terça-feira, setembro 18, 2018

POLÍTICAS AMIGAS DA NATALIDADE


A baixa da natalidade em Portugal, é um verdadeiro problema, que apesar de já ter sido identificado há cerca de uma década, continua a não ter qualquer solução à vista.

Há pouco tempo ouviu-se a ideia peregrina de incentivar o regresso ao país daqueles jovens que abandonaram o país em busca dum futuro melhor, que Portugal não lhes podia proporcionar.

A ideia é peregrina porque os jovens, na sua grande maioria, não conseguem encontrar empregos com remunerações justas, que lhes permitam constituir família, ter uma habitação condigna, criar e educar os seus filhos.

Neste preciso momento temos jovens saídos das nossas faculdades que não encontram empregos nas suas especialidades (não só os enfermeiros, ou outros da área do ensino), e mesmo os que conseguem têm no começo da sua carreira salários que vão dos 600 aos 900, pelo menos nos primeiros 3 anos.

Com salários tão baixos como os que se praticam no início da carreira, e com o grau de precariedade que é a norma, como é que se promove a natalidade? Em Portugal quando se fala em aumentar os salários, surgem logo os que falam de ameaça à competitividade, na fuga dos investimentos, e começam os pedidos de vantagens nos impostos, nas prestações sociais obrigatórias, etc. Este patronato nacional é o mesmo que diz que não encontra profissionais para trabalhar nas suas empresas, e que reclama pela vinda de emigrantes, que quando vêm é só para saltar o mais depressa possível para outro país europeu onde possam viver decentemente.

Este é o país que temos, e que vai envelhecendo a cada ano que passa.



segunda-feira, setembro 17, 2018

OS TRONOS DE D. JOÃO VI (cont)



Este trono esteve em exposição no antigo Palácio de S. Cristóvão, casa dos Braganças no Brasil, e depois Museu Nacional do Brasil que ardeu na sua totalidade há poucos dias.

Não existem pois dúvidas que estes dois tronos, agora desaparecidos, pertenceram a D. João VI, pois existem provas documentais que suportam esta afirmação.

É uma pena que uma sala tão emblemática e bela como a Sala do Trono do Palácio Nacional de Mafra, exiba uma cadeira muito banal, e nunca se tenha pensado em mostrar uma réplica dum trono verdadeiramente de D. João VI, o rei que mais tempo passou neste palácio.

Podem afirmar que uma réplica não é adequada, mas continuo a achar que, desde que devidamente identificada, e fiel ao original, é mais própria do que uma outra cadeira qualquer.

Existe mais outra curiosidade que encaixa na perfeição no título “Os Tronos de D. João VI”, que é o trono oferecido a este monarca pelo príncipe do Daomé, Adandozan, em 1810, que é mais antigo do que o Museu Nacional, sendo portanto uma das suas primeiras peças, que infelizmente também se perdeu no incêndio.


Trono de Daomé

Nota: Sei que existem outros tronos de monarcas portugueses, como o que se diz ser de D. Afonso VI e o de D. Maria II, por exemplo, mas isso não invalida que se dê o devido relevo a D. João VI, e aos seus pertences, no Palácio Nacional de Mafra, ao invés de se teimar em falar nas “coxinhas de frango nos bolsos”, de cada vez que se mostra um retrato menos feliz exposto nos aposentos do rei.
 

PORTUGAL / ESPANHA E A CULTURA


Somos vizinhos mas estamos a séculos de distância no que concerne a assuntos relacionados com a Cultura, para ser simpático, esclareça-se.

Numa das vertentes, a da segurança, estamos muito atrasados relativamente aos nossos vizinhos, e isso não é simpático, por muito que tenhamos que o registar, e isso dói mais a quem está preocupado com o assunto.

Outra diferença abissal é a importância dada aos testemunhos daqueles que colaboraram com os museus, no passado e até à actualidade, que têm uma história oral que é uma âncora que liga o passado ao presente, e o visitante ao museu.

Enfim, vivemos num país onde os títulos prevalecem, e o que diz um doutor (muitas vezes com uma licenciatura apenas) vale mais do que tudo o resto.

Alguém se importa com a realidade? Não vale mais um estudo duma entidade externa, paga para concluir o que se lhes pede?

Temos muito que aprender, e temos que democratizar a Cultura…



sexta-feira, setembro 07, 2018

RESTAUROS DESASTROSOS

Por acaso nenhum destes restauros desastrosos aconteceu em Portugal, mas não estamos livres de que o mesmo aconteça por cá. Espera-se que os alertas dados com estes fracassos possam alertas os mais incautos e não tenhamos que vir a registar atentados destes por estas bandas.


quarta-feira, setembro 05, 2018

DIGAM APENAS A VERDADE

Nunca se mente tanto como em véspera de eleições, durante a guerra e depois da caça.

Otto Bismarck

 Uma mentira repetida mil vezes torna-se verdade?


segunda-feira, setembro 03, 2018

PATRIMÓNIO DE LUTO


Um grande incêndio destruiu, ontem, o Museu Nacional no Rio de Janeiro, situado na Quinta da Boa Vista, que foi residência da família real e sede da 1ª Assembleia Constituinte do Brasil.

No interior deste museu existia um acervo muito importante, e uma biblioteca muito valiosa.

Não se conhecem ainda as razões que originaram este incêndio, embora se saliente o maus estado de conservação do museu, ao qual têm faltado verbas para a sua manutenção em condições aceitáveis e dignas duma verdadeira instituição cultural.

A presença no Brasil do ministro da Cultura de Portugal, que hoje deveria visitar precisamente este museu, fez-me recordar que já muitas vezes denunciei, aqui, a falta de manutenção do nosso 

Património (museus, palácios e monumentos), a falta de treinamento dos funcionários para acorrer a situações de emergência, a falta de meios humanos e materiais para se evitarem situações de risco e, por que não, uma plataforma para que fiquem registadas todas as anomalias verificadas nestes serviços, reportadas por funcionários e por visitantes.

PS – Infelizmente as caixas de comentários, na imprensa brasileira e também na portuguesa, estão cheias de disparates, o que é lamentável, mas é um fenómeno cada vez mais frequente.


Quinta da Boa Vista

sábado, setembro 01, 2018

ESTOU FARTO DE GRUNHOS

Ouço muitas vezes gente a reclamar por tudo e por nada, dizendo que pagam demasiados impostos, que o Estado é um monstro, e os funcionários públicos ganham demasiado, e por aí adiante.

Reclamam em todo o lado, reclamam direitos que nem têm, chamam os outros de parasitas, e  ladrões, enchem a boca de asneiras.

Quantos destes senhores, e senhoras, pagam realmente sobre todos os seus reais rendimentos? Quantos declaram salários a roçar o salário mínimo nacional, e exibem boas vivendas, carros topos de gama, e fazem férias no estrangeiro em hotéis de cinco estrelas?

Este país está cheio de falsos moralistas, de grunhos que nem sabem o que é cidadania, e que acham que têm só direitos e não têm obrigações.

Criticar é fácil, mas se cada um se olhasse ao espelho, as coisas podiam ser diferentes. Esperteza não é igual a inteligência, e muitos andam a cuspir no prato onde comem.