O caso das subvenções vitalícias
veio trazer à tona o velho tema das desigualdades e dos privilégios tantas
vezes usados pelos nossos políticos do bloco central, para dividir os
portugueses acenando ora a uns ora a outros com os “privilégios” dos outros.
Todos nos lembramos que se dizia
que os mais velhos queriam manter os seus privilégios, a segurança no trabalho
e o direito à reforma, esquecendo-se dos mais novos que enfrentavam o
desemprego, o trabalho a prazo, e a incerteza quanto ao futuro das reformas.
Aos trabalhadores do privado diziam que os funcionários públicos não podiam ir
para o desemprego e que por isso tinham que ganhar menos para se equilibrar o
excesso de garantias.
Os políticos disseram tudo isto,
mas lá foram omitindo que eles eram os mais privilegiados já que instituíram
para si mesmos subsídios de integração, e pensões vitalícias, para as quais não
faziam quaisquer contribuições, que depois acumulavam com salários e pensões, o
que os trabalhadores não podiam fazer.
A imoralidade disto tudo é que
estes senhores políticos não estiveram a servir o país, como deviam, mas sim a
servir-se a eles próprios, criando eles próprios normas que tornavam legais
privilégios a que só eles tinham direito.
Se o Tribunal Constitucional vier
a revogar a suspensão das subvenções vitalícias dos senhores políticos, antes de serem repostos os salários, subsídios e as pensões acordadas com os restantes cidadãos, antes das medidas "excepcionais" resultantes da situação de emergência invocada, até
poderá estar a interpretar correctamente a lei, mas nunca conseguirá convencer
os milhões de desempregados, trabalhadores e pensionistas de que existe algum
pingo de moralidade neste privilégio de quem decidiu em causa própria…




