segunda-feira, fevereiro 19, 2007

O PORTUGUÊS NO CARNAVAL DO RIO

Minha pátria é minha língua,
Mangueira meu grande amor. Meu samba
vai ao Lácio e colhe a última flor.

CRIAÇÃO E TEXTO:
OSVALDO MARTINS

SINOPSE:
A esquadra comandada por Pedro Álvares Cabral, que deixou Lisboa em 9 de março de 1500, era a maior até então reunida para navegar no Atlântico. Não fez nenhuma escala até tocar a costa brasileira e era composta por 1500 tripulantes. Não se conhece, exatamente, os nomes das 13 embarcações.

Vencendo a fúria de ventos agitados,
Singrando “mares nunca dantes navegados”,
Lá vêm elas - tão frágeis e tão belas -
Sorriso aberto em suas velas:
Dez naus, três caravelas.


Muitos séculos antes do Descobrimento do Brasil, o Império Romano havia conquistado vastos territórios da atual Europa. Não foi uma conquista apenas política e territorial – foi também cultural. Os exércitos romanos impuseram seu idioma – o Latim vulgar – que em cada região deu origem a uma língua diferente (Português, Francês, Espanhol, Italiano, Romeno, etc). O Latim, por sua vez, tem origem no Lácio, uma região do centro da atual Itália onde surgiu Roma.

Trazem a bordo um rico tesouro
Que não é prata nem é ouro.
É uma herança, uma bonança
Mais valiosa que um palácio:
A última flor do Lácio.
“Inculta e bela”, como Bilac cantou
És meu pendão, meu refrão,
Pura e singela, és minha flor na lapela
Que o tempo enfim consagrou.



O Português é hoje o sexto idioma mais falado no mundo. É a língua oficial de oito países dos cinco Continentes: Portugal, Brasil, Moçambique, Angola, Cabo Verde, Guiné Bissau, São Tomé e Príncipe e Timor Leste. São cerca de 250 milhões de falantes, a maioria no Brasil. O idioma de Camões tem palavras que não encontram tradução em outras línguas. Exemplos: luar e saudade.

Brota em meu peito uma forte emoção
Quando vejo um cenário de tanta beleza!
Deus, em sua Criação, fez questão
De mostrar sua mania de grandeza
Quando dotou o Brasil, sua grande paixão
- e disso eu tenho certeza -
Do idioma que fala ao pulsar do coração:
A nossa Língua Portuguesa!



Ao chegar ao Brasil, trazido pelos descobridores em 1500, o Português sofreu primeiro a influência das línguas faladas pelos indígenas que habitavam o litoral: o Tupi e o Tupinambá. Mais tarde, o Português foi enriquecido por palavras do Banto e do Iorubá, idiomas falados por escravos africanos. Essas contribuições formaram o Português “brasileiro”, uma língua mestiça em constante evolução. Mais recentemente, no século 19, o Português falado no Brasil incorporou também expressões trazidas por imigrantes de várias partes do mundo.

O idioma de Camões, Eça e Pessoa
Aos poucos se abrasileirou
Com a fala dos índios e seu cantar
Misturando o tupi e o tupinambá.
Depois o negro da nação iorubá
Botou “axé” e todo o seu encanto
E até o samba que também é africano
Ganhou a “ginga” que veio do banto.

As influências indígena e africana eram tão fortes que os próprios jesuítas portugueses usavam esses idiomas - conhecidos como a “língua geral” - em sua catequese. Até que, em 1758, o Marquês de Pombal decretou, proibiu outro falar no Brasil que não fosse o Português. No ano seguinte, expulsou os jesuítas do país. A vigilância portuguesa impôs a ferro e fogo o decreto de Pombal e, graças a ela, produziu-se o milagre de hoje um país de dimensões continentais como o Brasil ter um único idioma. A língua é o maior símbolo da identidade e da integração nacional do povo brasileiro.

Foi seu Pombal quem garantiu
No carnaval do meu Brasil
O samba de uma fala só.
Em verso prosa o povo inteiro
Canta alegre, em “brasileiro”
No frevo, no choro e no forró.


