é aproveitada pelo gado ruminante.
A política agrícola nacional só estará bem entregue, quando um destes agricultores citadinos passar a consultor do Ministério da Agricultura.

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Viagens

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Os economistas

A revolta da natureza

segunda-feira, março 05, 2007

OS NÚMEROS DA POLÍTICA

Quem não se lembra da frase «As pessoas não são números» tanta vez repetida pelo PS quando estava na oposição e mesmo em campanha eleitoral. Soava bem ao ouvido e mostrava a preocupação social do partido que ainda tem o socialismo no nome.
As responsabilidades decorrentes do poder e as dificuldades da economia parecem ter feito mossas no lema e hoje os números são a arma de arremesso em debates e nas declarações dos membros do governo. A Saúde tem sido o caso mais paradigmático de utilização dos números, mas também da falta de significado do antigo slogan segundo o qual «As pessoas não são números». Correia de Campos usa e abusa de números para justificar encerramentos de urgências, maternidades e centros de saúde, como se a Saúde não fosse um direito igual para todos, mas só para as comunidades grandes onde os recursos podem ser inteiramente rentabilizados. Fala de distâncias e de prazos de tempo até à urgência mais próxima sem critério, sem se preocupar com o estado das estradas ou até com os engarrafamentos.
Encerrar e concentrar para poupar são as palavras de ordem. Depois, sem se comprometer com prazos porque, avisa desde logo, não tem dinheiro, virão as ambulâncias equipadas bem como os helicópeteros que resolverão o problema da distância. Use a memória senhor ministro, use a memória que os cidadãos ainda a têm.
O recuo que já foi obrigado a fazer, devia servir-lhe de lição para não decidir sem envolver as populações nos processos de mudança, num assunto tão sério como é a Saúde.
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QUADRO DE HONRA
Medalha e recorde

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Guiados pela Lua mentirosa



O peso da globalização

domingo, março 04, 2007

HÁBITO DE LER

Desde a minha juventude sempre gostei de passar os olhos pelos títulos dos jornais e de me entreter a ler as notícias que me interessavam. O mundo era diferente, a informação era difundida pelos jornais e pelas rádios e as notícias careciam de interpretação, porque nem tudo era noticiado devido à censura.
Hoje temos excesso de oferta, muito lixo informativo e muita propaganda de marcas, empresas e até do governo, disfarçada de notícia e de actualidade. É indispensável fazer uma triagem e procurar notícias e não comentários sobre as mesmas.
Continuo a comprar jornais em papel, a ouvir a rádio no automóvel e a ver telejornais na televisão, isto apesar de consultar notícias nos sítios das grandes agências informativas, aqui na Net. Os semanários têm a minha preferência porque em geral separam a notícia do comentário, acrescentando a isso entrevistas e reportagens com interesse.
Hoje estava interessado n’Os grandes portugueses e na polémica à volta desse programa, mas depressa me desviei do assunto e fui ler uma entrevista a António Barreto, e confesso que além de ter gostado, perdi a vontade de continuar a ler os jornais, pelo menos por hoje, para não baixar o padrão de qualidade da minha leitura diária.


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FOTOS


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O petróleo baixou?

sábado, março 03, 2007

PORQUE NÃO ME SURPREENDO?

Sabe-se que alguns serviços da administração central e local recorreram a consultoras privadas para definir os objectivos que devem nortear a avaliação do desempenho dos seus funcionários. Pode parecer caricato, já mereceu críticas dos sindicatos mas o secretário de estado João Figueiredo compreende esta necessidade.
Todos sabem que o INA tem cursos de formação para dirigentes, já ministrou dezenas deles, exactamente para dar directivas sobre a aplicação do SIADAP. Pelos vistos ou não é esclarecedora ou então não foi capaz de atender todas as solicitações.
É sintomático este recurso cada vez mais generalizado a serviços externos, para avaliação de processos e para as reestruturações de serviços. O que significa esta prática? Bem, para uns uma visão externa e independente, que também pode ser classificada como desconhecedora e não qualificada para resolver problemas que se regem por lógicas diferentes daquelas que são usadas no sector privado. Por outro lado, demonstram a incapacidade das chefias nomeadas pelo Estado em lidar e resolver os problemas internos, muitas vezes derivados da legislação e dos procedimentos impostos pelos próprios organismos.
Eu continuo a pensar que há em muitos casos incapacidade para traçar objectivos e logo para avaliar e, noutros casos o recurso a serviços externos serve para desresponsabilizar dirigentes que não querem assumir os julgamentos que lhes cabem. Em qualquer dos casos, são maus dirigentes, mesmo com a compreensão de João Figueiredo.

