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quinta-feira, fevereiro 21, 2019

O BEIJO POLÉMICO


O vandalismo praticado por desconhecidos, mas assinado como sendo da autoria de alguém ligado ao movimento Me Too, é algo de profundamente incompreensível.

Um dia depois da morte do marinheiro George Mendonsa que beijou a enfermeira Greta Zimmer Friedman em Times Square em 1945, que foi registado em fotografia, que tornou famoso aquele beijo num símbolo do final da guerra, alguém resolveu grafitar as palavras #Me Too.

A polémica estava lançada e uns defendem quem pintou as palavras, outros condenam o acto de vandalismo. Para os primeiros o beijo é puro assédio sexual, ainda que a enfermeira nunca o tenha assim classificado, e os segundos ficam-se pelo repúdio e classificam o acto como puro vandalismo.

Este beijo de Dagwood Bumstead à Blondie, de Chic Young pode vir a ser condenado no futuro...

quinta-feira, julho 26, 2018

AFINAL QUEM COME TUDO?

Até há bem pouco tempo não lia nada escrito por João Miguel Tavares (lia o DN), e só o ouvia num programa televisivo, e discordava quase sempre das suas opiniões, que eu comparava às de Miguel Sousa Tavares (acho que não são aparentados), pelo menos no “azar” que ambos nutrem à coisa pública e aos funcionários do Estado.

Hoje li um artigo de opinião de JMT e lá estava tudo, como se depreende pelo título, “o Estado come tudo e não deixa nada”. Começa pela frase “”sim todos sabemos que a primeira leva do dinheiro da Europa foi gasta em viadutos e auto-estradas (e jipes)…”, seguindo-se “… ou seja, 87% dos recursos de topo foram canalizados para financiar projectos estatais, e apenas uns insignificantes 13% puderam ser aproveitados por empresas privadas”.

Claro que podemos discutir os projectos aprovados no tempo de Cavaco Silva e os do programa Portugal 2020, e que por certo seremos muitos a concordar que foram más apostas e que se esbanjou muito dinheiro, mas concluir que o Estado comeu tudo, é um disparate.

As grandes empresas de construção civil que fizeram os viadutos e as auto-estradas, são privadas, e os jipes, bem como os montes alentejanos (que não menciona), também foram parar a privados e não ao Estado.

Confesso que em algumas alturas fiquei a pensar se João Miguel Tavares não estaria confuso, afinal o Estado somos todos nós, mas depressa afastei o pensamento e pensei, deixa para lá, nem vale a pena perder tempo a ler este senhor…  

O Grande Comilão

quinta-feira, janeiro 11, 2018

A HIPOCRISIA E O PRECONCEITO NA POLÍTICA



A terça-feira de Carnaval vai continuar sem ser feriado, isto acontece num país que já está habituado a que o governo, as Câmaras Municipais e algumas empresas deem o dia aos seus trabalhadores, enquanto outras obrigam os seus trabalhadores a apresentar-se ao trabalho, mesmo até em alguns serviços da função pública em serviços não essenciais. Isto acontece com executivos de esquerda e de direita, sem distinção.

Na oposição há sempre coisas que merecem a reprovação, ainda que sejam prática corrente quando se está no poder, e isso não é mais do que hipocrisia.

Também é hipocrisia e preconceito o que se passa com a liberalização da canábis para uso terapêutico e recreativo, se tivermos em atenção a posição dos partidos relativamente ao tabaco, por exemplo.

Relativamente ao uso terapêutico é incompreensível as reservas apresentadas por alguns deputados, sempre mostrando preocupações com os efeitos secundários da canábis, como se os medicamentos tenham, quase todos eles, contra-indicações e efeitos secundários, que cabe aos médicos ponderar caso a caso. Outra coisa admirável é que o uso de medicamentos é regulado pelas autoridades competentes, pelo que a opinião dos políticos é quase irrelevante, ou pelo menos devia ser.

No uso recreativo da canábis basta fazer um paralelo com o tabaco, e francamente, a balança dos efeitos perniciosos para a saúde é desfavorável para o tabaco, por muito que isso prejudique a produção, fabrico e comercialização do mesmo.



terça-feira, junho 21, 2016

TODOS DIFERENTES, TODOS IGUAIS

Não costumo ler a opinião escrita de João Miguel Tavares, mas gosto de ouvir um certo programa da TSF onde ele marca presença, juntamente com outras pessoas, e já tinha chegado à conclusão de que as nossas opiniões divergem muito.

Esta semana tive que ler o Público, porque o meu jornal estava esgotado, e lá estava a sua coluna de opinião com o título “não, eles não são todos iguais”.

Para começar devo dizer que todas as pessoas são diferentes, o que não será surpresa para ninguém, e creio João Miguel Tavares não descobriu, desta vez, o número da taluda. Onde ele começa a meter água é quando começa a tentar fazer distinções, caindo na mesma conversa dos comentadores desportivos: afirmando que é tudo uma questão de “intensidade”, quando diz que uns políticos prejudicaram mais a Caixa Geral de Depósitos do que outros.

O assunto principal era a má gestão (quiçá danosa) da CGD, e pelo texto percebeu-se que para João Miguel Tavares, os culpados já estão identificados, e são José Sócrates e Armando Vara, e que todos os outros, gestores, supervisores, e responsáveis políticos, não passaram de meros figurantes das malfeitorias dos “grandes culpados”.


Veio-me à memória outro provérbio bem português: «Tão ladrão é o que rouba como o que fica à porta», e nesta coisa dos bancos (não só da CGD), muita gente ficou à porta, meu caro…

VW by Palaciano

sexta-feira, outubro 12, 2012

RAÇA?



Passos Coelho já nos brindou com diversas pérolas de linguagem que longe de serem meros lapsos revelam muito do seu modo de pensar. O destaque desta semana vai para a frase “pertenço a uma raça de homens que paga o que deve”.

A simples utilização do vocábulo “raça” começou a ser considerado “politicamente incorrecto” a partir da década de 70 do século passado, sendo que ficou associada de algum modo ao racismo.

Efectivamente ficou demonstrado pelo Projecto Genoma que o conceito de raça não pode realmente ser utilizado por não existirem genes raciais na espécie humana. Raça na espécie humana é um conceito social, não é conceito científico.

Mais uma vez Passos Coelho demonstrou algum preconceito com a sua frase, o que demonstra a sua falta de preparação enquanto dirigente político e governante.