domingo, junho 23, 2019

TURISMO COM LIMITES


O turismo de massas começa a encontrar uma cada vez maior rejeição por parte das populações das cidades onde este fenómeno mais se faz sentir.

Os lisboetas estão a ser corridos da cidade, onde os senhorios querem é estrangeiros, pois o alojamento local é mais rentável do que o arrendamento urbano. O valor das rendas e do metro quadrado aumenta e é hoje proibitivo para o cidadão normal, que é empurrado cada vez para mais longe do centro urbano, e mais mal servido pelos transportes públicos.

Mas será que Lisboa está sozinha neste problema? Não meus caros, Bruges, Roma, Florença, Barcelona, e Veneza, para citar apenas algumas cidades europeias, também estão a implementar algumas medidas restritivas procurando manter algum equilíbrio entre o bem estar dos cidadãos permanentes e os turistas.

Estamos ainda atrasados nestas coisas, e ainda prevalece o desejo cego do lucro imediato, mas devíamos evitar os problemas que já foram sentidos noutras paragens, mas o lucro imediato parece falar mais alto…  



sexta-feira, junho 21, 2019

HUMOR DA SEMANA


Saber que o CDS deseja que os trabalhadores do sector privado tenham direito à ADSE, descontando naturalmente os 3,5% dos 14 salários ou pensões de reforma, é no mínimo curioso. Também é curioso que hajam tantos comentadores de direita a querer que o Estado obrigue o patronato a subir os salários dos trabalhadores do privado, evitando assim a sua discriminação.

A direita quando está na oposição transfigura-se...

domingo, junho 16, 2019

NINGUÉM FICA DE FORA


Os nossos governantes vivem literalmente num mundo à parte, muito distante da realidade vivida pela maioria dos trabalhadores portugueses.

A Secretária de Estado da Habitação, Ana Pinho, proferiu esta frase verdadeiramente delirante: “com as rendas acessíveis, ninguém fica de fora para ter habitação digna”.

Um simples T2 em Lisboa custa em média, e bem por baixo, pelo menos 1.200 euros mensais, o que exige que um casal ganhe, em conjunto, pelo menos 3.000 euros para ter condições para aceder (já em sobrecarga) ao tal arrendamento acessível. As contas para um solteiro e um T0 são ainda mais desfavoráveis pois só que aufira uns 1.500 € mensais é que poderá ter alguma sorte.

Não tenho dados estatísticos actualizados, mas não estarei muito longe da verdade se disser que mais de metade dos trabalhadores portugueses aufere um salário mensal inferior a 1.200 euros, o que indica que mais de metade dos portugueses ficaria de fora do tal tipo de arrendamento, ao contrário do que pretende a senhora Secretária de Estado.

Esta é apenas mais uma prova do divórcio existente entre governantes e governados, se é que alguém ainda não tinha reparado…



terça-feira, junho 11, 2019

O LOTO DO PATRIMÓNIO


A ideia vem de França e já vai no seu segundo ano. Esta medida prevê ajudar à preservação do património francês, à margem das instituições vocacionadas para o efeito.

Como é sabido o dinheiro não abunda para estas questões do Património, e todas as contribuições são bem recebidas, sejam elas através do mecenato ou até do jogo, como é o caso vertente.

Em conversa sobre o assunto com um amigo, ele colocou uma pergunta pertinente, segundo a óptica de quem não está por dentro do meio. A pergunta era, objectivamente, porque não se replicava a ideia em Portugal?

Foi difícil explicar ao meu amigo que este projecto implica candidaturas que sobretudo tenham em conta o estado de perigo em que se encontre o monumento, o impacto que o projecto venha a ter no território em que se insere, e também a qualidade e viabilidade do projecto em si mesmo. É precisamente nos requisitos para as candidaturas que reside o nosso problema, pois claro.

Nem me vou debruçar aqui sobre a explicação que tive que dar ao meu amigo, deixo isso para a vossa própria interpretação.


terça-feira, junho 04, 2019

EXPLICAÇÕES CURIOSAS

Desconhece-se o paradeiro de algumas obras da “Colecção SEC”, mas isso não significa que estejam “desaparecidas”. Obras da colecção do Estado "precisam de localização mais exacta,  afirma Graça Fonseca".


segunda-feira, junho 03, 2019

THOMAS CHIPPENDALE

Um famoso marceneiro britânico (séc. XVIII) que ganhou o apelido de "mestre da linha curva". Ficou famoso por uma colecção de modelos para o mobiliário, "The Gentleman and cabinet-marker's Director", publicada em 1754 e reeditada várias vezes.


quarta-feira, maio 29, 2019

CURTINHAS


Cobrador do fraque – A Autoridade Tributária decidiu usar de métodos que não ficam nada a dever ao “cobrador do fraque”, fazendo uma operação apoiada pelas autoridades policiais, onde os devedores ao fisco eram obrigados a pagar as suas dívidas de imediato, ou então ficavam com a viatura penhorada. O que mais me mete confusão é ver os comentadores dizerem que não percebem de onde veio a ideia, quando todos sabem que há prémios pela cobrança de dívidas fiscais.


Boris Johnson vai a tribunal por mentir e enganar – Durante a campanha do Brexit há três anos este político inglês, e candidato ao lugar de Teresa May, afirmou que a UE custava aos britânicos 250 milhões de libras por semana, o que era mentira. Agora está a contas com a Justiça por “mentir e enganar”. Se a coisa pega em Portugal os políticos eleitos, e não só, arriscam-se a ir com muita frequência a tribunal…
 

Grandes devedores à banca – O Banco de Portugal decidiu não divulgar os nomes e os montantes dos grandes devedores aos bancos a que o Estado (nós) ajudou, falando do sigilo bancário. É curiosa esta posição, como curioso é o facto de os bancos não terem tentado cobrar as dívidas, ou de terem demorado muito a fazê-lo, e que o BP não tenha fiscalizado em tempo útil como é que esses créditos foram concedidos e se não houveram situações duvidosas e de favorecimento.   


segunda-feira, maio 27, 2019

“DROIT DE RETRAIT”


A lei laboral francesa atribui este direito que permite faltar, quando se considera não estarem reunidas as condições para o desempenho de funções em segurança, e isso levou a que os trabalhadores de recepção e vigilância do Louvre usassem esse direito levando ao fecho do museu no dia de hoje.

Os museus têm vindo a perder efectivos em França, como em Portugal, sendo que por cá existem hoje menos efectivos do que há 20 anos, a desempenhar as funções de recepção e vigilância.

A falta condições de segurança, por cá, vai para além da escassez de pessoal, passando também pela falta de formação adequada e contínua, por falta de meios complementares de comunicação e vigilância, para mencionar apenas algumas.

O descontentamento dos trabalhadores dos nossos museus, palácios e monumentos também deriva da falta de perspectivas de progressão numa carreira que foi horizontalizada, pelos salários muito baixos apesar dos horários excepcionados, pela falta de apoio em situações de conflito e pela falta de diálogo por parte da tutela.

Por cá não temos o “droit de retrait”, e por isso só se pode recorrer à greve, que todos sabemos que é sempre mais mal recebida pelos visitantes, que frequentemente ignoram as razões da mesma, e nem sequer sonham que a sua segurança pode estar em causa, em determinadas situações e em alguns destes serviços.