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sexta-feira, novembro 02, 2018

O PORTUGAL DO AVESSO

A maior fatia do "investimento" nacional foi na banca falida, mas claro que é tudo a bem do povo, que os nossos políticos fazem sempre tudo a bem do povo!
 

terça-feira, março 06, 2018

TRABALHO E MÁ ORGANIZAÇÃO



Temos assistido, e lido, a ataques destemperados a quem trabalha, com argumentos como os de que trabalhamos poucas horas, temos muitas férias, ou que existem demasiados feriados, fazendo crer que os problemas de baixa produtividade, e baixa competitividade, residem nos trabalhadores.

O contraponto está no reconhecimento nos países estrangeiros, da qualidade dos trabalhadores portugueses, bem como da sua competência e diligência.

Claro que a realidade é sempre mais forte do que a mentira, por muito que esta seja repetida. Os portugueses estão muito dos dias de férias em vigor nos países mais desenvolvidos da Europa, também trabalham mais horas e ganham bastante menos.

Importa reflectir então como é que com esta realidade temos resultados tão fracos em termos de produtividade e de competitividade, e aí há que colocar algumas questões:

 - Será que as empresas declaram a totalidade do que produzem e do que ganham com o que produzem?
 - Quanto investem os empresários/empresas portuguesas em inovação ou actualização comparativamente com os seus rivais estrangeiros?
- Qual o grau de satisfação dos trabalhadores em Portugal e como comparam com os seus congéneres do mercado europeu?
- Estão as empresas nacionais dispostas a dar formação aos seus funcionários ou a apoiar as universidades e politécnicos para formar melhores profissionais?

Por vezes é bom saber o porquê das coisas, ainda que não seja muito popular colocar estas questões… A culpa nunca é do porteiro...


Acorda, pá!

sexta-feira, fevereiro 23, 2018

MAFRA E SARAMAGO



Uma das notícias do dia de hoje citava um estudo a publicar em breve segundo o qual “Mafra promove-se pouco através de Saramago, 20 anos depois do Nobel”.

Eu serei de algum modo suspeito ao dar a minha opinião, porque não gosto da escrita de Saramago, apesar de ter tido que ler dois livros do escritor, exactamente os que de algum modo estão ligados a Mafra, O Memorial do Convento e também O Ano da Morte de Ricardo Reis, este último que alguns tentam ligar ao primeiro estabelecendo paralelos que acho disparatados, mas enfim.

Sendo certo que apenas tenho uma opinião baseada no gosto, e que Saramago foi agraciado com o Nobel da literatura reduzo-me à minha insignificância e aceito que muitos possam pensar de modo diferente.

O que me parece exagerado é que se fale na falta de promoção de Mafra apenas através de Saramago, quando na realidade não existe nenhuma promoção de Mafra, ponto final. Creio que na matéria de promoção muito se podia fazer com desdobráveis em várias línguas a ser distribuídos no aeroporto, nos rent-a-car, nos hotéis, nas companhias aéreas e agências de viagens, para citar apenas alguns locais chave.

Uns vídeos promocionais para consumo interno e para oferecer a companhias de transporte aéreo e para oferta a cadeias de televisão estrangeiras, bem como o convite a agentes de viagens, a editores de guias turísticos de grande difusão, a jornalistas de grandes jornais e revistas com méritos na área de promoção de viagens e turismo, também não são de descartar.

Uma acção de sensibilização de operadores turísticos nacionais e estrangeiros, salientando a facilidade de deslocação de Lisboa ou Cascais e as boas vias de comunicação (não saturadas de trânsito), e as facilidades de estacionamento junto ao Palácio/Convento. Percursos diversificados de visita ao Real Edifício, adaptados à realidade dos operadores turísticos e dos visitantes espontâneos.

A recuperação do edifício, a limpeza das estátuas, o arranjo dos carrilhões, a manutenção dos órgãos (que se mostram “cansados”) e também uma melhor informação para os visitantes nos diversos suportes conhecidos, eram também bem recebidos. Fora do monumento identificar outros pontos de interesse, sejam eles na restauração ou nos serviços que tenham qualidade também ajudavam.

Se a tudo isto se acrescentar a obra e o Nobel de Saramago, nada tenho a objectar, ainda que não considere que só por si ela seja uma mais-valia que dispense a promoção da sua montra principal – o Palácio/Convento e Basílica de Mafra.    



quinta-feira, setembro 07, 2017

BALANÇOS NA CULTURA



O ano de 2017 ainda não chegou ao fim contudo existem alguns indícios de que havia algum dinheiro, que deu para comprar pinturas no valor de 5,5 milhões (segundo a imprensa), e já existe um comprometimento de mais de 3 milhões para a Fortaleza de Peniche, o que nem é mau para a área do Património.

