Mostrar mensagens com a etiqueta Direitos Humanos. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Direitos Humanos. Mostrar todas as mensagens

terça-feira, julho 12, 2011

A NOSSA HIPOCRISIA

O nosso mundo tem sido invadido pelas teorias liberais, pela desregulação dos mercados e pela ambição sem limites pelo lucro e pelo sucesso.

O desejo de reconhecimento e de lucro não é em si mesmo algo de negativo, mas quando se torna uma obsessão e quando interfere com a vida dos outros, torna-se num perigo para a sociedade.

Os objectos que suscitam maior cobiça e maior procura no mercado são “oferecidos” pelas grandes marcas e são em geral fabricados nos países asiáticos. O fenómeno da deslocalização de inúmeras fábricas que operavam no mundo ocidental, para a Ásia aconteceu nas duas últimas décadas, por questões que se prendem essencialmente com a competitividade, ou melhor dizendo, com o baixo custo da mão-de-obra.

Quem usa um aparelho com uma maçã mordiscada ou com uma outra marca famosa de artigos electrónicos ou desportivos, talvez perca pouco tempo a pensar em que condições trabalham os operários que fizeram essas coisas. O preço é muito importante, é certo, mas será que é só o que conta?

Muitos destes artigos de marca que tanto disputamos são fabricados por trabalhadores explorados e mal pagos. A concorrência asiática baseia-se nisso, e nós que dizemos ser os paladinos dos direitos humanos nada fazemos para o denunciar, porque é mais fácil fingir que não sabemos de nada.


FOTOGRAFIA


CARTOON

sexta-feira, outubro 26, 2007

RAPIDINHAS

Pena de morte – Enquanto que pela Europa nos vamos batendo contra a pena de morte, eis que aparece a China a dizer que “quanto à pena de morte, países diferentes têm circunstâncias diferentes. As medidas concretas devem ser guiadas pelas condições específicas de cada país”. Como se alguma explicação possa justificar a crueldade que é tirar a vida a um semelhante, com um tiro na nuca.
Com esta posição a China mostra uma das facetas de falta de respeito pelos direitos humanos, mas diga-se de passagem que está bem acompanhada na justificação, com os chamados “perigos sérios”, pelos Estados Unidos, que recentemente viu mais um dos seus políticos receber o Nobel da Paz.
Portugueses são desconfiados e menos cívicos – Segundo a OCDE os portugueses são desconfiados e têm falta de civismo, classificando-se em 25º lugar entre 26 países. Estes estudos sobre os quais se tiram imediatamente conclusões económicas e filosóficas, fazem-me sorrir, porque nunca são aproveitados para se atacar as suas causas, que são quase sempre de ordem social e política.
Que dizer da “ausência de confiança generalizada nos outros e nas instituições”? E que os portugueses “acham legítimo receber apoios estatais indevidos, adquirir bens roubados, ou aceitar luvas no exercício das suas funções”? Claro que não são todos os portugueses, mas sim uma percentagem superior à registada noutros países.
A confiança depende da transparência dos actos, logo talvez não seja difícil tirar conclusões, já quanto aos apoios estatais indevidos ou as luvas, volto à transparência e às desigualdades e injustiças sociais, Não basta tirar apenas conclusões sobre os efeitos negativos para a economia, destas constatações, importa combater as razões da desconfiança e da falta de civismo.

*** * ***
FOTOS - FORMAS E CÔR
sila

Trond

*** * ***

CARTOON - IMPRENSA FRANCESA

Burki

Hermann

sexta-feira, setembro 21, 2007

A DEMOCRACIA ACHINESADA

A Europa que sempre se arrogou de pergaminhos no campo social e cultural, continua a pretender manter essa imagem de fachada, mas caminha a passos largos para uma ditadura económica, a que por eufemismo classifica de economia de mercado.
Desde que as ideologias cederam passo ao pragmatismo tecnocrático, deixámos de lado os princípios os princípios básicos do Estado Social e da protecção dos direitos individuais, conquistados com muitos sacrifícios na segunda metade do século XX.
O discurso político dos nossos dias, ainda que eivado de novos termos, faria corar de vergonha qualquer estadista europeu do século passado, pois incide exactamente nos princípios contra os quais lutaram durante décadas. Que diriam eles de um acordo comercial com a China, apesar das violações dos direitos humanos e da falta de direitos laborais naquele país? E qual seria a sua reacção quanto à possibilidade de perda de direitos e o desregular das leis laborais, a pretexto da competitividade com os mercados orientais onde a exploração do trabalho é uma realidade?
O poder político está claramente subordinado ao poder económico, é uma evidência gritante traduzida no discurso meramente economicista com que nos brindam, e a competitividade que defendem e almejam, assenta em desigualdades de direitos sociais gritantes, que conduzem a Europa e os europeus a um modelo que é o chinês, e de que os cidadãos se começam lentamente a aperceber.
Será que os cidadãos europeus vão aceitar pacificamente esta “democracia achinesada” que os governos pretendem implementar?

