quarta-feira, agosto 15, 2018

domingo, agosto 12, 2018

PORTUGUESES DE ONTEM E DE HOJE


Quando se manifestam por aí uns quantos sábios, pregando que os nossos antepassados foram uns cruéis piratas, que aterrorizaram povos de paragens então distantes, e depois os subjugaram, escravizaram e exploraram, cada vez mais estrangeiros, e de todas as paragens, procuram Portugal para visitar, viver ou investir.

O povo português enfrenta hoje inúmeros problemas, tal como no passado, mas com altos e baixos naturalmente, nunca fomos piores do que os outros, apesar do nosso espírito latino, impulsivo e bastante desorganizado.

As razões que fazem de Portugal um país bastante procurado, não são a nossa riqueza, ou outros valores materiais, com toda a certeza, mas sim a nossa maneira de lidar com todos, a nossa tolerância, e a segurança, apesar do que dizem os tais sábios. A nossa maneira de estar no mundo nada tem que ver com o que dizem esses senhores, por muito que isso lhes custe.



sexta-feira, agosto 10, 2018

UMA SALA SALA DE JANTAR NO PAÇO DE SINTRA

Há alguns dias publiquei aqui umas fotos de recriações de mesas reais, sendo que uma delas era do antigo Paço Real de Sintra, que agora tento enquadrar minimamente para uma melhor compreensão por parte dos menos conhecedores.

Fotografia da Sala das Pegas (Palácio Nacional de Sintra), decorada com uma mesa real.

Esta será a fotografia mais antiga que eu conheço duma mesa de jantar montada na Sala das Pegas, ainda antes da colocação na mesma da lareira monumental que hoje lá se encontra. É de salientar a presença dos dois louceiros que voltaram ao Palácio de Sintra para esta exposição (o do meio também existe mas o seu espaço está agora ocupado pela lareira).

Esta aguarela da Sala das Pegas, em que se vê montada uma mesa para um almoço real, terá certamente influenciado a mesa que recentemente foi posta nesta sala, e que se vê na primeira foto.

Não podemos esquecer que nesta sala, o actual Quarto de D. Sebastião, também funcionou a Sala de Jantar dos reis, que tinha como sala de apoio (sala de trinchar) aquela que é conhecida hoje como Sala de César.

terça-feira, agosto 07, 2018

PERSONALIDADE

O que está em causa é a maneira como se vive. Acima de tudo, importa que uma pessoa tenha sempre presente a vontade de se proteger, um instinto fatal. Nunca chegaremos a lado nenhum se baixarmos os braços e deixarmos que nos ataquem. O sentimento crónico de impotência acaba por corroer o ser humano por dentro. 

Haruki Murakami










Universidade de Aberdeen (Biblioteca)

domingo, agosto 05, 2018

COMBOIOS DE PORTUGAL


Quando atravessamos um a vaga excepcional de calor, como a que vivemos agora, é mais fácil perceber a necessidade de se fazer uma utilização racional dos transportes públicos, de modo a reduzir a emissão de poluentes na atmosfera, mas nem sempre isso nos é possível.

Reparem que em pleno Verão, e numa altura em que o turismo atinge o seu ponto mais alto, a CP decidiu diminuir a sua oferta, tanto nas zonas urbanas como nas grandes distâncias, e pasme-se, os cortes atingem as horas de ponta para quem trabalha, pela manhã e ao final da tarde.

Sejam quais forem as razões, falta de investimento, envelhecimento do material, falta de pessoal de manutenção, ou incompetência na gestão ou nas directivas políticas, o que é verdade é que o cidadão contribuinte e os utilizadores dos transportes públicos merecem melhores serviços e mais qualidade, e não isto.


Comedores de batatas de Vincent van Gogh

quinta-feira, agosto 02, 2018

SUGESTÃO


Nos últimos anos os diferentes governos têm organizado campanhas nas fronteiras terrestres, para sensibilizar os automobilistas, sobretudo os nossos emigrantes, para os cuidados a ter na condução especialmente nesta época de Verão.

Pode-se pensar que todos os condutores encartados conhecem as regras (o código das estradas), e que o resto é tudo uma questão de bom senso, mas na realidade a presença da autoridade, as instruções escritas, e umas quantas palavras, contribuem para a diminuição dos comportamentos de risco, que bastas vezes redundam em graves acidentes rodoviários.

A sugestão que se segue foi escutada numa mesa de café, onde três pessoas ligadas a museus e ao turismo cultura trocavam experiências do terrível mês de Agosto.

O Ministério da Cultura devia aproveitar estas campanhas rodoviárias, com a sua presença e acção, distribuindo encartes sobre os nossos museus, palácios e monumentos, ao mesmo tempo que podia fornecer algumas dicas sobre as regras de comportamento nesses estabelecimentos, apelando ao civismo e ao orgulho de ser português.

Podem dizer que também é desnecessário, mas perguntem aos trabalhadores do sector, e ficarão a perceber a razão pela qual todos entram em stress sempre que chega o mês de Agosto.



terça-feira, julho 31, 2018

À MESA COM O REI

Quatro fotografias de mesas reais(?) em dois palácios diferentes, as duas de cima em Mafra e as duas de baixo em Sintra.

