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quinta-feira, fevereiro 23, 2012

OS DESACERTOS DE PASSOS COELHO

Estamos fartos de ouvir Passos Coelho e seus ministros a afirmarem que temos de cumprir as exigências da troika, porque esse é o caminho certo para Portugal sair da crise. Não sei se será um palpite do 1º ministro, ou pura subserviência, porque está claro para todos que com essa receita o país só se afunda mais.

Cameron, o chefe do executivo inglês, excluiu deliberadamente Passos Coelho duma proposta apoiada por doze países, no sentido de ser dado mais ênfase ás políticas de crescimento no espaço europeu, por ser evidente que o 1º ministro é um seguidor da chanceler Merkel.

São conhecidas as negociações tidas pela Irlanda, também alvo de um resgate idêntico ao nosso, recusando certas exigências como o aumento de alguns impostos, já para não falar da baixa de juros. A Espanha, ainda que não abrangida por nenhum resgate, já veio a público dizer que vai negociar com a União Europeia uma redução do défice inferior à exigida, por ser um esforço demasiado para a sua economia.

A paga de ser bom aluno veio agora pela voz da própria Merkel, que rejeita baixar os juros de Portugal e da Irlanda, do mesmo modo que o vai fazer com o novo pacote de ajuda à Grécia.

Mas Passos Coelho talvez fizesse bem em olhar com olhos de ver para a realidade portuguesa, e talvez mandasse calar membros do seu executivo que se congratulam com a saída de mais funcionários públicos do que os esperados. Outro assunto que o devia preocupar prende-se com a petição Pelo Pequeno-Almoço na Escola, que demonstra bem como a população vai reagindo à pobreza e à fome cada vez mais evidentes.

Passos Coelho devia estar mais preocupado com os portugueses, e menos com as exigências de quem apenas quer garantir o retorno do seu dinheiro com os respectivos juros. Será preciso partir muita pedra para renegociar certas coisas, mas a um eleito cumpre-lhe defender os interesses dos eleitores, ou não será assim?


IMAGEM
Silent song by final toto

CARTOON

segunda-feira, agosto 04, 2008

INFERNO NA TERRA

A situação do Darfur continua péssima, e nos últimos tempos tem vindo a agravar-se perante o desinteresse do resto do mundo. As carências são muitas, e a penúria é imensa.

Muitos de nós lemos uns quantos títulos sobre esta tragédia humana, mas são poucos os que lêem os artigos publicados, onde se faz uma descrição bem negra do que por lá se passa. Depois de uma guerra que assolou aquela zona de Africa, e que se vai espalhando por outras regiões do Sudão e do Chade, e depois de centenas de milhares de mortos, sucedeu-se o êxodo de populações para campos de refugiados onde, mesmo assim, tentam sobreviver com o pouco que lhes é distribuído da ajuda alimentar internacional, que vai chegando com muita dificuldade devido à instabilidade política, e às pilhagens constantes, que as forças internacionais não conseguem evitar.

É difícil de imaginar que alguém consiga sobreviver com 1.400 calorias diárias de alimento, que é a ração possível num dos melhores campos de refugiados. O genocídio não acabou, um dos seus maiores responsáveis está indiciado de crimes contra a humanidade, mas a solução para os sobreviventes ainda não está no horizonte mais próximo.

Para quem sabe pouco sobre esta tragédia humanitária, ou para quem queira inteirar-se de alguns dos últimos testemunhos que nos chegam, aconselho a leitura DESTE artigo da Reuters.



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FOTOGRAFIA
Rose
pink

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CARTOON
Larry Wright
Patrick Corrigan

segunda-feira, julho 07, 2008

POLÍTICAS IMPREVIDENTES

Está muito em voga entre os políticos de todo o mundo acenarem com a imprevisibilidade dos mercados sempre que nos vemos confrontados com crises económicas de grande dimensão. O argumento, não sendo totalmente falso, não colhe aos olhos dos cidadãos grande credibilidade, porque todas as medidas de cariz económico, quer de investimento quer as restritivas, são sempre justificadas pela previsão dos políticos e seus consultores, como adequadas para se obterem resultados futuros.

Admitindo que a alta de preços do petróleo, na dimensão a que estamos a sentir, era difícil de prever, o mesmo já não é verdade em relação aos aumentos dos preços dos produtos alimentares, com o aumento da produção dos biocombustíveis.

Quando começou a escalada do preço dos combustíveis, e se anunciou o aumento da produção de biocombustíveis, foram muitos os que alertaram para a possibilidade real dos aumentos da alimentação em geral, caso se fosse recorrer aos cereais para a sua produção. Poucos foram os que deram ouvidos aos alertas e o resultado é o que estamos a sentir nos preços da alimentação.

O que é mais grave é que se esconda o real impacto deste problema, e não se diga a verdade sobre a dimensão disto. Os biocombustíveis podem e devem ser produzidos, mas podem-se utilizar muitos outros produtos sem ser os cereais, porque esses são essenciais e o seu preço tem que ser acessível às populações, isto claro está, se queremos a paz social.

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FOTOGRAFIA
Rose and Rain by *littlemewhatever

Rose and Rain ll by *littlemewhatever

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John Sherffius
Steve Sack
John Branch