O investimento nesta área da Cultura tem sido muito baixo, e os projectos em espera são bastantes, e as intervenções necessárias no Património são mais do que muitas, pelo que não consigo descortinar um ano de 2018 mais promissor do que os anteriores.

O Património pode render bom dinheiro, especialmente em tempos de abundância de turismo, como foram os últimos anos e se prevê que seja o próximo, mas é necessário investir em boa gestão, muita promoção inteligente, e na oferta de serviços de valor acrescentado nos museus, palácios e monumentos dependentes da DGPC.

Chefias pouco ambiciosas, falta de objectivos claros, tanto ao nível de investimento como de retorno em visitas e receitas, falta de organização, burocracias inexplicáveis e falta de recursos humanos nas áreas operacionais, são alguns dos problemas mais do que conhecidos, e a mudança é um imperativo…



O elevador da rainha

quinta-feira, maio 25, 2017

O ESTADO DA CULTURA OU A CULTURA DE ESTADO



A Cultura é, sem qualquer sombra de dúvida, o parente pobre de todos os governos em Portugal.


Os ansiados 1% do Orçamento de Estado nunca foi atingido, e nos últimos anos a fatia dedicada à Cultura tem minguado, afectando mesmo o funcionamento de museus, palácios e monumentos, que além de viverem num sufoco financeiro, viram o número de visitas aumentar enormemente.

Ouvir da boca do ministro da Cultura a admissão de apoio do Estado na realização do Festival da Eurovisão, é no mínimo caricato, porque o financiamento d televisão pública já é pago pelos portugueses, quer queiram, quer não, e pensar que ainda vai ser consignado mais dinheiro para um festival, causa uma fúria justificada.

O senhor ministro esqueceu-se de falar sobre o restauro dos carrilhões de Mafra, para os quais existiu verba consignada durante anos, por exemplo. Esqueceu-se também de sossegar os portugueses sobre a segurança, ou falta dela, devido ao mau estado dos carrilhões, que continuam apoiados em andaimes, porque a madeira que suporta os sinos está completamente podre.

Luís Filipe Castro Mendes deverá explicar-se sobre a Fundação Côa Parque, o seu estado e os problemas de segurança que ficaram bem evidentes com os actos de vandalismo recentes.

Que tal arranjar um tempinho para explicar as razões do descontentamento dos vigilantes de museu que já manifestaram o seu desagrado com uma greve e prometem não ficar por aqui.

Por último, pergunte-se ao senhor ministro se pensa que estão reunidas as condições mínimas de segurança para funcionários e visitantes nos museus que dependem da DGPC, e que formação foi ministrada nestes últimos 2 anos, no campo da segurança.


terça-feira, agosto 26, 2008

POBRE CULTURA

Qualquer cidadão mais ou menos atento já se apercebeu de que nos últimos anos “a fatia” do Orçamento de Estado destinado ao Ministério da Cultura tem vindo a diminuir na última década, e agora já é conhecido o corte para o próximo ano, que será de 24,5% na atribuição de verbas para este ministério.

Podia começar a dizer que as promessas de atingir os míticos 1% de dotação para a Cultura nesta legislatura, previstos no programa deste governo, foram um embuste, mas estaria a dizer o óbvio, que aliás ninguém, nem mesmo do governo veio negar.

Algum tempo depois de tomar posse, o senhor ministro da Cultura veio afirmar que pretendia fazer mais com menos dinheiro, e logo apareceram alguns que disseram que ia cortar no desperdício e outros que era o sufoco completo do sector. Os idealistas, que pensavam que haviam milagres de gestão só porque se alterava o ministro ficaram desiludidos, e os que conhecem o meio viram os seus receios quanto à penúria de meios, confirmarem-se.

Mas terá sido esta a razão da escolha deste ministro? Não creio, e podia voltar a tempos recuados para recordar que, ainda nos tempos em que estava na área do Ambiente, José Sócrates contribuiu para a criação da Parques de Sintra – Monte da Lua, e com isso saíram da esfera do Ministério da Cultura o Palácio Nacional da Pena e o Palácio de Monserrate. Mas também posso relembrar coisas mais actuais, como o plano da zona ribeirinha de Lisboa e o anúncio da construção do novo Museu Nacional dos Coches, feito por Manuel Pinho (?), e os rumores de que alguns museus e monumentos dessa zona também irão sair da esfera do Ministério da Cultura. Já agora, e porque também já é muito falado, Santa Clara a Velha continuará sob a actual tutela? Quais os planos para os monumentos, Mosteiro da Batalha, Convento de Cristo e Mosteiro de Alcobaça?

Não se conhecem as intenções reais do governo, mas com este desinvestimento anunciado começamos a acreditar que não há fumo sem fogo, e que o esvaziamento do Ministério da Cultura está em marcha só que não divulgam as reais intenções.





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CARTOON
Rodrigo

Bruno Taveira