domingo, novembro 11, 2012

PIOR A EMENDA…



Isabel Jonet cometeu um erro de palmatória num programa televisivo quando, talvez involuntariamente, misturou a sua condição de presidente do Banco Alimentar com a opinião política enquanto cidadã dum país livre e democrático, e o erro não é fácil de remediar.

A opinião pública é muito sensível, em tempos de crise, ao tema da pobreza e do desemprego, e a líder duma entidade virada para a acção social e dependente do voluntariado e das doações dos cidadãos devia compreender que, nessa condição específica, deve ter a preocupação de unir e nunca a de eventualmente dividir opiniões.

A opinião da cidadã Isabel Jonet é que foi debatida nas redes sociais, mas os danos desta intervenção pouco avisada, podem recair sobre uma instituição, que apesar de ser dirigida por pessoas que podem errar como todos os humanos, tem uma função tanto mais importante quanto maior for a crise que estejamos a passar.

Lamento mais uma vez a tentativa de explicações da presidente do Banco Alimentar, que apenas serviu para salientar a sua opinião, que é muito discutível, e não para acabar de vez com a polémica. O silêncio talvez tivesse sido mais útil nesta ocasião.


quinta-feira, novembro 08, 2012

A CARIDADEZINHA



Durante anos eu e muitos outros portugueses demos tempo e contribuições em géneros para o Banco Alimentar Contra a Fome, porque sentimos que era importante ajudar quem por algum motivo estivesse a passar por necessidades. Dávamos porque podíamos, nunca sabendo o que o futuro nos reservaria, porque isso é que é ser-se solidário.

Uma instituição com as responsabilidades do Banco Alimentar, e que tem merecido a confiança quase generalizada dos portugueses devia ser dirigida por alguém que entendesse bem a diferença entre a ajuda e a caridade. Entre a solidariedade e o assistencialismo.

Infelizmente Isabel Jonet, actual presidente da instituição em causa, decidiu prestar algumas declarações infelizes, chegando mesmo a dizer que “os portugueses têm de reaprender a viver mais pobres”.

Muitos dos que sempre se voluntariaram para ajudar e sentiam prazer em poder ajudar o seu semelhante doando bens ou prestando-se a recolher e separar as dádivas no seu tempo livre, sentiram-se de algum modo descontentes pois não partilham essa mentalidade caritativa que Isabel Jonet deu a entender nas suas declarações.

Falo por mim que sempre paguei as minhas facturas, por isso nunca vivi acima das minhas possibilidades, e sei que há miséria em Portugal, sempre houve, e há cada vez mais. Se como diz Isabel J. não houvesse miséria em Portugal, porque carga de água é que tantos contribuíam com tanto para o Banco Alimentar?

Não sei se vale a pena retratar-se, minha senhora, mas pode crer que deu uma machadada muito grande na confiança dos portugueses, que sabem ser solidários, mas que sabem respeitar os que passam por necessidades devido às contingências da vida, e não os tratam como coitadinhos ou pobrezinhos, mas como seres humanos que são, como nós.


quarta-feira, novembro 07, 2012

CAVACO FALOU

Pelas notícias fiquei a saber que Cavaco Silva quebrou o silêncio, depois de estar ensurdecedoramente calado durante as últimas semanas.

As notícias dizem que não se deixará pressionar  e que gosta de trabalhar, ao contrário de outros.

Perguntam-me se eu percebi o que ele quiz dizer? Não, mas já estou habituado aos seus discursos vazios e nada esclarecedores, mas deve ser um problema meu...
 

segunda-feira, novembro 05, 2012

NÃO DEVO NADA



Uma das notícias de ontem dizia que “cada português deve 20 mil euros”. Para que conste, e porque nestas coisas devemos ser bem claros, eu não devo nada a ninguém, nem tenho qualquer crédito de habitação ou de consumo. Também posso afirmar convictamente que tenho os meus impostos em dia.