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FOTOS - ARTE ERÓTICA
Mosaico romano
Villa Romana del Casale


Erotic Hindu Spirituality

sexta-feira, março 02, 2007

SERÃO OS PORTUGUESES AVESSOS À MUDANÇA?

A crer nos peritos na matéria e na repetição dos seus comentários, somos avessos aos processos de mudança e excessivamente conservadores. Esta conclusão é discutível e as razões do comportamento em análise são escassas.
Quem tem carreiras longas e diversificadas, ou que já teve que imigrar e mudar de actividade, devido às contingências da vida, sabe perfeitamente que os portugueses se adaptam com facilidade a novos processos e com produtividade. Remos portanto facilidade de adaptação.
Então porque temos aversão às mudanças? As explicações que já ouvi incidem essencialmente sobre alguns pressupostos derivados da experiência colectiva:
- As mudanças em geral são para pior.
- Quem decide não percebe nada do assunto.
- Os trabalhadores e os utentes não foram dados nem achados para o assunto.
- O que fizeram foi só para mandar alguns para a rua e colocarem os amigos.
- Nada mudou no topo, as regras são as mesmas e cada vez há menos quem faça.
Estas foram as frases que por força de tanto ouvir, consegui reter dos testemunhos de algumas pessoas que ouvi, quando instados a comentar mudanças nos seus serviços.
Perante isto, pergunto-me se o conservadorismo de que tanto se fala, não se situa nas classes dirigentes que persistem em tentar reformar, sem a participação e sem o envolvimento de quem conhece bem os estrangulamentos dos próprios serviços, os trabalhadores.
A humildade não é apanágio das classes dirigentes, em Portugal. A estes cabe a responsabilidade da decisão mas nada, nem ninguém os obriga a terem a soberba de desprezar a participação e a opinião dos envolvidos no processo.

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BOAS FOTOS



quinta-feira, março 01, 2007

OS MAUS DIRIGENTES

Começa a ser patético observar alguns dirigentes de serviços públicos, que encontrando-se à beira de deixarem os seus lugares devido a reestruturações, estão a perder literalmente a cabeça. São poucos, mas são certamente os piores, que ocuparam os lugares mas nunca tiveram nenhum objectivo concretopara os serviços, antes encararam os lugares como trampolins para posições mais compensadoras.
Chegam-me notícias de dirigentes que se preparam para deixar os lugares deixando-os em situações aflitivas de falta de pessoal, sem terem programado as férias, com carências absolutas de meios materiais (vulgo consumíveis), etc.
Como se sabe também há por esta altura a avaliação do desempenho dos funcionários, o que acarreta ainda mais casos lamentáveis. Quem está de saída e sabe que deixa um verdadeiro caos para os sucessores, não pretende deixar a imagem de relapso, que por vezes lhes assenta como uma luva, vai daí, atiram-se contra os seus subordinados preparando-se para atirar sobre eles a suas próprias culpas, dando-lhes baixas classificações e apreciações muito negativas, justificando assim os insucessos.
Chefias destas não são tão raras como alguns pretendem. A sua incapacidade e cobardia viram-se contra aqueles que menos podem, e lá vão estes chefes incapazes pregar para outra freguesia sem aprender que saber liderar é ser capaz de, com o que há disponível fazer sempre o melhor.
Isto aprende-se na escola da vida, não em qualquer universidade.

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NATUREZA EM FOTOS

Sem carne?



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Igor Kondenko – Ukraine