quinta-feira, junho 21, 2018

UMA VAGA DE MUSEUS

Ainda continua a polémica em torno do anunciado Museu das Descobertas, ou dos Descobrimentos, e já começou outra discussão, agora sobre o Museu do Terramoto.

Nos dois casos acima mencionados está envolvida a Câmara Municipal de Lisboa, sendo que no primeiro a ideia terá partido do próprio presidente, e no segundo existe já uma cedência de espaço camarário em zona nobre de Lisboa para a sua implementação.

Sobre o primeiro museu, o das Descobertas, já manifestei a minha opinião, e curiosamente sobre o segundo, o do Terramoto, a opinião é quase a mesma.

Quando questionado sobre o projecto do Museu do Terramoto, Ricardo Clemente (um dos promotores da ideia) afirmo que não queria estar preso a uma catalogação, acrescentando que “não é definitivamente um museu, nem um centro de interpretação como estamos habituados a ver, é uma mistura de alguns destes ingredientes”.

Curiosamente a mesma definição também me foi sugerida quando perguntei, a respeito do Museu das Descobertas, sobre o seu acervo e sobre a mensagem que se queria transmitir.


Está visto que são duas ideias pouco definidas e muito pouco trabalhadas, que podendo ser potencialmente estimulantes, não têm ainda pés para andar. Há tanto que fazer pelos museus e monumentos já existentes que não faz sentido perder mais tempo e energias com estes projectos ainda em estado embrionário.












A ideia terá partido daqui?

terça-feira, junho 19, 2018

MIGRANTES E RACISMO NO OCIDENTE

O chamado mundo ocidental, grande arauto da Liberdade, da Democracia, e da defesa dos Direitos Humanos, afunda-se na confusão e nos populismos com características bem próximas dos extremismos que alimentaram o tão odioso fascismo que muitos julgavam morto e enterrado.

Nos Estados Unidos pontua um dirigente arrogante e completamente desequilibrado, que se julga o dono da verdade e o senhor do mundo, que além de desestabilizar o mundo criando situações políticas e económicas, também mostra um absoluto desprezo pelos Direitos Humanos, como se pode constatar com a política de “tolerância zero”, que está a originar a separação de famílias migrantes com o espectáculo degradante que as redes sociais divulgaram.

Na Europa o exemplo maior vem da Itália onde o ministro do Interior Matteo Salvini manifesta a intenção de fazer o recenseamento dos ciganos em Itália, com o intuito de expulsar todos os que estejam em situação irregular, e chegou mesmo a acrescentar que “quanto aos ciganos italianos, talvez tenhamos de ficar com eles”, mostrando claramente o seu desgosto.


A continuarmos assim, o futuro não augura nada de bom para o mundo… 


domingo, junho 17, 2018

OS PORTUGUESES E O PATRIMÓNIO

Portugal continua a ser, dos países europeus, um dos que compara pior com os seus parceiros, no que respeita a visitantes nacionais nos seus museus e monumentos, ficando mesmo a cerca de metade da média europeia.

Por um lado temos a registar um aumento das visitas aos museus e monumentos, mas sobretudo à custa do aumento de estrangeiros e das visitas grátis, o que é sintomático. Apesar do aumento total de visitas o número de funcionários não subiu na mesma proporção, apesar de algumas admissões, porque também se verificaram saídas por aposentação, e saídas para outros ministérios, que dispararam nos últimos anos.

Um dado curioso é o das receitas geradas neste sector, que apesar da escassez de recursos humanos, especialmente no acolhimento dos visitantes, é muito significativo no panorama das receitas geradas pelos diversos sectores culturais.

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sexta-feira, junho 15, 2018

A AUTO FLAGELAÇÃO LUSA

A propósito do nome dum hipotético museu, cuja designação podia ser “Museu das Descobertas”, ou “dos Descobrimentos”, surgiram vozes e textos de quem se insurgia contra qualquer das designações, por acharem que qualquer dos nomes era incorrecto, e poderia ofender povos com os quais convivemos no passado, e que dominámos praticando actos que hoje condenamos, enquanto sociedade civilizada.

Já manifestei em vários locais a minha opinião, sou contra a censura (trata-se disso) destes nomes, só porque alguns de nós se pretendem autoflagelar por factos praticados por portugueses há centenas de anos. O mundo mudou, as consciências também, e a verdade é aquilo que nós devemos deixar ao mundo, pois será ela que nos redimirá.