Além de grandes autores portugueses como Luiz de Camões, Padre Vieira, Eça de Queiroz e Fernando Pessoa, o nosso idioma tem no Brasil outros tantos luminares: os cariocas Machado de Assis (primeiro presidente da Academia Brasileira de Letras) e Olavo Bilac, o alagoano de Quebrângulo Graciliano Ramos (Vidas Secas, Memórias do Cárcere), o mineiro de Itabira Carlos Drummond de Andrade (Brejo das Almas, José), o fluminense de Cantagalo Euclides da Cunha (Os Sertões) e muitos outros, considerados clássicos da língua portuguesa.

Hoje a Mangueira, toda airosa
Engalanada em verse e rosa
Canta o idioma que ressoa
Do Oiapoque ao Chuí
Lembra Eça, louva Pessoa,
Inventa um passo e num abraço
Traz Lisboa para a Sapucaí.

Nos grandes mestres fui buscar
O enredo do meu samba pra contar
A saga de um povo altaneiro
De vidas secas nos sertões
De muita luta nos grotões
Como pregava Antonio Conselheiro.


Grandes poetas brasileiros, como Vinícius de Moraes, Chico Buarque, Cartola, Caetano Veloso, Guilherme de Brito e tantos mais encontraram no samba uma forma superior de falar à alma do povo. A música brasileira difundiu o idioma e aproximou a “última flor” da gente simples que canta, e se encanta.

Minha pátria é minha língua
Minha pena é minha espada.
A paixão não morre à mingua
Se é pra ti, mulher amada,
Que nos versos magistrais
De Vinícius de Morais
Sobre o amor ele proclama:
É “infinito enquanto dure”, e
“Imortal posto que é chama”.

Os poetas de Mangueira
Também sabem que a paixão
É sua melhor parceira,
Sua grande inspiração.
Foi o amor à minha Escola
Num preito de pura emoção
E ternura em cada rima
Que inspirou Mestre Cartola
A compor essa obra-prima
Que é “Sala de Recepção”.


Ó, amada Língua Portuguesa, poética, infinita... Quantos milhares, milhões de escritores, poetas, romancistas, histórias, personagens tu ocultas que por mais que se procure mais existe a desvendar! Bem sei que não cabes inteira no meu samba, que é pequeno demais pra te homenagear. Tão bela tu és que tinha de ser teu o primeiro museu. Não há no mundo outro igual, nem mesmo em Portugal. O endereço é um só, aquele que nos conduz à velha Estação da Luz - teu templo, tua morada, onde podes, como mereces, ser adorada.

Eu sou de uma estação
A Estação Primeira
Que me ensinou uma lição
Durante minha vida inteira:
Só meu samba me conduz
E só Mangueira traduz
A paixão mais verdadeira.

Mas se quero ter certeza
Que a magia e a beleza
Da nossa Língua Portuguesa
É maior do que supus
Pego o trem na minha estrada
E na última parada
Desço na Estação da Luz.