Segundo a dita notícia, a dívida pública em 1974 equivalia a 14% do Produto interno bruto, e hoje já equivale a 120% do PIB. Em números devidamente actualizados, a dívida passou de 10 mil milhões para 203.7 mil milhões durante este espaço de tempo.

Atendendo ao facto de em 1974 eu ter um nível de vida superior ao que actualmente tenho, e uma vida à minha frente nessa ocasião, o que não é o caso nos dias de hoje, é lícito concluir-se que não fui responsável por este aumento exponencial da dívida nacional.

Foi com alguma facilidade que encontrei os responsáveis por este descalabro económico, bastou-me para isso consultar na Internet a composição dos governos que tivemos desde 1974, e juntar todos numa lista com a duração dos respectivos executivos, Fiz ainda uma outra busca que incidiu sobre o fecho de contas desde 1974 até 2011 e percebi em que medida o défice foi aumentando.

O processo é fácil, e o resultado não é verdadeiramente surpreendente, porque facilmente se percebe que PS e PSD se equivalem no aumento do défice, e o CDS também faz uma perninha na festa.

Vistas bem as coisas, os culpados são perfeitamente identificáveis, e só me surpreende o facto de se querer diluir a dívida por todos os cidadãos quando apenas alguns beneficiaram com este endividamento. 

Perguntam-me se acho que os ex-governantes beneficiaram com esta má gestão dos dinheiros públicos, e eu respondo muito candidamente que não conheço um só que esteja hoje mais pobre do que estava quando passou pelo poleiro. Satisfeitos com a resposta? Talvez não, mas esta é a beleza da Democracia: podemos exprimir a nossa opinião mesmo que não seja consensual. 


Alfredo Sabat

sábado, novembro 03, 2012

A NOÇÃO DO LIMITE



O movimento extraordinário de levantamentos de dinheiro, por parte dos particulares, no passado mês de Setembro, é um indicador muito claro de que já se foi muito para além do razoável e suportável, no que respeita a austeridade.

Já muitos o tínhamos dito mas o governo não parece ter entendido do mesmo modo. Sabe-se que o mês de Setembro costuma registar alguma corrida às poupanças, por causa das férias e do recomeço da escola, mas esse movimento costuma restringir-se aos depósitos à ordem, e não aos depósitos a prazo como agora se verificou.

Os rendimentos do trabalho, as pensões e os subsídios de desemprego já não garantem a simples subsistência das famílias com alguma dignidade. O que se prevê para 2013, de acordo com o Orçamento de Estado recentemente aprovado na generalidade, é ainda mais austeridade e mais impostos.

Sem políticas de crescimento e de investimento, só se poderá fugir ao desemprego emigrando, como aliás está a acontecer a um ritmo preocupante. Aos portugueses só lhes resta tudo fazer para derrubar este governo que já mostrou a sua incompetência para enfrentar as dificuldades que Portugal enfrenta.



quinta-feira, novembro 01, 2012

O PAÍS IRREAL



Por vezes vemos e ouvimos gente com responsabilidades a dizer coisas que estão tão distantes da realidade, que nos questionamos se eles vivem no mesmo país que nós.

Com a comemoração do Dia Mundial da Poupança, celebrado a 31 de Outubro, foi perfeitamente risível ouvir da boca do responsável do Banco de Portugal, que os portugueses têm que aprender a poupar.

Eu julguei que a situação actual, de crise e de dificuldades para a maior parte dos cidadãos, não era propícia a piadas de mau gosto por parte de pessoas com responsabilidades públicas, mas enganei-me.

Outra notícia que me deixou perplexo, foi a de que o desemprego tinha descido 0,1% no mês de Setembro. Deve ser um exercício de fé da parte do organismo que chegou a esta conclusão, numa altura em que estava a terminar a época alta, e em que subiram os anúncios de falências e os despedimentos colectivos aumentaram.

A realidade é inconveniente para o poder, e por norma os maus políticos tendem sempre a mascarar a realidade para criar uma imagem mais “simpática” para que não se verifiquem grandes manifestações de desagrado.