Como diria Millôr Fernandes, “há duas coisas que ninguém perdoa: as nossas victórias e os nossos fracassos”. Neste caso o nosso fracasso será escamotear a História de algum modo, só porque não assumimos o que os nossos antepassados fizeram, só porque hoje isso não é politicamente correcto.


quarta-feira, junho 13, 2018

AS PROMESSAS DA CULTURA PARA MAFRA EM 2018

O ano de 2018 pode vir a ser um ano em grande para o Real Edifício de Mafra e para a Cultura no concelho, porque as promessas são várias faltando só ver tudo cumprido.

O Tricentenário foi celebrado em 2017 e muita gente lamentou que no Palácio de Mafra não tivessem tocado os dois carrilhões, característica única do monumento, só partilhada pelos seis órgãos da Basílica.

Este ano prevê-se que comecem os trabalhos de recuperação dos carrilhões, que seja instalado um elevador no monumento, e por último a instalação do espólio do barroco sacro e profano do século XVIII, bem como um sector dedicado às bandas filarmónicas e militares.


Por enquanto são tudo promessas por realizar, mas nada como esperar, pois até ao fim deste ano ainda há tempo para se poder aquilatar da vontade política em cumprir honrar a palavra dada.  


segunda-feira, junho 11, 2018

RELIGIÃO

O comportamento ético do homem deve basear-se eficazmente na compaixão, na educação e nos laços sociais, e não necessita de base religiosa. Triste seria a condição humana se os homens precisassem de ser refreados pelo temor do castigo ou pela esperança da recompensa depois da morte.

Albert Einstein


sábado, junho 09, 2018

CULTURA ESQUECIDA DA MEDICINA NO TRABALHO


Num círculo de amigos, todos já entradotes, a conversa encaminhou-se para as doenças e para as queixas que quase todos temos e nem sempre tornamos públicas.

O pessoal, todos na casa dos sessentas, foi falando do assunto e veio a lume o modo como cada entidade patronal encara a saúde dos seus funcionários, o modo como vai gerindo o seu envelhecimento, e como se comporta atendendo às suas obrigações.

Alguns de nós já alcançaram a reforma, ou porque estavam em boas empresas, ou porque aproveitaram bons tempos para o fazer. A maioria ainda está no activo, em empresas que aproveitam bem a experiência e em trabalhos com menos desgaste físico, em profissões liberais, mas também alguns em entidades sem qualquer consideração pelos colaboradores (como gostam de dizer), estagnados nas suas carreiras e sem qualquer alívio nas funções mais desgastantes, bem como sem qualquer respeito pelas obrigações legais.

É sintomático constatar que é precisamente no Estado, mais concretamente (no grupo que frequento), na Cultura (museus, palácios e monumentos) que chegámos à conclusão que NUNCA, os funcionários tiveram ocasião de ser observados pelo médico da Medicina no Trabalho, nem foram mandados fazer exames tão simples como um electrocardiograma, ou umas análises ao sangue e à urina.

No grupo restrito dos museus, monumentos e palácios, éramos 3, e em conjunto passámos por 6 serviços diferentes, sendo que nenhum de nós tem menos de 30 anos de serviço na área, o que não abona nada de bom para o Ministério da Cultura, que pelos vistos tem problemas em cumprir a legislação vigente, também nesta matéria.   


domingo, junho 03, 2018

A PRIVACIDADE DOS RICOS

Há muito tempo que discordo com as opiniões de António Barreto, mas quando ele vem afirmar que “é difícil perceber por que razão é moralmente aceitável publicitar as dívidas dos ricos e não as de toda a gente. Ou por que será razoável divulgar qualquer dívida que seja”, então as nossas diferenças de pensamento ainda aumentam mais.

Falava o pensador, ou filósofo, a propósito de haver quem deseje, melhor, exija, que sejam divulgados os nomes dos grandes devedores (cujas dívidas foram consideradas incobráveis), da Caixa Geral de Depósitos e dos bancos que recorreram a dinheiros públicos para se aguentarem no mercado.

O argumento da igualdade até podia colher, mas não existe essa igualdade, não só perante a banca, como também perante a Lei.