Retirado do site da Mangueira

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FOTOS DE CARETOS



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CARTOON

domingo, fevereiro 18, 2007

DA ESTATÍSTICA À REALIDADE

Razão tinha João Cotrim de Figueiredo quando cita Karl Popper, é impossível falar de modo a não ser mal interpretado. Começando pela coincidência de Manuel Pinho e Peter Mandelson terem aboRdado o tema dos baixos salários, combinado ou não, originaram o debate. O primeiro disse simplesmente que era um factor de competitividade, o segundo acrescentou que era uma medida temporária.
A diferença substancial causou e está a causar discussão, não concordo que seja ruído, pois há que constatar que já estamos a divergir à demasiados anos dos que estão à nossa frente, e em clara perca para os que vieram a integrar a UE depois de nós. Serão pequenas diferenças segundo aquele gestor, mas atingem dimensões enormes quando falamos dos que auferem salários baixos.
Quanto ao apego conveniente às estatísticas, lembro que somos um dos países deste espaço comunitários onde a diferença de rendimentos é maior, senão mesmo a maior, o que tira aos valores estatísticos a credibilidade que lhe querem atribuir. O exemplo da diferença do salário médio português e do francês, pouco mais de um terço, deixa de ser verdadeiro se comparar o salário mínimo dos dois países (aumenta substancialmente a diferença) e o inverso também se verifica na classe dos gestores de grandes empresas públicas e privadas onde os salários estão perfeitamente equiparados, considerando a mesma escala e o mesmo tipo de actividade.
Aquilo a que J. C. de Figueiredo chama vantagem transitória, os baixos salários, não são nem transitórios nem vantagem, considerando o custo de vida que proporcionalmente é superior em Portugal com qualquer dos grupos de países com que estabelece as comparações.
Quando nos socorremos de estatísticas para defender o indefensável, baixos salários como vantagem competitiva, temos que contar com todos os outros dados relacionados, como a distribuição da riqueza e o custo de vida.
A parcialidade na análise, pode bem ser apelidada de falta de seriedade.

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BELEZA DE FOTO

CURIOSIDADE


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PINTURA
The Grand Odalisque
1814 Oil on canvas, 91 x 162 cmMusée du Louvre, Paris

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CARTOON

sábado, fevereiro 17, 2007

RAPIDINHAS

Carnaval I – Em Portugal o Ministério da Cultura quer ter museus, palácios e monumentos abertos no Carnaval sem gastar um tostão a mais, pois o trabalho não é considerado extraordinário e só afecta os vigilantes-recepcionistas, todos os outros grupos profissionais gozam a tolerância de ponto dada por José Sócrates.

Carnaval II – No Brasil “A Mangueira” vai homenagear a língua portuguesa no desfile pela avenida. O vira e uma enorme caravela serão elementos deste grupo, que é sempre um candidato à vitória no desfile.

Erro de paginação – O DN de 16 Fevereiro, trazia no caderno de Economia duas notícias esclarecedoras: na página 4 “Governo faz brilharete com défice abaixo de 4,6%” e logo na página 5 “Desemprego dispara para o nível mais alto dos últimos 20 anos”. Deve ser apenas coincidência, mas isto acontece no dia em se soube que a direcção do jornal tinha sido demitida.

Pisar o risco – Na crónica de Helena Sacadura Cabral sobre o tema “O que é ser rico” ficámos a saber que a sua empregada doméstica ganha bem (?), mais até que os seus assistentes na universidade (?), e não paga impostos. Fiquei com a ideia de que a empregada doméstica ganha mais do que eu (754 euros) e por razões que desconheço não paga impostos. Será que a patroa lhos paga ou também é conivente na fuga?

Descontroladas – O ministro das Finanças vai criar uma empresa para controlar sector público empresarial e parcerias público-privadas, porque o Tribunal de Contas lhes puxou as orelhas. Segundo o TC “É o próprio Estado que, frequentemente, agrava os seus encargos com as parcerias que desenvolve ao não acautelar o estudo na preparação das PPP”. Então gasta-se mais do que se devia, enquanto a malta aperta o cinto, e não são sacadas responsabilidades a ninguém? Também quero um lugar desses…

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BELAS FOTOS
Flores


Paisagem



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Mike Lester, Rome News-Tribune, Rome, GA



Sound of Europe at the 250th birthday of Mozart: Chancellor Wolfgang Schuessel as Papageno in the Magic Flute. Oliver Schopf, Austria, Der Standard

