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terça-feira, fevereiro 26, 2013

O CÚMULO DO CINISMO



Paulo Portas tem conseguido passar entre os pingos da chuva, com alguma habilidade e sobretudo com muita ausência, mas como sempre acontece, há um dia em que se molha a valer.

Veio há pouco a lume na imprensa online uma frase, que apesar de toda a habilidade política e comunicacional, deitou a estragar todo o seu esforço de passar incólume perante a opinião pública que critica o governo.

O CDS de Paulo Portas é afinal o parceiro do PSD no governo, pelo que é igualmente responsável pelo que é alvo de contestação popular, e que não é pouco. A frase a que me refiro foi dita relativamente aos parceiros europeus, e diz que o sacrifício dos portugueses no combate ao défice merece um “prémio”.

É preciso muita lata e igual dose de cinismo para vir pedir aos nossos parceiros europeus, um ministro do mesmo governo que desde que chegou ao poder mais não fez do que nos atirar com austeridade para cima. É preciso não ter vergonha falar em “prémio” quando o que o governo nos impõe, são mais cortes, menos direitos e mais austeridade.



quarta-feira, outubro 17, 2012

SÓ PODEM ESTAR A MANGAR



A troca de galhardetes entre Gaspar e Borges é hilariante: primeiro veio Gaspar elogiar a competência de Borges e depois veio este dizer que o Gaspar era o melhor e que não devia ser remodelado.

É difícil dizer qual dos dois merece menos crédito por parte dos portugueses, mas sempre digo que um falhou todas as contas que tem apresentado, afundando o país, e outro quer baixar os salários dos portugueses todos, menos o dele, sobre o qual não se pronuncia.

Também temos o Relvas, que quando questionado sobre se o número de funcionários públicos a “abater” seria de 40 mil, disse que seriam muito menos, para vir agora um secretário de Estado admitir que afinal seriam mesmo os tais 40 mil.

Sobre a falta de credibilidade de Relvas pouco há a dizer, mas a cada conjunto de declarações dele corresponde mais descrédito sobre a sua pessoa.

Aguiar Branco começa a seguir os maus exemplos, e precisamente no dia em que os militares revelam publicamente o seu desagrado, veio negar que existam tensões nas Forças Armadas. Claro que ainda não houve nenhuma revolução, mas que existem tensões, é inquestionável, senhor ministro.



quarta-feira, outubro 05, 2011

OS DISCURSOS

Eu tenho uma teoria sobre os discursos dos políticos que me vem sempre à mente, de cada vez que algum aproveita uma ocasião para nos dirigir umas palavras.

Primeiro comecemos pelos que escrevem o discurso, que não são os mesmos que o lêem, o que explica o facto de se ouvirem ideias que não “encaixam” nas práticas do “leitor”.

Outra característica importante é circunstancial, e depende de diversas situações com sejam, se os discursos são feitos enquanto se está na oposição, no governo ou numa situação superior, de analista ou quem sabe, presidente.

Assim se percebe o discurso de Cavaco Silva, disse que “acabaram os tempos de ilusões”, que Portugal vive “tempos muito difíceis” e que “perdemos muitos anos na letargia do consumo fácil e na ilusão do despesismo público e privado. Acomodámo-nos em excesso”.

É simplesmente curioso ouvir o actual chefe de Estado, antigo dirigente máximo do PSD e ex-primeiro ministro vir dizer que a situação que atravessamos é uma “oportunidade” para deixarmos de viver acima das nossas possibilidades, de redescobrir a “austeridade digna”, de poupar em “gastos desmesurados”, e até de consumir produtos portugueses e de fazer turismo no país.

É formidável a capacidade que certas pessoas têm de esquecer o passado e de actuarem como se ele não tivesse acontecido, talvez tanto como é doloroso ter memória e estômago fraco para aguentar este tipo de discursos.


FOTOGRAFIA


CARTOON


domingo, janeiro 02, 2011

A POBREZA DE ESPÍRITO

Porque vi isto num outro espaço, e porque me constou que Cavaco Silva usou este tema na sua recente mensagem. Como acho que ele foi um dos que contribuiu activamente e também por omissão para o estado em que o pais está, acho que o que se segue ilustra bem o que pensam os nossos dirigentes.

OS POBREZINHOS
TÃO ENGRAÇADOS
PEDEM ESMOLAS
...COM MIL CUIDADOS

TODOS SUJINHOS
E TÃO MAGRINHOS
A LINDA GRAÇA
DOS POBREZINHOS

DE PORTA EM PORTA
SEMPRE ROTINHOS
TÃO DELICADOS
OS POBREZINHOS

NÃO FAÇAM MAL
AOS POBREZINHOS
DEEM-LHES PÃO
E TOSTÕEZINHOS

OS POBREZINHOS
TÃO ENGRAÇADOS
PEDEM ESMOLINHA
COM MIL CUIDADOS

( ARMINDO MENDES DE CARVALHO)




FOTOGRAFIA


CARTOON
Yuriy Galiakbarov

sábado, novembro 27, 2010

HÁ LÓGICA NA POLÍTICA?