O senhor AB começa por não perceber que estamos a falar de pessoas que tiveram acesso a montantes de dinheiro que nunca estariam ao alcance de nenhum cidadão normal, pelo que é do mais elementar interesse público saberem-se os nomes dos grandes devedores, pois seria fazer meio caminho para se perceber quem permitiu esses empréstimos, e talvez por que razão.


Quanto à razoabilidade da divulgação de dívidas, creio que AB tem andado muito distraído, pois o fisco já o faz há bastante tempo e nunca se ouviu da sua boca, ou da sua pena, uma palavra de condenação.


sexta-feira, junho 01, 2018

quarta-feira, maio 30, 2018

NÃO SOU RICO, MEUS SENHORES

Surpreendentemente, ou talvez não, a notícia de que o “governo, patrões e UGT de acordo nas alterações à lei laboral” e a outra segundo a qual “Portugal tem o gás mais caro da UE e o preço da luz é o segundo mais alto”, não foram dadas em sequência em nenhum telejornal das nossas televisões, mas sim com algumas notícias diversas de permeio.

Pode parecer que as duas notícias não estão relacionadas, mas pode não ser mesmo assim.

O patronato nacional estica cada vez mais a corda, acenando com o possível aumento do desemprego, dizendo que as empresas não suportam salários mais altos nem as empresas podem admitir mais funcionários nos seus quadros. O custo do trabalho vem sempre à baila, como se só estes tivessem influência nos custos globais das empresas.

Se juntarmos as duas notícias vemos que é evidente que a energia é um custo a ter em conta, e que neste campo os empresários portugueses estão em desvantagem clara com os concorrentes europeus, ao contrário dos custos salariais, que não alinham pelos valores mais altos, mas sim pelos mais baixos.  


Outra informação que torna isto mais evidente, prende-se com o preço dos combustíveis rodoviários, que também estão entre os mais altos, em termos de paridade do poder de compra, sabendo-se que muitas das nossas exportações (e importações) dependem do transporte rodoviário. 


segunda-feira, maio 28, 2018

O DISCURSO DE COSTA

Ouvir António Costa acenar à juventude, especialmente à que saiu do país, com salários mais justos e comparáveis com os praticados nos países europeus, é simplesmente risível.

Portugal é um país onde o Estado paga mal aos seus funcionários, e onde os empresários seguem o (mau) exemplo dado pelo Estado. 

A pergunta que importa fazer é se alguém acredita que o ministro Centeno aceita e apoia a ideia do seu chefe...


sábado, maio 26, 2018

QUEREM MESMO QUE ACREDITEMOS?


No meu giro pelas notícias dos jornais portugueses dei com um título interessante, “restaurantes, hotelaria e hipers pedem refugiados”, e como não podia deixar de ser, lá fui eu ler a “anedota”.

Comecei por me rir ao ver a gerir o projecto uma entidade , o Alto Comissariado para as Migrações, e o nome de alguns parceiros da iniciativa, como sejam a Portugália, Teleperformance e Hard Rock Café.
Foi muito “tocante” ver que a preocupação dos criadores do projecto “ é que essas pessoas (os refugiados) ganhem o mais rapidamente autonomia, o que se consegue pela via do emprego”. Quem pode criticar semelhante afirmação?

A realidade pode ser muito cruel, e neste caso é definitivamente impiedosa. Os restaurantes, a hotelaria e os hipers são, na sua maioria, dos sectores que mais mal pagam e que mais trabalhadores precários empregam.

Se estes empresários têm, de facto, preocupações sociais, então porque não empregam, com salários dignos, boa parte dos trabalhadores que por lá passaram com contratos precários e com habilitações mais do que suficientes para as funções que desempenham? Noutro olhar mais realista, será que estes refugiados, devido à sua situação de fragilidade, não servirão apenas para engrossar a mão-de-obra barata que é tão procurada por maus empresários?
~
Podemos ter um grande coração, e até ser crédulos, mas esta iniciativa cheira muito a esturro!

quinta-feira, maio 24, 2018

COMBUSTÍVEIS, DEMAGOGIA E POLITIQUICES


O aumento do preço dos combustíveis é uma boa arma de arremesso da política, e dos políticos, mas tudo depende de que lado da trincheira estão os críticos.