sexta-feira, fevereiro 16, 2007

A MÁ IMAGEM

Quando falei da imagem que os turistas têm, em geral de Portugal depois de o visitarem, afirmei que a sua opinião normalmente é mais favorável à partida do que à chegada. Estava a falar dum grupo específico, instruído entre os 18 e 55 anos e da classe média, portanto com algum poder de compra.
Hoje venho falar de pessoas da classe alta, com grande poder de compra, cosmopolita e ligadas aos meios empresariais e financeiros, que em geral não estão muito interessados no país real, não frequentam os locais onde se sente o pulsar da vida do quotidiano e não têm tempo para descobrir o que quer que seja. Em concreto refiro-me aos tecnocratas da OCDE e à analista da Economist Intelligence Unit que emitiram opiniões sobre a economia de Portugal.
A OCDE pronuncia-se “sempre” com base em relatórios e estatísticas elaborados pelos governos e outras instituições financeiras. Em documentos deste tipo tudo pode ser transformado em gráficos mais ou menos complexos mas que dependem apenas de contas exactas e de certezas para quem os elabora. No caso de Portugal, onde a riqueza está muito mal distribuída, onde a economia paralela atinge números na ordem dos 15 a 20% e o incumprimento das obrigações fiscais é alto, toda a matemática é falseada, e as receitas sugeridas roçam o disparate para não dizer a ignorância completa dos indicadores reais.
A analista do The Economist, que dizem veio a Portugal como convidada, vem falar da flexibilização do mercado do trabalho, desconhecendo a realidade e os esquemas consentidos pela justiça lenta e pouco eficaz, que permitem despedimentos a torto e a direito neste jardim à beira mar plantado. Para não ser deselegante, direi que leu alguns cabeçalhos de jornais económicos portugueses, pertencentes a grupos económicos nacionais.
Só a ignorância da realidade pode explicar disparates como a proferida por um comissário europeu do comércio – “Salários baixos temporários apoiam o desenvolvimento económico do País”. O senhor comissário não sabe que os salários demasiado baixos são uma constante há anos e que o desenvolvimento depende mais do investimento e da inovação do que da mão-de-obra barata.
Será que um destes dias, ainda é convidado mais um especialista para concluir que o País pode desenvolver-se ainda mais se a escravatura for admitida? Já quase só falta isso!
Sugestão de leitura:
http://leruisseau.iguane.org/article.php3?id_article=11


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FOTOS

Sacré-Cœur

Revendo fotos de Paris, importa lembrar a música de Edith Piaf. Aqui fica uma sugestão para ouvir ... e ver - A quoi ça sert l’amour – Edit Piaf
http://www.youtube.com/watch?v=_IivEGxl8qU&eurl=



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CARTOON

quinta-feira, fevereiro 15, 2007

QUESTÕES DE IMAGEM

A imagem que Portugal projecta no estrangeiro não é real e também não é verdadeira. Este facto é perfeitamente perceptível para quem trabalha directamente com os turistas que nos visitam.
Na generalidade, os estrangeiros da classe média e média alta dos países desenvolvidos, admiram a qualidade do nosso Património, o jeito afável como estamos disponíveis para os ajudar, a nossa gastronomia, a segurança, e a paz e beleza paisagística do interior do país. Quando lhes perguntamos que imagem faziam antes de se deslocarem a Portugal, invariavelmente afirmam que esperavam ver um país mais pobre e atrasado, um povo mas triste e muita gente vestida de negro, preços mais baixos e um interior agrícola por contraponto dum litoral ancorado no produto Sol e praia.
Com alguma facilidade ficamos a saber que essa imagem é construída pela divulgação turística a que acederam via publicidade dos agentes de viagens dos seus países e a consulta apressada de alguns guias turísticos escritos disponíveis na sua terra. Também já é mais frequente virem a conselho de amigos ou familiares que lhes indicam pistas sobre coisas que não constam de nenhum roteiro turístico ou brochura promocional.
Quero com isto dizer que não temos sabido projectar uma imagem do país real que agrada a pessoas da classe média europeia, norte americana e canadiana, baseando a promoção turística nos batidos produtos sol e praia, pouco competitivos internacionalmente. No fado, vinho, touradas e galos de Barcelos como há 30 anos atrás e sobretudo num país pouco desenvolvido sempre à espera de ajudas de Bruxelas para se desenvolver. No outro extremo da promoção temos o golfe, o jogo e a diversão nocturna que não é um mercado fácil e onde a concorrência depende muito do que lhe está associado ao mesmo nível noutros destinos, que é a alta costura, as jóias de marca e os grandes centros cosmopolitas como Londres e Paris.
Aos publicitários e promotores turísticos aconselho que visionem os álbuns de imagens de viajantes na Net, para poderem ter uma ideia do que realmente lhes desperta o interesse e comentários de agrado.
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FOTO

