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segunda-feira, maio 27, 2019

“DROIT DE RETRAIT”


A lei laboral francesa atribui este direito que permite faltar, quando se considera não estarem reunidas as condições para o desempenho de funções em segurança, e isso levou a que os trabalhadores de recepção e vigilância do Louvre usassem esse direito levando ao fecho do museu no dia de hoje.

Os museus têm vindo a perder efectivos em França, como em Portugal, sendo que por cá existem hoje menos efectivos do que há 20 anos, a desempenhar as funções de recepção e vigilância.

A falta condições de segurança, por cá, vai para além da escassez de pessoal, passando também pela falta de formação adequada e contínua, por falta de meios complementares de comunicação e vigilância, para mencionar apenas algumas.

O descontentamento dos trabalhadores dos nossos museus, palácios e monumentos também deriva da falta de perspectivas de progressão numa carreira que foi horizontalizada, pelos salários muito baixos apesar dos horários excepcionados, pela falta de apoio em situações de conflito e pela falta de diálogo por parte da tutela.

Por cá não temos o “droit de retrait”, e por isso só se pode recorrer à greve, que todos sabemos que é sempre mais mal recebida pelos visitantes, que frequentemente ignoram as razões da mesma, e nem sequer sonham que a sua segurança pode estar em causa, em determinadas situações e em alguns destes serviços.



sábado, março 30, 2019

O EMPREGO E AS QUALIFICAÇÕES


Recentemente o Banco de Portugal identificou a falta de qualificações como um dos problemas que está a travar a criação de emprego, ao mesmo tempo que os patrões se queixam da falta de profissionais para preencher as vagas existentes em muitos sectores.

Identificar problemas é relativamente fácil, já investigar as razões desses problemas e indicar soluções para eles, parece não ser o forte dos patrões e do Banco de Portugal.

Durante muito tempo foi relativamente fácil para o patronato esmagar os salários em Portugal, porque o desemprego era muito alto e as pessoas lá se iam sujeitando ao que era oferecido. A juventude que agora tinha maiores qualificações começou naturalmente a procurar oportunidades além-fronteiras, e muitas empresas estrangeiras vieram a Portugal recrutar mão-de-obra qualificada, oferecendo salários e outras condições bem mais aliciantes.

Os empresários portugueses espremeram os trabalhadores até ao tutano, sem pensarem que os seus profissionais mais qualificados estavam naturalmente a envelhecer, que não conseguiam transmitir os seus conhecimentos aos mais novos porque eles trabalhavam 6 meses ou pouco mais e depois procuravam algo melhor. A situação agravou-se não só por causa da sangria de jovens qualificados para o estrangeiro, mas também porque são cada vez menos e mais velhos, os trabalhadores qualificados e com experiência.

A formação nas empresas é uma miragem, na generalidade dos casos, e com a oferta de salários miseráveis as vagas ficam por preencher. Procurar preencher essas vagas com imigrantes não tem resultado e não tem efeitos a médio prazo.

A degradação dos serviços é uma realidade em quase todos os sectores, a qualidade dos nossos serviços e produtos ressente-se e há empresas que já começaram a “roubar” trabalhadores de outras com ofertas de maiores salários. Esta realidade começa a notar-se e é um bom sinal, porque todos ficamos a ganhar, mas quem se atrasar vai acabar por se afundar a médio prazo…