segunda-feira, maio 13, 2013

A FALTA DE CORAGEM



Passos Coelho veio recentemente fazer alarde da sua coragem por apresentar medidas que são alvo de grande contestação, como se por aí se aferisse a coragem de algum político.

Para o 1º ministro mudar o factor de sustentabilidade, reduzindo assim o valor médio dos pensionistas da Caixa Geral de Aposentações, o que transforma Portugal num Estado não confiável para os seus próprios cidadãos, é uma coroa de glória. Acrescenta até Passos Coelho, e uns seus seguidores, que serve para aproximar os regimes, público e privado.

A medida é claramente inconstitucional, não só por afectar reformas já em pagamento, ou por quebrar a confiança no próprio Estado, mas também porque mais uma vez só afecta os pensionistas que recebem através da CGA, não se aplicando ao universo de pensionistas.

A falta de coragem de Passos Coelho fica demonstrada por não ter atacado, por exemplo, as pensões dos políticos, os tais que não descontaram nada que seja proporcional com as reformas que recebem, ou por exemplo por não ter cortado acima de um determinado limite razoável, as pensões mais altas.

Coragem não é apenas uma qualquer basófia, quando se atacam os mais fracos, mas sim saber cortar onde mais há, e aos mais fortes, e isso o 1º ministro não faz. Nem pensem…



sexta-feira, maio 10, 2013

DISSE CONTRARIAR?



Os membros deste governo já nos habituaram a frases sem conteúdo e sobretudo a frases que contrariam a prática e as promessas feitas, mas algumas são um absoluto contra-senso.

O ministro da Presidência e dos Assuntos Parlamentares veio agora afirmar que o “governo está empenhado em contrariar o desemprego”, exactamente no dia seguinte ao anúncio das condições previstas para as rescisões de dezenas de milhar de funcionários públicos.

Como é que Marques Guedes pode dizer que o executivo está empenhado em contrariar o desemprego quando pretende mandar tantos funcionários públicos para a rua? Será que ele queria mesmo utilizar a palavra “contrariar”, ou foi apenas um lapso?
 
Eu fiquei com a impressão que o ministro Marques Guedes não queria utilizar a palavra “contrariar” no sentido de “opor-se”, como todos pensaram, mas sim com o sentido de “arreliar”, não o desemprego, mas sim os desempregados, presentes e futuros. Talvez consiga!


quarta-feira, maio 08, 2013

A TRETA



No dia em que Vítor Gaspar veio congratular-se do “regresso aos mercados” de capital talvez seja oportuno dizer que desta vez se tratou duma manobra preparada, que não é verdadeiramente um regresso cabal aos mercados, mas apenas um ensaio.

Muito do que se faz nos mercados de capital é combinado, e não pode ser levado inteiramente à letra, e Vítor Gaspar sabe-o, ainda que o não possa dizer.

A economia do país continua enferma, não apenas devido à contracção dos mercados, mas sobretudo devido a diminuição do consumo interno, e ao desemprego galopante resultante das políticas praticadas.

Um dos factores de que pouco se fala, com verdade, e que se vai revelando fragilizado, apesar de todas as operações de maquilhagem que se têm repetido, é o da fragilidade dos bancos nacionais e dos seus prejuízos cada vez mais visíveis, que impedem o crédito à economia e fazem temer pelas poupanças dos portugueses.

A verdade anda a ser escondida dos portugueses, mas o rabo está bem de fora, e cada vez é mais difícil de disfarçar.



segunda-feira, maio 06, 2013

O COMEDIANTE E O SEU DRAMA

A política neste país consegue gerar uns grandes comediantes, que num dia aprovam medidas mais do que cretinas, para no dia seguinte vir um dos comediantes dizer que há coisas com as quais não concorda, apesar de continuar na companhia.

Paulo Portas até pode ter muito jogo de cintura, mas o seu tempo de diatribes acabou, e ficou na fotografia, na última comunicação ao país, com uma bola vermelha no nariz, que não passou despercebida a ninguém.


sábado, maio 04, 2013

A RECEITA DO DESEMPREGO



Passos Coelho e o seu executivo descobriram, sem sombra de dúvidas, a receita mais eficaz para aumentar exponencialmente o desemprego, aumentar a as despesas do Estado e o défice público.

Como estatisticamente estamos em 3º lugar no ranking europeu do desemprego, o 1º ministro quer dar o seu melhor para nos conduzir ao 1º lugar do continente, pretendendo mandar para o desemprego “apenas” 30.000 funcionários públicos, que na sua óptica de iluminado, devem ser a despesa mais inútil inscrita no Orçamento de Estado.

Não sei porque é que o ministro das Finanças Vítor Gaspar não lhe disse que ao rescindir com 30.000 funcionários públicos, vai necessitar de contratar serviços a entidades privadas, para além de ter de pagar as rescisões e as reformas ou os subsídios de desemprego, com dinheiros que têm de ser canalizados do OE.

Outra minudência está no campo das receitas de impostos, que vão sofrer um rombo bem grande, porque os funcionários que pretendem enviar para o desemprego pagavam religiosamente os impostos, sem possibilidades de fuga, como todos sabemos.

Enfim, para quem diz que só há uma receita que é a das contas certas, para ultrapassar a crise, só resta a Coelho e a Gaspar, acertar apela primeira vez numa coisa, que é o que ainda não conseguiram em dois longos anos.



quinta-feira, maio 02, 2013

AS MENTIRAS



Nestes tempos de austeridade, Portugal é um país onde os governantes são considerados irresponsáveis e mentirosos. As razões são imensas e basta recordar três, como por exemplo o desemprego, a dívida pública e a austeridade.

Assaltados por tanto mentiroso, penso que também os cidadãos têm direito a pregar a sua peta, inofensiva talvez, mas divertida.

Neste 1º de Maio surgiu a notícia de que as duas maiores cadeias de supermercados estariam a praticar promoções fantásticas, um pouco à semelhança do que se tinha passado no ano passado. Era barrete, mas foi giro ver o embaraço das duas cadeias e a decepção de alguns dos habituais críticos das manifestações do dia.

Uma outra circulou num meio mais restrito, e dizia que estava aberta uma petição para conseguir inscrever todos os membros do governo na expedição Mars One, para ver se assim nos livramos daquela gente. Afinal saía barato aos portugueses, considerando que as inscrições são de apenas 15 euros.