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CURIOSIDADES EM FOTO


O espreita


Pose de Estado

quarta-feira, fevereiro 14, 2007

MAIS SOBRE O IGESPAR

Sucessão
O IGESPAR, IP sucede:
a) Nas atribuições do Instituto Português do Património Arquitectónico, com excepção das atribuições cometidas às respectivas direcções regionais e das atribuições relativas à gestão dos serviços dependentes transferidos para o Instituto Português dos Museus e da Conservação;
b) Nas atribuições do Instituto Português de Arqueologia,
c) Nas atribuições relativas à salvaguarda e valorização do património Arquitectónico da Direcção-Geral de Edifícios e Monumentos Nacionais, com excepção das atribuições cometidas às respectivas direcções regionais.

PS – Não sei qual a versão mais aproximada do documento aprovado em Conselho de Ministros, mas a versão do PV é o mais credível, apesar de serem notórias algumas anormalidades, o que não nos admira num documento elaborado sem a colaboração de quem trabalha no sector. Segundo algumas opiniões, a minha incluída, não se entende a saída dos monumentos e palácios para o IPMC,IP, e não sei o que dizer da ausência de alguma referência às estações arqueológicas.
Outros valores mais altos se ergueram e não foram os do Património.

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Artista

Futurista


Realista

terça-feira, fevereiro 13, 2007

NOS BASTIDORES DA CULTURA

Nos últimos dias tenho sido questionado por amigos ligados ao Património, querendo saber informações sobre as leis orgânicas dos institutos dependentes do Ministério da Cultura. Não possuo nenhuma bola de cristal nem poderes de adivinhação, mas conheço o meio e tenho alguns conhecimentos aqui e ali que me permitem, por vezes, saber umas coisas por antecipação. Neste caso foi algo complicado, as bocas estavam seladas, mas, com a ajuda de dois projectos colocados na Net e umas dicas algo se arranjou.
Aqui vão uns tópicos:
O IGESPAR, IP, tem por missão a gestão, a salvaguarda, a conservação e a valorização dos bens que, pelo seu interesse histórico, artístico, paisagístico, científico, social e técnico, integrem o património cultural arquitectónico e arqueológico classificado do País…
Providenciar a salvaguarda e protecção integrada das paisagens culturais e dos jardins históricos com o património cultural arquitectónico e arqueológico; …
Como receitas o IGESPAR dispõe, entre outras … O produto da alienação ou cedência de bens ou direitos do seu património. …
São, desde já, afectos ao IGESPAR, IP, os seguintes imóveis:
- Convento de Cristo
- Mosteiro de Alcobaça
- Mosteiro dos Jerónimos e Torre de Belém
- Mosteiro da Batalha
- Panteão Nacional, instalado na Igreja de Santa Engrácia em Lisboa, e na Igreja de Santa Cruz, em Coimbra
- Parque Arqueológico de Vale do Côa.
O IGESPAR pode criar, participar ou adquirir participações em entes de direito privado, se for imprescindível para a prossecução das suas atribuições, mediante autorização prévia dos membros do governo responsáveis pelas áreas das Finanças e da Cultura…
Por hoje fico por aqui, mas prometo voltar com mais umas quantas revelações, embora pense que respondi às questões que me colocaram.

