"Há tarefas complexas que não podem ser substituídas por robôs"
António Moniz
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Para os que defendem sem restrições o chamado mercado livre, ou melhor sem restrições, fica aqui o caso exemplar do negócio da Vivo. Ficou provado que o dinheiro fala mais alto do que qualquer outro valor.
Todos ouvimos uns senhores empresários, banqueiros e gestores nacionais falando da necessidade de manter em Portugal os centros de decisão das grandes empresas nacionais. Ouvimos também por alturas das privatizações das grandes empresas nacionais, que por acaso davam lucros ao Estado, que tudo ia ser feito de modo a que as empresas continuassem a ser maioritariamente portuguesas garantindo assim os interesses nacionais.
Nesta semana viu-se que acenando com uma mão cheia de notas o nacionalismo dos grande accionistas desapareceu como que por um passe de magia.
Não fiquei surpreendido com a reacção dos grandes accionistas, dos quais esperava isto mesmo, fiquei surpreendido com o facto, esse sim altamente preocupante, de nenhum deles ter revelado se tinha concertado com a Portugal Telecom, onde se iria investir o valor a pagar pela Vivo, de modo a esta continuar a ser uma empresa com a mesma projecção e valor.
Não. Este senhores estavam concertados em embolsar o seu quinhão e em colocar a massaroca a bom recato num qualquer paraíso fiscal, pois reinvestir é o que nem sequer lhes passou pela cabeça. Desta vez, e por mero acaso estou do lado do governo de Sócrates, só que não sei se ele está disposto a enfrentar a União Europeia depois do dia 8, relembrando que os governos da Espanha, da França, da Alemanha e da Itália fazem o mesmo pelas suas empresas, ainda que mais discretamente, embora às claras, sem que o tribunal lhes peça contas.
No caso da condenação por parte da UE, há sempre a ameaça da verdadeira bomba atómica, que é a da nacionalização da PT. Porque não? Afinal contra os grandes só se resiste falando grosso!

Porque todo o sistema capitalista foi ferido de morte, quer pela falta de moralidade, quer pela falta de consciência social, ou ainda pela incapacidade de se manter dentro da legalidade a que estava obrigado, houve que parar para reflectir. Há algum tempo que as instituições e os governos dos países ocidentais e dos países emergentes vêm procurando saídas para a crise económica actual e remédios eficazes para que algo semelhante não se possa repetir a prazo.
Os remédios para a crise têm sido muitos, ou melhor, muitos milhares de milhões de euros e dólares, o que não obsta a que o mercado esteja faminto de mais dinheiro e de mais confiança. As dívidas públicas dos motores da economia mundial, como eles gostavam de ser chamados, vão aumentar significativamente, e não há certezas quanto à vontade dos países emergentes, como a o Brasil, a Índia e outros em ficarem com essa dívida injectando muito capital que afinal também lhes faz falta.
"Devemos moralizar o capitalismo, não destruí-lo", "é preciso refundá-lo", afirmou o presidente francês, Nicolas Sarkozy, ou "é óbvio que o tradicional sistema de bem-estar social não é capaz de fazer frente a este 'tsunami' económico", disse Blair, ressaltando "a importância de imprimir valores ao sistema financeiro para que ele deixe de se basear na simples especulação".
O capitalismo como o conhecemos falhou, não há volta a dar-lhe, e com estes senhores que o representam, e que fogem hoje das regras, temendo o seu excesso, que afinal são os mesmos que defenderam a ausência de regras no passado o que nos conduziu a esta crise, também não será possível reformular a economia criando maior justiça retributiva e mais consciência social. A pergunta foi feita e foi tema de debate, “Como se pode regular o capitalismo?”, e não se encontrou uma resposta credível nem consensual.
ALAN GREENSPAN
“Cometi um erro ao confiar que o livre mercado pode regular-se a si próprio sem a supervisão da Administração.”
Entrevista a Silva Lopes
Há bancos com mais poder do que o Banco de Portugal
José Silva Lopes, ex-governador do Banco de Portugal e ex-ministro das Finanças, defende o supervisor bancário, mas admite que há hoje no país bancos com mais poder que o banco central. E tem dúvidas sobre a utilização de dinheiro dos contribuintes na Caixa Geral de Depósitos.