*** * ***
FOTO - PORTUGUÊS?
Facho? by ~oOniKkiOo

*** * ***

DESENHOS E CARICATURAS
Nelson Santos

Criswahlart

quinta-feira, setembro 13, 2007

NÃO HÁ PRESSÕES

É muito aborrecido ouvir no mesmo dia, o ministro dos Negócios Estrangeiros português dizer que não houve qualquer pressão do governo da China quanto à visita do Dalai Lama, e um representante desse mesmo governo expressar o seu desagrado pelo tipo de recepção que o Parlamento português lhe vai dar. Infelizmente, para Luís Amado, ainda está bem presente na memória dos portugueses o que se passou na última visita do Nobel da Paz a Portugal.
O que já foi apelidado de “real politik” por alguns comentadores, infelizmente bastante comum nos países ocidentais, não é mais que a demonstração do que é evidente há alguns anos, a subordinação do poder político e dos princípios em relação aos poderes económicos.
Este episódio não me mereceria muitas mais palavras, se a sua origem, a que acabei de aludir no parágrafo anterior, não estivesse a afectar radicalmente toda a civilização ocidental. Para que todos se possam situar nesta questão, recordo-vos que há algum tempo foi celebrado, e elogiado, um acordo pela Organização Mundial do Comércio com a China, abrindo ainda mais as fronteiras ao comércio com este gigante oriental. Falou-se abundantemente das vantagens económicas, do mercado potencial que é a China, e nos preços dos produtos que iriam baixar. Um discurso inteligente para qualquer sociedade de consumo, sem qualquer dúvida.
Mas deste acordo tão celebrado, haviam também muitos outros aspectos que não foram devidamente valorizados, intencionalmente, penso eu. Os direitos humanos naquele país continuam a ser violados, e não me refiro apenas às liberdades. O que dizer das condições laborais dos trabalhadores chineses?
É lá longe, é um assunto interno da China, pensaram muitos. Pois é, mas as consequências não tardaram, e muitas ainda estão a acontecer, mas são atribuídas à “conjuntura económica”. As fábricas foram fechando, o desemprego aumenta a olhos vistos e a economia europeia não cresce de modo a compensar os factores negativos. Acham pouco? É que há mais. Os direitos laborais “evoluíram” ou “adaptaram-se” segundo alguns, para a precariedade e para a desregulamentação “para permitir a competitividade”. Traduzindo por miúdos, ou aceitam as condições impostas ou o poder económico ameaça descaradamente com a deslocalização das empresas para outras paragens onde os trabalhadores não têm direitos.
Tudo isto a propósito da visita do Dalai Lama a Portugal e pela postura do governo português, dirão vocês. É, meus amigos. Por vezes são os pormenores que nos fazem reflectir mais.

*** * ***
FOTOS - FLORES
Dew by Buble

flower II by lostknightkg

*** * ***

CARTOON
Sergei

Erdogan Başol

segunda-feira, setembro 10, 2007

AS NOSSAS CHINESICES

As autoridades portuguesas decidiram não receber oficialmente o Dalai Lama, Prémio Nobel da Paz, por razões “óbvias”. Perante a ausência de explicação oficial sobre as tais razões “óbvias", os portugueses entendem, que são sobretudo razões económicas e políticas.
Não creio que esta atitude seja aceitável, embora também seja seguida por outros países ocidentais, tanto mais que a Europa tem tentado elevar a bandeira da defesa dos direitos humanos, e esse gesto que lhe fica muito bem, logo se esvazia com acções deste tipo.
É também muito estranho que esta situação se verifique, precisamente na mesma altura em que, Maria José Nogueira Pinto começa uma campanha virada contra a presença das lojas chinesas no coração da baixa Lisboeta.
Não é compreensível, especialmente no campo diplomático e da “real politik”, que estas duas atitudes coincidam no tempo, nem que se pretenda castigar pessoas pela sua origem e actividade, chineses neste caso, e se deixe passar em branco a violação dos direitos humanos praticada pelo seu país. Não estamos perante a “real politik” como alguns nos querem fazer crer, mas sim perante a mais baixa hipocrisia política.

*** * ***
CARICATURAS - DAS MELHORES
By Paffaro
In Mackey cartoons

By Sebastian Kruger