FOTO
Primis, Egypt, 1976
Photograph by Thomas J. Abercrombie
Hidden in the dry Red Sea Mountains, St. Anthony Monastery was founded in 356 AD and has operated as a multi-faith Christian monastery for much of that time, though today it is exclusively Coptic. Relying on spring water for survival, the monastery operates as a self-sustained village complete with irrigated gardens, a bakery, and several churches. (Photograph shot on assignment for, but not published in, "Egypt: Change Comes to a Changeless Land," March 1977, National Geographic


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segunda-feira, fevereiro 12, 2007

ESTEVE NAS NOSSAS MÃOS

Terminou mais um referendo e, apesar de ter havido menos abstencionistas, a abstenção foi maioritária. Não é este o resultado ideal e, na prática tudo ficou quase como já estava. A Assembleia da República tem agora que legislar, apesar do resultado não ter sido vinculativo, ou pode eternizar a situação actual fingindo discutir mas adiando a solução.
O resultado foi favorável ao SIM, o que me agrada, mas a afluência às urnas continua a ser baixa num referendo. Podia aqui invocar um motivo de que já falei à laia de explicação para a abstenção – a intromissão dos partidos – mas está obviamente por provar que assim seja.
Na blogosfera há intervenção cívica, há intervenção e manifestam-se opiniões, mas na sociedade portuguesa em geral ainda são poucos os que exercem a sua cidadania, participando no aprofundamento da democracia participada que se deseja.

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FOTOS

Calor

Eléctricos regressam ao Porto Foto@Lusa/João Abreu Miranda
Alguns eléctricos antigos do Museu do Carro Eléctrico do Porto regressam a baixa portuense em serviços turísticos.





Belo fato

domingo, fevereiro 11, 2007

NÃO OS DEIXES DECIDIR TUDO POR TI

Hoje é domingo dia 11 de Fevereiro, e todos temos a hipótese de votar num referendo. O referendo é uma forma de democracia directa em que os cidadãos, independentemente da sua filiação ou simpatia partidária são chamados a decidir sobre um assunto. Hoje é sobre a interrupção voluntária da gravidez.
Não quero falar sobre as opções de voto neste caso particular, quero antes falar da importância da adesão ao voto, porque a abstenção de mais de 50% dos votantes pode levar alguns políticos a porem em causa o instituto do referendo, tornando assim mais pobre a nossa democracia. Recordo que este assunto vai a referendo não tanto por causa de ser um assunto de consciência individual, mas sobretudo pela falta de coragem política de vários partidos e políticos que, apesar do incómodo do não cumprimento da (injusta) lei actual, se recusaram a alterá-la pela via legislativa.
Os cidadãos conscientes devem aproveitar esta ocasião para demonstrar que não estão dispostos a ser chamados apenas de 4 em 4 anos para tomar uma posição, mas sim sempre que os políticos não cumpram o seu dever e as suas obrigações para com os eleitores.

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FOTOS
Hot air balloons take off from Clark Field, north of Manila, February 8, 2007. More than 20 balloons from all over the world are taking part in the four-day Philippine International Hot Air Balloon Festival.
08 Feb 2007 REUTERS/Darren Whiteside
Bhutan's King Jigme Khesar Namgyel Wangchuck attends a meeting with Indian President A. P. J. Abdul Kalam in New Delhi February 8, 2007. The 26-year-old, Oxford-educated king of the tiny Himalayan nation of Bhutan made his debut on the world stage on Wednesday with the start of an official visit to India, his country's giant neighbour.
08 Feb 2007 REUTERS/B Mathur