Todos os governantes consideram os combustíveis como um meio de obter mais receitas através dos impostos indirectos, porque muito erradamente tem-se feito passar a ideia de que o automóvel é um objecto de luxo.

Existem alguns factos que importam reter para se poder opinar sobre o assunto (os impostos sobre os combustíveis), porque são muito importantes.

Podemos começar pela injustiça que representam os impostos indirectos, que afectam de igual modo os mais ricos e os mais pobres, sem qualquer tipo de progressividade que é o apanágio dos impostos sobre os rendimentos, esses sim com salvaguardas para os mais desprotegidos.

Outro facto sobre os preços dos combustíveis é que eles influenciam de forma determinante a produtividade e os preços dos produtos, tanto para o mercado interno como para exportação.

De notar que Portugal é um país que depende muito do transporte rodoviário para a movimentação de mercadorias, e que também não temos um sistema de transportes públicos que se possa considerar minimamente eficaz.

Para não me alongar muito, talvez seja bom terminar com o facto de ainda há poucos anos, e por causa da queda dos preços do crude, o governo decidiu introduzir um adicional, ou uma sobretaxa, ao preço dos combustíveis, para não perder nos impostos esperados, dizendo que essa sobretaxa poderia ser revertida ou actualizada em função da evolução dos preços da matéria-prima, mas tal não aconteceu, de facto.

Faz algum sentido manter-se a austeridade nestes moldes? Será que as promessas dos nossos governantes ainda merecem algum crédito?



quarta-feira, maio 23, 2018

BEIRA - MOÇAMBIQUE 1965 (Cont.)


O desembarque inglês foi suspenso por Harold Wilson, para evitar um embate entre aliados de séculos pois ficou claro que Salazar não iria retroceder.
A frota inglesa voltou para águas internacionais e começou um bloqueio naval ao tráfego marítimo com destino à Beira, sendo apenas permitido que passassem os navios de mercadorias com mercadorias de e para Moçambique, Todos os navios com mercadorias para a Rodésia eram impedidos de entrar no porto da Beira.

Portugal decidiu reforçar a forças terrestres e aéreas na zona, com mais militares e aviões mais modernos (Fiat G91 e F84), bem como peças de artilharia, que equilibravam as duas forças, a inglesa e a portuguesa.

Por esses dias um petroleiro denominado Iona V, de cerca de 12.000 toneladas, carregado de crude para uma refinaria da Rodésia, chegou próximo das águas territoriais portuguesas ao largo do porto da Beira.

O plano inglês era de paralisar a Rodésia por falta de combustíveis, mas Salazar decidiu contrariar os ingleses, não permitindo a interdição de acesso ao porto da Beira.

Uma fragata e um draga-minas que estavam fundeados na Beira, receberam ordens para zarpar e ir buscar o petroleiro bloqueado pela armada inglesa. Os navios partiram e foram colocar-se um de cada lado do petroleiro, de modo a que se os ingleses quisessem impedir o navio de rumar à Beira, teriam de disparar sobre os vasos de guerra portugueses.

As ordens emanadas de Londres foram para não se abrir fogo, e o petroleiro grego foi então o primeiro a furar o bloqueio imposto pelos ingleses. Harold Wilson percebeu que Salazar jamais permitiria este embargo, e mandou retirar a sua força naval.



segunda-feira, maio 21, 2018

BEIRA - MOÇAMBIQUE 1965

Em finais de 1965, o primeiro ministro do Reino Unido, Harold Wilson, decidiu entregar o governo da Rodésia (do Sul) à maioria negra como já o fizera na Rodésia do Norte (Zâmbia) e com a Niassalândia (Malawi).

A população branca na Rodésia que era de cerca 250 mil pessoas, decidiu que Ian Smith seria o primeiro ministro de Uma Rodésia independente, governada por brancos, à semelhança do que acontecia na África do Sul, país que imediatamente apoiou a declaração unilateral de independência.

O governo inglês enviou de imediato uma força militar constituída por um porta-aviões, três fragatas e uns cinco navios de apoio, com a missão de desembarcar na Beira (Moçambique), porto marítimo e a única via de abastecimento e escoamento de produtos da Rodésia, para depois seguir para aquele território para impor à força a aceitação de um governo negro.

