quinta-feira, março 16, 2017
AINDA AS GRATUITIDADES NOS MUSEUS
terça-feira, novembro 08, 2011
ESTUDOS E COMPARAÇÕES
A nossa imprensa brinda-nos com alguma frequência com estudos em que nós portugueses saímos invariavelmente mal quando comparados com os nossos parceiros europeus. O último tem que ver com o que se prevê gastar na quadra natalícia deste ano.
Os números apresentados, de 530 euros para os portugueses, e os 449 para os alemães e os modestíssimos 260 euros para os holandeses, fizeram logo aparecer uns comentários mirabolantes, segundo os quais a crise não nos estará a afectar tanto quanto seria de esperar.
Seria fácil colocar em causa estes números, argumentando com o número de portugueses que não aufere mais do que este montante mensal, aos quais se devem somar os desempregados, para contestar os números apresentados, mas não vale a pena seguir por aí.
A bem da honestidade das conclusões, talvez fosse melhor começar pela importância dada pelos ditos povos à data em questão, e as tradições de cada um. Porque estamos a comparar coisas que são naturalmente diferentes.
Outra coisa que talvez seja útil comparar, porque não é indiferente, é o que é que nós consideramos despesas de Natal e o que os outros consideram, pois os padrões são diferentes. Por exemplo, as refeições e a mesa de Natal são parte dos gastos dos portugueses, e não o são para outros povos, e o mesmo se pode dizer das deslocações para as reuniões familiares.
Certos dados e certas comparações só podem ser considerados se na sua ponderação também entrar o rendimento efectivo médio de cada povo, e aqui entram certos números que pesam imenso, pois um holandês tem rendimentos quase 80% superiores, e um alemão tem rendimentos 56,5% superiores aos de um português.
Falar de despesas suplementares em situações financeiras muito diferentes, é impossível e tirar conclusões é desonesto e demagógico. Talvez haja uma explicação lógica, que será a de tentar legitimar a acção do governo que pretende cortar ainda mais, mas isso não abona a quem publica e conclui a partir de estudos desta natureza.

quarta-feira, maio 21, 2008
O SEXO E O FUTEBOL
O motivo desta escolha prende-se com uma notícia que dizia que “quatro em cada cinco portugueses preferem praticar sexo a assistir a um jogo de futebol”, e também que o futebol “é uma religião” para 73% dos portugueses.
Que fique assente que eu sou ateu, pelo menos na óptica futebolística, já quanto à prioridade relativamente ao sexo, ou ao futebol, pergunto-me se isso é lá uma questão a considerar. Será que o tal Social Issues Research Centre tinha algum propósito em mente quando formulou a pergunta? É que eu fiquei com a sensação de que os senhores não diferem muito das empresas portuguesas contratadas pelas autoridades portuguesas, que têm sempre uma ou mais questões completamente desnecessárias e bem tolas.
Ora bem, para afogar as mágoas ou para festejar uma vitória, nada melhor que aproveitar, … nem que seja para beber um copo, é claro. Afinal há tempo para tudo, podem crer.
terça-feira, outubro 30, 2007
MAIS E MELHOR, POR MENOS DINHEIRO
Pelo que ouvi na rádio, foram inquiridas 300 pessoas das duas maiores cidades do país e 50 dirigentes da Administração Pública, pelo que se estranha muito a representatividade do mesmo, e mais ainda que dele se tirem algumas conclusões.
A propósito da afirmação de Teixeira dos Santos, pergunto se os portugueses fossem questionados sobre se “achavam que podiam produzir mais e melhor por menos dinheiro”, teria uma resposta que fosse do seu agrado.
Um estudo destes, ainda que coordenado por Roberto Carneiro, não deixa margem para dúvidas que é da conveniência do governo, quer pela oportunidade quer pelas conclusões, mesmo partindo de premissas bastante duvidosas. Como é que se pode admitir a comparação do desempenho entre o sector público e o privado, quando não há termo de comparação na maioria das funções? Porque carga de água o Ministério das Finanças aparece como um bom exemplo, quando é o mais odiado pelos contribuintes e dos que mais tempo demora a resolver as reclamações dos contribuintes? Será que os auscultados gostam tanto assim da celeridade das cobranças, que nem se importam com a morosidade nas reclamações?
Outro dado muito curioso deste estudo, foi a revelação do senhor ministro das Finanças de que há melhorias na função pública, dando como exemplo o rejuvenescimento dos funcionários. Curioso, porque a idade média dos funcionários tem aumentado a olhos vistos, e as admissões têm estado praticamente congeladas, à excepção do seu próprio ministério.
Eu concluo com um dito popular – querem galinha gorda por pouco dinheiro?