CARTOON

Radivoj Gvozdanovic, Croatia


Ana von Rebeur, Argentina

sábado, fevereiro 10, 2007

HONRAR COMPROMISSOS


Não há memória de se ver um Estado democrático deixar de honrar os seus compromissos, dívidas, compromissos ou deveres pois as consequências ao nível das instituições regionais ou mundiais seriam de exclusão ou de ostracismo e condenação.
Todos os governos ao tomarem posse fazem questão de afirmar que honrarão os compromissos internacionais anteriormente assumidos e aceitam governar com os fardos ou benefícios herdados no respeito da Constituição.
Os portugueses habituaram-se a considerar o Estado como pessoa de bem, que honrará os seus compromissos e que não tomará medidas restritivas com efeitos retroactivos.
Na função pública estamos a assistir à negação de todos os princípios que tomámos por verdadeiros, porque consignados na Constituição e consolidados na prática. Todos aqueles que ao assinarem o seu termo de aceitação de nomeação, pronunciaram as palavras “Declaro por minha honra…” aceitando as condições contratuais oferecidas pelo Estado português para uma carreira na função pública estão agora confrontados com a possibilidade de verem os seus contratos, com o mesmo Estado, unilateralmente extintos e transformados em contratos individuais de trabalho.
O secretário de Estado da Administração pública, que pronunciou uma frase idêntica, mas com uma validade máxima de uma legislatura, ainda não quis esclarecer esta questão, parecendo querer esticar a corda, o que não é um bom sinal nem demonstra uma correcta postura de Estado, que se lhe exige.
Os funcionários públicos são cidadãos com todos os direitos, e acima de tudo são pessoas que merecem respeito por parte do governo, que é obrigado a honrar os seus compromissos. Se este governo não o quiser fazer tem dois caminhos, demitir-se ou ser demitido, e aqui o caso complica-se muito. Esperemos que impere o bom-senso.


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Lailson de Holanda Cavalcanti, Pernambuco, Brazil



Steve Breen -- The San Diego Union-Tribune

sexta-feira, fevereiro 09, 2007

O ESTADO CENTRALIZADOR


Quem não se lembra de ouvir José Sócrates e em geral toda a nossa classe política defender acerrimamente a descentralização da máquina do Estado, acenando com os benefícios da agilidade e do conhecimento “in loco” dos problemas, tecendo críticas contundentes ao centralismo do Terreiro do Paço. E os economistas, gestores, empresários e comentadores que se juntaram ao coro enchendo páginas de jornais e horas de antena, a favor da descentralização.
Foi agora criada a “inovadora” empresa pública para gerir as pessoas e meios da administração pública, a GeRAP. Segundo o ministro Teixeira dos Santos, esta empresa vai gerir os supranumerários, a selecção de pessoal, a formação e a contabilidade, e embora comece pelo ministério das Finanças logo alargará a sua actividade a outros departamentos do Estado.
A aplicação deste “conceito inovador” vai contra todas as teses que conheço e já ouvi da boca dos gurus da gestão de pessoal, começando logo pelos dois pecados capitais: o centralismo da decisão que gera burocracia e demora na resposta às necessidades e a distância que é igual a desconhecimento e afastamento das realidades e dos problemas.
Eu penso que este “conceito inovador” não tem nem teve paralelo em nenhuma sociedade desenvolvida, pelo menos nos últimos cinquenta anos, nem sequer no expoente máximo do poder centralizado, a antiga União Soviética.
Gerir recursos humanos à distância sem conhecer em profundidade os serviços, é uma asneira sem tamanho.


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FOTOS

A woman walks past advertisements for designer clothes inside a shopping mall in Beijing December 13, 2006. Women on average say they would be willing to give up sex for 15 months for a closet full of new apparel, with 2 percent ready to abstain from sex for three years in exchange for new duds, according to a new survey of about 1,000 women in 10 U.S. cities. REUTERS/Claro Cortes IV

A woman walks past an abortion pamphlet in Lisbon February 6, 2007. Portugal will go to the polls in a referendum to decriminalise abortion in the first 10 weeks of pregnancy on February 11. The pamphlet reads, "The abortion is not solved in the court. The abortion is not solved in the prison. Vote Yes".
REUTERS/Nacho Doce