Podem escolher onde querem sentar-se, afinal aqui não fazemos cerimónia...


domingo, julho 29, 2018

AUTONOMIA DE GESTÃO DOS MUSEUS

O Ministério da Cultura prepara-se para dar mais autonomia na gestão de museus, palácios, monumentos, e sítios arqueológicos com um decreto-lei que já está a suscitar muitos reparos.

O documento é bastante extenso e já terá sido discutido com algumas organizações do sector, mas como sempre acontece, não com todos os grupos profissionais, o que é sintomático.

Apesar de ainda se estar num estágio bastante inicial, uma coisa parece já estar bem clara: fala-se em dinheiros, gestão económica, mas não se discute a política museológica nem os condições de trabalho.


Por enquanto só vejo mais uma manobra política que acabará por deixar tudo na mesma, ou pior…


quinta-feira, julho 26, 2018

AFINAL QUEM COME TUDO?

Até há bem pouco tempo não lia nada escrito por João Miguel Tavares (lia o DN), e só o ouvia num programa televisivo, e discordava quase sempre das suas opiniões, que eu comparava às de Miguel Sousa Tavares (acho que não são aparentados), pelo menos no “azar” que ambos nutrem à coisa pública e aos funcionários do Estado.

Hoje li um artigo de opinião de JMT e lá estava tudo, como se depreende pelo título, “o Estado come tudo e não deixa nada”. Começa pela frase “”sim todos sabemos que a primeira leva do dinheiro da Europa foi gasta em viadutos e auto-estradas (e jipes)…”, seguindo-se “… ou seja, 87% dos recursos de topo foram canalizados para financiar projectos estatais, e apenas uns insignificantes 13% puderam ser aproveitados por empresas privadas”.

Claro que podemos discutir os projectos aprovados no tempo de Cavaco Silva e os do programa Portugal 2020, e que por certo seremos muitos a concordar que foram más apostas e que se esbanjou muito dinheiro, mas concluir que o Estado comeu tudo, é um disparate.

As grandes empresas de construção civil que fizeram os viadutos e as auto-estradas, são privadas, e os jipes, bem como os montes alentejanos (que não menciona), também foram parar a privados e não ao Estado.

Confesso que em algumas alturas fiquei a pensar se João Miguel Tavares não estaria confuso, afinal o Estado somos todos nós, mas depressa afastei o pensamento e pensei, deixa para lá, nem vale a pena perder tempo a ler este senhor…  

O Grande Comilão

terça-feira, julho 24, 2018

O REI E A MÚSICA


Sabe-se que alguns dos nossos reis manifestaram um gosto especial pela música, e ninguém ignora que D. João V encomendou os carrilhões de Mafra, ou que D. João VI encomendou os seis órgãos que estão hoje na Basílica de Mafra.

O gosto pela música por parte da realeza lusa é bastante anterior, basta mencionar o rei D. Dinis, mas pouco se fala de D. Manuel, que levou esse gosto a extremos.

Quando o rei se deslocava pela cidade de Lisboa, para além da verdadeira procissão que o acompanhava, que incluía um rinoceronte, elefantes, um leopardo e o seu séquito, também era acompanhado por trombeteiros e tambores. Quando se recolhia para os seus aposentos para descansar, mandava que lhe tocassem uma serenata.

Quando estava na Casa da Índia, no seu escritório, uma orquestra tocava para ele, e até quando às sextas-feiras estava no tribunal, lá se ouviam os sons de flauta e clavicórdio. Segundo Damião de Góis, o rei reuniu músicos de toda a Europa para a sua música de câmara e para a sua capela.

A tudo isto podemos juntar as muitas festas aos serões, onde imperava a música, a par com os comediantes e o próprio teatro.



terça-feira, julho 17, 2018

MUSEUS A MEIO GÁS


Hoje voltou a ser notícia, que existem salas fechadas nos nossos museus, no caso a notícia é relativa ao Museu de Arte Antiga, por causa da falta de pessoal de vigilância.

O problema é recorrente mas pelos vistos não se encontra uma solução para o resolver. Abrir concursos é difícil porque tudo esbarra nas Finanças, e creio que o Ministério da Cultura já nem o tenta, pois não tem força negocial para o fazer.

A categoria em que se encontram os vigilantes de museus, assistente técnico, é a mais mal paga nos museus e monumentos, exige o 12º ano de escolaridade e o conhecimento de línguas estrangeiras, a obrigatoriedade de trabalhar aos sábados, domingos e feriados, pois mesmo sendo uma carreira comum, está obrigada a um horário específico para esta função.

As últimas contratações, sempre de pessoas com algum vínculo à função pública (como atestam as aberturas de concurso), resultaram em entradas por alguns meses seguidas de debandada rumo a outros serviços com horários compatíveis com a assistência à família, o que se compreende.

Com a saída de muitos profissionais por aposentação, e a proximidade de muitas mais saídas pelo mesmo motivo, o futuro apresenta-se muito negro. Outra coisa que haverá a lamentar será a não passagem de conhecimentos e experiências, o que também será um retrocesso, tudo se contuniar a injectar dinheiro nos bancos e para pagar salários altíssimos a quem foi participante na falência de bancos.

Esta é a "coltura" de quem nos vai (des)governando...