Tempos houve em que a política e os políticos se regiam por um código de honra e por ideologias que eram claras, seguidas por pessoas consequentes.

Hoje a política não se rege por nenhuma ideologia, não é praticada por pessoas consequentes e o valor mais importante em jogo é a economia, para não dizer simplesmente o lucro.

Acabei de ler que o líder da bancada do PSD falar sobre a disciplina de voto e sobre possíveis questões jurídicas na violação dessa disciplina pelos deputados eleitos pela Madeira. Atira-se com o interesse nacional para cima da mesa para impor a abstenção do grupo parlamentar social-democrata, para com isso se viabilizar um Orçamento de Estado que abertamente se classifica de mau.

Bem pode o PSD dizer que este não é o seu orçamento, e que está apenas a defender o interesse nacional, que ninguém acredita. Um mau orçamento não se viabiliza e como se viu pelo resultado desta Greve Geral, o povo também o chumbou.

Todos nós sabemos que para o ano que vem teremos o mesmo PSD que viabilizou este orçamento, a candidatar-se ao poder dizendo que é contra estas políticas que agora deixou passar.

A política deixou de ser um espaço de debate de ideias e de convicções para se transformar num jogo em que tudo vale para alcançar um único objectivo, o poder.



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Emaranhado by Palaciano

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Selva Urbana

segunda-feira, dezembro 14, 2009

ACONTECE...

A notícia mais difundida e consultada em alguns sítios da Internet, no domingo à noite, era a da agressão a Sílvio Berlusconi, que segundo dizem foi atingido no rosto com um murro que o levou ao chão ensanguentado, razão para ser conduzido ao hospital. Acontece que o episódio se deu enquanto dava autógrafos.

Por cá já há quem fale num “orçamento banana”, ou seja com o apoio do PSD em troca de mais uns dinheiros para a Madeira. Depois do “orçamento Limiano” vem o “orçamento banana”, com toda a certeza uma originalidade nacional que prestigia a produção nacional.

Porque há frases que quase nunca associamos a certas pessoas, eu saliento a afirmação de Alberto João Jardim que defendeu que o “diálogo não é sinónimo de fraqueza” , precisamente em defesa dos interesses da região.



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iriza\Ирина Забродкина

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Myung Lae

QUE VIOLÃO por FERNANDO APARECIDO SOUZA

terça-feira, janeiro 22, 2008

OS EXEMPLOS DOS OUTROS

Foi José Sócrates, o próprio, que afirmou que Zapatero é um grande amigo e que não se importava de fazer campanha a seu favor, nas próximas eleições em Espanha. Deduzimos nós que o 1º ministro português se identifica nas políticas seguidas pelo seu homólogo, tal o entusiasmo demonstrado em expressar o seu apoio.
Este pobre escriba logo deduziu que a próxima medida a anunciar por José Sócrates vai ser o aumento do valor das pensões mínimas em pelo menos 150 euros, valor ainda assim inferior aos 200 euros prometidos por Zapatero. Já estou a imaginar uma conferência do Partido Socialista português subordinada ao tema “ter ou não ter… direitos. As famílias na sociedade do bem-estar”. Até já imagino a inclusão dos princípios da “liberdade, igualdade e solidariedade” nos próximos discursos oficiais, em vez dos rasgados elogios à acção governativa.
Mas não é só de Espanha que Sócrates fala com admiração, já o ouvimos elogiar a Alemanha e a destacar o seu papel de locomotiva da Europa. Pois então, agora que já não está na presidência europeia, bem pode o senhor primeiro-ministro ensaiar um discurso em defesa dos postos de trabalho, tantas vezes ameaçados pela deslocalização praticada por diversas empresas, muitas delas altamente favorecidas por medidas extraordinárias, como sejam isenções e subsídios estatais. Pode mostrar a sua firmeza e defender os interesses nacionais, fazendo como o governo alemão, que pede o boicote ao uso de telemóveis Nókia em retaliação à deslocalização da fábrica para a Roménia. As declarações dos governantes alemães são contundentes, chegando mesmo a classificar a atitude da marca como “capitalismo de caravana”.
Saberá, ou quererá José Sócrates seguir os exemplos dos seus homólogos, mostrando uma faceta de preocupação social e de defesa intransigente dos direitos? Ou será que os elogios e as referências são apenas para iludir o povinho?

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FOTOS - IMPROVÁVEIS

владимир диденко

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Dalcio

Hamid Karout