quinta-feira, fevereiro 08, 2007

A GESTÃO DOS POLÍTICOS

A insidiosa campanha promovida pelos políticos e secundada por alguns agentes alinhados com o poder político e económico, visando os funcionários públicos, a pretexto de privilégios, excesso de burocracia, baixa produtividade e custos excessivos, foi e é um logro que começa a ficar cada vez visível aos olhos dos cidadãos.
Os grandes privilegiados mantêm a prebendas e continuam instalados, a burocracia sempre dependeu e depende das leis e dos regulamentos que podem ser alterados, a produtividade depende das chefias e da organização podendo ser sempre melhorada e os custos não vão diminuir, pelo contrário, vão aumentar e o mais dinheiro vai sair dos bolsos dos cidadãos via impostos indirectos e taxas para tudo e mais alguma coisa.
A transferência de serviços para a esfera privada é objectivamente a transferência de custos para outra rubrica sem que signifique qualquer poupança, mas acarreta ainda a desresponsabilização do governo pela qualidade do serviço e pelos erros e omissões.
A saúde e a educação já começam a espelhar o que disse, tanto em custos como na qualidade do serviço prestado. De nada tem servido cortar serviços, na saúde por exemplo para diminuir os custos, pois as insuficiências começam a ser clamorosas e funestas para os utentes que mesmo pagando mais, cada vez tem piores e mais longínquos cuidados de saúde.
A bandeira social do governo, no caso dos funcionários públicos, é a de usar a estratégia do subsídio de desemprego como moeda de troca da reforma da administração pública. Esta táctica roça o conceito de chantagem, e, se ainda é possível, desprestigia uma classe política da qual os cidadãos nada de bom esperam.

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A VIDA E A MORTE
Actress Rachel McAdams and actor Ryan Gosling kiss on stage after winning the "Best Kiss" award for their screen kiss in the film "The Notebook" at the 2005 MTV Movie Awards in Los Angeles June 4, 2005. For everyone who's ever wanted to pucker up like a movie star, French kiss like Johnny Depp, or simply add variety to their love life, help is at hand. REUTERS/Fred Greaves


A pair of human skeletons lie in an eternal embrace at an Neolithic archaeological dig site near Mantova, Italy, in this photo released February 6, 2007. Archaeologists in northern Italy believe the couple was buried 5,000-6,000 years ago, their arms still wrapped around each other in a hug that has lasted millennia. REUTERS/Enrico Pajello

January 9, 2007 Lima, Peru It's the return of the mummies for one Peruvian museum. On January 11 the Museum of the Nation in Lima opened to the public a collection of Incan and Chachapoya Indian remains (such as the one seen here at a preview) from between A.D. 900 and 1500. The Chachapoyas, or "warriors of the clouds," lived in the cloud forests of the Amazonas region of modern-day Peru. Just before the arrival of the Spanish to the New World, the Inca conquered the Chachapoyas, though incorporating them into the empire was difficult because of fierce resistance...

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quarta-feira, fevereiro 07, 2007

NA PONTA DOS DEDOS

Referendo – Há alguns dias pronunciei-me num fórum contra a participação dos partidos neste referendo em particular. A minha opinião foi cilindrada por muitos dos participantes que chegaram até a pôr a hipótese de estar a limitar a sua liberdade.
Nos últimos dias assisti a políticos e jornalistas a dramatizarem a possibilidade de haver uma abstenção superior a 50%, apelando ao voto como Cavaco Silva, dizendo que a lei será para cumprir se o NÃO ganhar (José Sócrates) e que estaremos a dizer adeus para sempre, ao referendo, se virarmos as costas às mesas de voto (Ricardo Costa).
A intervenção dos partidos, na minha modesta opinião, foi castradora e originou que alguns cidadãos, na busca de protagonismo, tivessem radicalizado discursos para não serem abafados pela propaganda partidária, que beneficiou de verbas e outras condições que colocavam os movimentos cívicos em clara desvantagem.
Mais do que inconveniente, a participação partidária neste referendo, evidenciou-se o oportunismo político de quem nada fez via legislativa para resolver este problema social, vir agora com questões sobre a pergunta e com propostas de solução que não permitiram ser votadas antes da marcação deste referendo. Pura demagogia, com poucas excepções que só confirmam a regra.Voluntária ou involuntariamente os partidos estão a contribuir para que a democracia directa (o referendo) seja posta em causa, confirmando que só admitem uma partidocracia em que se sentem bem melhor, ao abrigo de ameaças exteriores aos aparelhos que dominam

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Denis Samson, de Québec - Ce canard qui sait prendre la pose est un habitué d’un étang artificiel «près de mon chalet, à Sainte-Catherine-de-la-Jacques-Cartier».


CARTOON

POUCA AFINAÇÃO



POUCA ATENÇÃO