Os rodesianos brancos pegaram em armas dispostos a defender o o governo de Ian Smith, e enviaram mulheres e crianças para Moçambique e para a África do Sul, estando assim preparados para resistir à potência colonizadora.

Salazar não hesitou perante a possibilidade da abertura de novas frentes de guerra em Tete e em Manica e Sofala, fronteiras à Rodésia.
As ordens foram dadas às forças portuguesas com base na Beira, no sentido de impedir a todo o custo o desembarque de tropas inglesas. A bateria da costa, desactivada há mais de uma dezena de anos, foi reactivada, peças de artilharia móvel fora deslocadas para a a foz do Pungué e foram colocadas em locais estratégicos peças de artilharia antiaérea.

A cidade da Beira foi preparada para resistir a qualquer ataque dos ingleses, havendo mesmo treinos para protecção da população civil (lembro-me bem dos que foram feitos nos Maristas).

A frota inglesa entrou em água territoriais pensando que os portugueses não lhes fariam frente, quer por serem aliados, mas também porque as suas força eram manifestamente inferiores em poderio militar.

O envio de dois aviões T-6 Harvard, que dispararam rajadas de aviso para a água, à frente da esquadra inglesa, deu a perceber estabelecer uma testa-de-ponte para atacar a Rodésia, na Beira, não ia ser uma tarefa pacífica.

Meia dúzia de caças e uns poucos bombardeiros, todos da segunda guerra, não eram capazes de fazer frente a meia centena de caças-bombardeiros modernos, nem ao poder de fogo das fragatas da força naval, mas ficou claro que os portugueses iriam dificultar as intenções britânicas.


As pontes mais importantes, que ligavam a Beira à Rodésia foram armadilhadas, e havia ordens para as destruir em caso de desembarque inglês.

Continua no próximo post

Beira, estação de caminhos de ferro

sexta-feira, maio 18, 2018

MUSEUS FESTAS E REALIDADES

Somos todos favoráveis às comemorações do Dia Internacional dos Museus, e da Noite Europeia dos Museus, com o espírito de promover, junto da sociedade, uma reflexão sobre o papel dos museus, como aliás era o espírito do Conselho Internacional dos Museus quando em 1977 criou o Dia Internacional dos Museus.

As iniciativas mais fáceis são sem qualquer dúvida, a concessão de entradas gratuitas, meia dúzia de visitas guiadas, e a extensão dos horários. É tudo muito popular e não é muito popular colocar objecções, mas elas existem.

A penúria com que se debatem os museus, monumentos e palácios dependentes da DGPC, é evidente, ainda que poucos directores se atrevam a denunciar a realidade, preferindo não levantar ondas. O que devia ser feito, como exposições, investigação, melhorias na informação e na comunicação, mais conservação preventiva e muito mais, tem sido adiado e está quase esquecido nos gabinetes do poder.

Existe alguma, pouca, preocupação em, pelo menos, manter os espaços abertos ao público, quase sempre com muita falta de pessoal que assegure a vigilância dos espaços e das colecções. Não se consegue fixar pessoal nestas tarefas com as exigências necessárias de habilitações, praticando-se salários de 685 euros, e horários tão maus, que incluem sábados e domingos (sem qualquer pagamento extraordinário) e feriados. Quem aí ingressa rapidamente pede transferência ou concorre para outros serviços com horários mais decentes, e possibilidades de uma carreira.

As visitas guiadas, nestes dias de festa existem, mas experimentem solicitá-las noutros dias, especialmente aos sábados, domingos e feriados e verão a dificuldade em as obter, mesmo pagando.

Deixei para o final as Noites dos Museus, porque aí temos o inimaginável, porque os funcionários são escalados para trabalhar, a troco de tempo e não de dinheiro, quando a opção devia ser dos trabalhadores e não dos serviços, e considerando que muitos entram ao serviço às 9h30m, só estarão livres depois das 24 horas, sendo que se terá de apresentar ao serviço no dia seguinte às 9h30m. Note-se que nem faço contas aos tempos de deslocação entre a residência e o local de trabalho.


Os senhores directores dos serviços (pelo menos alguns), e a direcção da DGPC, não podem argumentar com o desconhecimento da Lei, mas insistem nesta prática , o que é lamentável.