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quarta-feira, maio 15, 2019

PARA QUE SERVEM DOIS MUSEUS DOS COCHES?

Há uns anos o Estado, através das suas instituições competentes, decidiu mandar construir um novo edifício para transferir os coches do Antigo Picadeiro, de modo a poderem ser melhor fruídos pelos visitantes. A decisão foi controversa e muitos, como eu, acham que o novo edifício em nada beneficiam tão belas e ricas viaturas antigas.

O que nunca foi compreendida foi a manutenção de alguns coches no antigo edifício, que continua aberto ao público com algumas intermitências devido a cedências de espaços para cerimónias oficiais, ou mesmo eventos de natureza particular.

Hoje decidi publicar aqui uma imagem do suplemento do jornal Público, onde se vêem mesas a poucos metros da exposição de coches, no magnífico edifício do Picadeiro, certamente tirada numa cedência de espaços.

Recordo que uma exposição de carros eléctricos nos dois espaços onde pontuam os veneráveis coches, mereceu um coro de críticas, onde pontuavam palavras tais como "vergonha"ou "mercantilismo". Enfim, o Património serve para muitas coisas mas lucra muito pouco com isso.
Será que o Picadeiro está aberto para ser usado como salão de festas? Será que não há falta de pessoal no Museu dos Coches (novo)? Não merecerá o velho edifício ser beneficiado com umas obras de restauro e depois ser utilizado com a devida dignidade? 


sexta-feira, março 11, 2016

FALEMOS DE DIGNIDADE

Portugal é um país que atravessa graves dificuldades económicas, e dizem-nos que foi por esse motivo que os impostos aumentaram, os salários e pensões ficaram congelados, sofremos cortes nos rendimentos, e passámos a pagar mais pelos serviços que o Estado fornece,

Os sacrifícios pedidos são muitos, as dificuldades também, mas por vezes conhecemos umas coisas que parecem contrariar este discurso. Cavaco Silva é um exemplo das dúvidas que assaltam muitos portugueses no que respeita à equidade dos esforços para resolver a crise.

Num República e num regime democrático como se diz que somos, a dignidade dum antigo político custa muito mais do que a de dezenas de cidadãos comuns, e não me consta que Cavaco Silva com as suas reformas tivesse necessidade duma subvenção vitalícia (5.799 euros) para viver com dignidade. Patamares de dignidade não me parece que seja um tema que se possa discutir neste país onde o salário mínimo é 530 euros.



sábado, novembro 03, 2012

A NOÇÃO DO LIMITE



O movimento extraordinário de levantamentos de dinheiro, por parte dos particulares, no passado mês de Setembro, é um indicador muito claro de que já se foi muito para além do razoável e suportável, no que respeita a austeridade.

Já muitos o tínhamos dito mas o governo não parece ter entendido do mesmo modo. Sabe-se que o mês de Setembro costuma registar alguma corrida às poupanças, por causa das férias e do recomeço da escola, mas esse movimento costuma restringir-se aos depósitos à ordem, e não aos depósitos a prazo como agora se verificou.

Os rendimentos do trabalho, as pensões e os subsídios de desemprego já não garantem a simples subsistência das famílias com alguma dignidade. O que se prevê para 2013, de acordo com o Orçamento de Estado recentemente aprovado na generalidade, é ainda mais austeridade e mais impostos.

Sem políticas de crescimento e de investimento, só se poderá fugir ao desemprego emigrando, como aliás está a acontecer a um ritmo preocupante. Aos portugueses só lhes resta tudo fazer para derrubar este governo que já mostrou a sua incompetência para enfrentar as dificuldades que Portugal enfrenta.



domingo, maio 30, 2010

CREDIBILIDADE

A falta de credibilidade deste governo é uma realidade que já ninguém coloca em dúvida. A palavra do 1º ministro não convence, a bondade das medidas de contenção orçamental não convencem, e as preocupações sociais de que se arroga o executivo são uma treta.

Num simples fim-de-semana temos o Chico Buarque a desmentir José Sócrates, temos a ministra do Trabalho a dizer que quer a concertação e não a contestação, ignorando que a polícia arreou a torto e a direito a manifestantes por razões que nada tinham a ver com eles nem com a contestação. Acham pouco?

O que dizer dum governo que corta nos apoios sociais aos desempregados, numa altura em que o desemprego está em níveis altíssimos, mas que alarga os apoios à banca?

Li algures que a contestação não vai atingir níveis idênticos aos da Grécia. Será mesmo assim? Olhem que a fome é má conselheira, e mesmo a caridade está a fraquejar.

