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terça-feira, junho 06, 2017

ENTRADAS GRÁTIS NOS MUSEUS

O anúncio de entradas gratuitas nos museus, palácios e monumentos sob a alçada do Ministério da Cultura, nas manhãs dos domingos e feriados, feito numa altura em que o ministro está sob fogo cerrado devido aos acontecimentos no Convento de Cristo e no Mosteiro dos Jerónimos, despoletados por notícias da comunicação social, soou a manobra de diversão muito conveniente nesta situação embaraçosa.

Esta medida que até já estava prevista e aguardava regulamentação, é encarada por muitos agentes culturais com alguma cautela e preocupação, porque existem equipamentos que já atingiram os seus limites de capacidade de acolhimento de visitantes, ou estão à beira disso.

O Ministério da Cultura deverá, na regulamentação das gratuitidades, acautelar a segurança dos visitantes e dos funcionários, prevendo situações de emergência, tendo por isso que dotar os serviços com pessoal suficiente e com planos de emergência bem elaborados e testados, para que tudo possa correr com tranquilidade em todos os serviços.


Outra coisa a acautelar será o problema das agências de viagens, que naturalmente saberão aproveitar estas gratuitidades em seu proveito, e agendarão as visitas para o período da manhã dos domingos e feriados, mesmo que tenham recebido o valor das entradas por parte dos clientes. Esta situação tem sido recorrente, com os turistas a tirar os seus bilhetes grátis, aumentando as filas de alguns monumentos, depois de terem sido informados sobre o que iam ver, pelo guia que os acompanha no autocarro até ao local.

Cartoons interessantes 

quinta-feira, março 16, 2017

AINDA AS GRATUITIDADES NOS MUSEUS

Depois de algumas críticas interessantes que os meus amigos me fizeram chegar de um modo discreto e particular, aqui ficam alguns elementos que talvez elucidem melhor os críticos e, quem sabe, os senhores deputados.

O ponto de partida para o meu artigo anterior foi a recomendação de alargamento das gratuitidades “aos fins-de-semana, feriados e quartas-feiras para as pessoas até aos 35 anos”.

Em primeiro lugar não creio que existam estudos sobre a percentagem de entradas grátis que resultariam de tal medida. Em segundo lugar é discutível que a totalidade do universo de pessoas até aos 35 anos esteja entre os mais desfavorecidos, comparativamente ao grupo de indivíduos com idade superior a 65 anos.

A pergunta que já tinha colocado sobre a estimativa de quanto significaria a perda de receitas após a entrada em vigor desta proposta, também ficou sem resposta, como eu calculava.

Outro ângulo da questão prende-se com a dificuldade de fixação de funcionários qualificados nos museus, palácios e monumentos dependentes do Ministério da Cultura. Poucos o sabem mas os candidatos admitidos nos últimos concursos internos apenas usam estes serviços durante uns meses, pedindo quase de imediato a transferência para outros ministérios, através dos mecanismos de mobilidade, ou candidatando-se por concurso a vagas noutros ministérios.

É muito difícil fixar pessoas com vencimentos na ordem dos seiscentos e picos euros, horários de trabalho que incluem fins-de-semana e feriados sem qualquer compensação extra por isso, e com folgas que não são compatíveis com as dos seus familiares directos. Claro que a desculpa para isto é a falta de verbas para o pagamento do trabalho que devia ser considerado extraordinário, ou para considerar que esses trabalhadores estão numa carreira específica e que portanto assim devia ser tratada.

Por último quando se fala em alargar as gratuitidades amais “cidadãos”, podia inferir-se que se estavam a referir a nacionais ou residentes, mas isso não é correcto, porque as gratuitidades são igualmente extensíveis a estrangeiros, talvez mesmo a cidadãos não comunitários, como acontece hoje com os descontos praticados.


A minha pergunta do último post mantém-se: de onde virá o dinheiro para a implementação destas recomendações, sem prejudicar o funcionamento dos serviços?