Está muito em voga entre os políticos de todo o mundo acenarem com a imprevisibilidade dos mercados sempre que nos vemos confrontados com crises económicas de grande dimensão. O argumento, não sendo totalmente falso, não colhe aos olhos dos cidadãos grande credibilidade, porque todas as medidas de cariz económico, quer de investimento quer as restritivas, são sempre justificadas pela previsão dos políticos e seus consultores, como adequadas para se obterem resultados futuros.
Admitindo que a alta de preços do petróleo, na dimensão a que estamos a sentir, era difícil de prever, o mesmo já não é verdade em relação aos aumentos dos preços dos produtos alimentares, com o aumento da produção dos biocombustíveis.
Quando começou a escalada do preço dos combustíveis, e se anunciou o aumento da produção de biocombustíveis, foram muitos os que alertaram para a possibilidade real dos aumentos da alimentação em geral, caso se fosse recorrer aos cereais para a sua produção. Poucos foram os que deram ouvidos aos alertas e o resultado é o que estamos a sentir nos preços da alimentação.
O que é mais grave é que se esconda o real impacto deste problema, e não se diga a verdade sobre a dimensão disto. Os biocombustíveis podem e devem ser produzidos, mas podem-se utilizar muitos outros produtos sem ser os cereais, porque esses são essenciais e o seu preço tem que ser acessível às populações, isto claro está, se queremos a paz social.