Num país normal, com políticos íntegros e verdadeiramente preocupados com a situação dos cidadãos, um governo sem credibilidade e incapaz de inverter a situação, a demissão imediata era a solução lógica. Num país normal...



IMAGEM SUGERIDA
Poster da II Guerra Mundial


CARTOON
Felino camaliónico

Juro que não é meu!...

segunda-feira, março 24, 2008

QUESTÕES DE DIGNIDADE

Desta vez é de Espanha que vem o aviso “espanhóis vão fazer greves por portugueses”. Sei que alguns vão torcer o nariz, argumentando que tudo não passa de um aviso para a falta de trabalho para os próprios espanhóis, mas eu penso que é algo mais do que isso.

Nos últimos tempos temos assistido um pouco por toda a Europa à desregulamentação das leis laborais, acompanhada pela grande abertura à emigração, defendida por alguns sectores que tradicionalmente não o costumam fazer. Claro que me refiro a algum patronato que tem aproveitado a deslocação massiça de emigrantes, aos quais simultaneamente é dificultada a legalização, o que os transforma num grande contingente de mão-de-obra barata, sempre disponível ainda que com salários e condições de trabalho inferiores às que estão instituidas.

Em Espanha temos muitos compatriotas nossos, que recebem salários inferiores aos estipulados e trabalham mais horas do que as normais. Claro que são empurrados para estas situações devido ao desemprego em Portugal, e aos ainda mais baixos salários praticados deste lado da fronteira. Mas há que ter em conta que os salários em Portugal também estão a ser pressionados para baixo, devido ao elevado número de emigrantes à procura de legalização que se vão sujeitando aos baixos salários.

Este carrossel de emigração em busca de melhor situação, tem feito baixar o custo da mão-de-obra, mas não se tem reflectido de igual modo no custo de vida que obedece a uma outra lógica que comanda os mercados. Temos assim que o custo do trabalho tende a nivelar-se por baixo, enquanto o custo de vida segue em sentido contrário, especialmente em países como o nosso, com uma economia fraca e altamente dependente das importações, mesmo de bens alimentares.

Prefiro encarar esta atitude dos sindicatos galegos como uma reivindicação pelo respeito escrupuloso das leis laborais, e da defesa dos direitos de quem trabalha, em vez criticar sem fundamento a sua atitude.

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BELEZA EM IMAGENS
Øyvind Hansen

Lars Klottrup

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CARTOON

Jimmy Margulies

Mike Keefe

terça-feira, fevereiro 26, 2008

TEMOS MUITA POBREZA

A pobreza em Portugal é um sério problema, não porque o senhor ministro Vieira da Silva o disse quando confrontado com os números constantes do relatório da Comissão Europeia, mas porque as políticas de rendimentos de sucessivos governos se mostraram erradas.

Ainda recentemente o governo veio anunciar que a taxa de pobreza tinha caído dois pontos, baseando-se em indicadores muito discutíveis do Instituto Nacional de Estatística, mas a realidade contraria em absoluto esses números. Hoje em dia já não temos só risco de pobreza devido ao desemprego (outra praga), ou nas famílias mono parentais, esse risco alastrou também às famílias com empregos, devido às políticas de baixos salários praticadas em Portugal.

As políticas de rendimentos são efectivamente o maior falhanço da governação, porque baseia a competitividade apenas nos baixos salários e na precarização do emprego, adiando a modernização das empresas, não incentivando a produtividade e obrigando a um maior esforço fiscal, dos que menos auferem, para arrecadar os impostos de que o governo não abdica.

Ficou bem patente nas palavras do ministro do Trabalho e da Segurança Social, que esta política de baixos salários é para prosseguir, quando assinalou que a consciência da realidade levou o executivo a investir na rede de equipamentos sociais, especificando as creches, o reforço do abono de família e o complemento solidário, como resposta às famílias.

Talvez o governo não tenha a percepção do problema, nem da sua dimensão, se continua a pensar em criar um sistema meramente assistencial. Os portugueses não querem propriamente viver de esmolas, ou exclusivamente dependentes das ajudas da segurança social, nem isso é sustentável. Os portugueses querem empregos com salários dignos, e a diminuição da precariedade do mesmo. Exigem também a diminuição das desigualdades sociais derivada de uma má redistribuição da riqueza, factor que nem as estatísticas oficiais retratam na sua verdadeira dimensão.

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PINTURA
LIGHTHOUSE by *Leonidafremov

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CARTOON

Steve Sack

R.J. Matson

Hic