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sábado, fevereiro 02, 2019

A COR DA MINHA PELE


Ouço e vejo frequentemente as opiniões de Daniel Oliveira, na imprensa escrita e na televisão, e nem sempre concordo com as suas opiniões, o que é natural, já que pensamos coisas diferentes, apesar de sermos ambos “brancos”.

Na sua coluna de opinião de hoje no Expresso, intitulada “A cor da tua pele”, começa com umas frases que se referem à sua condição, mas que não são a única verdade, mas apenas a sua verdade, e daí ele parte para o resto do texto.

Diz D.O. “Nunca a minha condição de homem branco me causou qualquer dificuldade na vida. Nunca foram condescendentes comigo por isso, nunca desconfiaram de mim, nunca foi difícil apanhar um táxi, nunca desistiram de me alugar uma casa quando me viram, nunca alguém se me dirigiu falando de “vocês”. Nunca, no meio de uma discussão acalorada, alguém se socorreu do insulto reservado aos “brancos”. Porque não há qualquer insulto reservado aos “brancos”. É por isso que não sei o que é o racismo. Há coisas que só se sabem quando se experimentam todos os dias, a vida toda.”

O colunista deveria ter pensado que a condição de homem branco causou dificuldades a muitos nascidos em África. Que muitos africanos de raça branca foram por isso mesmo rotulados de colonialistas, fascistas e reacionários apenas por causa da cor da sua pele. Os insultos reservados aos “brancos” eram muitos, e pouco próprios.

Os “brancos também podem saber o que é racismo, e a última frase que mencionei de D.O. é, essa sim, verdadeira: “Há coisas que só se sabem quando se experimentam…”.

Quantos “brancos” nascidos em África acabaram por decidir sair das suas terras por se sentirem discriminados por causa da cor da sua pele?

Uma moeda tem sempre duas faces, meus caros…



terça-feira, junho 19, 2018

MIGRANTES E RACISMO NO OCIDENTE

O chamado mundo ocidental, grande arauto da Liberdade, da Democracia, e da defesa dos Direitos Humanos, afunda-se na confusão e nos populismos com características bem próximas dos extremismos que alimentaram o tão odioso fascismo que muitos julgavam morto e enterrado.

Nos Estados Unidos pontua um dirigente arrogante e completamente desequilibrado, que se julga o dono da verdade e o senhor do mundo, que além de desestabilizar o mundo criando situações políticas e económicas, também mostra um absoluto desprezo pelos Direitos Humanos, como se pode constatar com a política de “tolerância zero”, que está a originar a separação de famílias migrantes com o espectáculo degradante que as redes sociais divulgaram.

Na Europa o exemplo maior vem da Itália onde o ministro do Interior Matteo Salvini manifesta a intenção de fazer o recenseamento dos ciganos em Itália, com o intuito de expulsar todos os que estejam em situação irregular, e chegou mesmo a acrescentar que “quanto aos ciganos italianos, talvez tenhamos de ficar com eles”, mostrando claramente o seu desgosto.


A continuarmos assim, o futuro não augura nada de bom para o mundo… 


quarta-feira, março 22, 2017

OS ESTEREÓTIPOS DO EUROGRUPO

Existem cada vez mais políticos europeus que não conseguem disfarçar a sua intolerância para com outros povos, julgando-se superiores. Já assistimos a isto no passado e deu no que deu, por isso não existe outra opção que não seja a de condenar gente desta laia, exigindo que sejam apeados dos cargos europeus que ocupam. 

*
Sou mesmo um pateta...

Gostava de ser considerado "o exterminador"

sexta-feira, janeiro 09, 2015

TOLERÂNCIA

O atentado em França e muitas das reacções e comentários que fui ouvindo nestes dias levaram-me a meditar nas causas e nas consequências disto tudo.

Os problemas de integração, o inadequado sistema prisional que potencia extremismos, as reacções extremadas de alguns nacionalismos, e o espírito de vingança de alguns indivíduos, são coisas em que todos devemos pensar, porque é fácil criticar mas é mais difícil encontrar caminhos para resolver os problemas que nos levaram aqui.


Não por acaso, deixo-vos com um pensamento de Gandhi: “a lei de ouro do comportamento é a tolerância mútua, já que nunca pensaremos todos da mesma maneira, já que nunca veremos senão uma parte da verdade e sob ângulos diversos.”


sexta-feira, fevereiro 21, 2014

TÃO CIVILIZADOS QUE ELES SÃO

Na Europa costuma desvalorizar-se os países do Sul, havendo quem use até o acrónimo de PIGS para os classificar, e o centro e o Norte da Europa acha-se o mais avançado, civilizado e economicamente equilibrado.

É evidente que apesar de ter sido no Sul que as mais importantes civilizações europeias surgiram, no campo económico nos tempos modernos as coisas não correram de forma particularmente boa, e que os do centro e do Norte têm tido melhor desempenho, mas isso não significa que sejam assim tão mais civilizados.

A Alemanha já tinha demonstrado, num passado ainda recente, que tinha uns problemas com diversas raças e nacionalidades, e agora a Suíça fez questão de mostrar o seu lado negro, no que respeita à civilização.

O fecho das fronteiras, ou se quiserem as limitações à imigração, já tinham dito muito sobre a civilização dos suíços, mas o Tribunal Federal daquele país conseguiu ir ainda mais longe, e decidiu que chamar “porco estrangeiro” ou “refugiado nojento”, não se enquadra na lei antirracista.


Enfim, nós podemos ter muitos defeitos, mas nesta matéria ainda não descemos tão baixo como a civilizadíssima Suíça.