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quinta-feira, março 16, 2017

AINDA AS GRATUITIDADES NOS MUSEUS

Depois de algumas críticas interessantes que os meus amigos me fizeram chegar de um modo discreto e particular, aqui ficam alguns elementos que talvez elucidem melhor os críticos e, quem sabe, os senhores deputados.

O ponto de partida para o meu artigo anterior foi a recomendação de alargamento das gratuitidades “aos fins-de-semana, feriados e quartas-feiras para as pessoas até aos 35 anos”.

Em primeiro lugar não creio que existam estudos sobre a percentagem de entradas grátis que resultariam de tal medida. Em segundo lugar é discutível que a totalidade do universo de pessoas até aos 35 anos esteja entre os mais desfavorecidos, comparativamente ao grupo de indivíduos com idade superior a 65 anos.

A pergunta que já tinha colocado sobre a estimativa de quanto significaria a perda de receitas após a entrada em vigor desta proposta, também ficou sem resposta, como eu calculava.

Outro ângulo da questão prende-se com a dificuldade de fixação de funcionários qualificados nos museus, palácios e monumentos dependentes do Ministério da Cultura. Poucos o sabem mas os candidatos admitidos nos últimos concursos internos apenas usam estes serviços durante uns meses, pedindo quase de imediato a transferência para outros ministérios, através dos mecanismos de mobilidade, ou candidatando-se por concurso a vagas noutros ministérios.

É muito difícil fixar pessoas com vencimentos na ordem dos seiscentos e picos euros, horários de trabalho que incluem fins-de-semana e feriados sem qualquer compensação extra por isso, e com folgas que não são compatíveis com as dos seus familiares directos. Claro que a desculpa para isto é a falta de verbas para o pagamento do trabalho que devia ser considerado extraordinário, ou para considerar que esses trabalhadores estão numa carreira específica e que portanto assim devia ser tratada.

Por último quando se fala em alargar as gratuitidades amais “cidadãos”, podia inferir-se que se estavam a referir a nacionais ou residentes, mas isso não é correcto, porque as gratuitidades são igualmente extensíveis a estrangeiros, talvez mesmo a cidadãos não comunitários, como acontece hoje com os descontos praticados.


A minha pergunta do último post mantém-se: de onde virá o dinheiro para a implementação destas recomendações, sem prejudicar o funcionamento dos serviços?    


terça-feira, novembro 08, 2011

ESTUDOS E COMPARAÇÕES

A nossa imprensa brinda-nos com alguma frequência com estudos em que nós portugueses saímos invariavelmente mal quando comparados com os nossos parceiros europeus. O último tem que ver com o que se prevê gastar na quadra natalícia deste ano.

Os números apresentados, de 530 euros para os portugueses, e os 449 para os alemães e os modestíssimos 260 euros para os holandeses, fizeram logo aparecer uns comentários mirabolantes, segundo os quais a crise não nos estará a afectar tanto quanto seria de esperar.

Seria fácil colocar em causa estes números, argumentando com o número de portugueses que não aufere mais do que este montante mensal, aos quais se devem somar os desempregados, para contestar os números apresentados, mas não vale a pena seguir por aí.

A bem da honestidade das conclusões, talvez fosse melhor começar pela importância dada pelos ditos povos à data em questão, e as tradições de cada um. Porque estamos a comparar coisas que são naturalmente diferentes.

Outra coisa que talvez seja útil comparar, porque não é indiferente, é o que é que nós consideramos despesas de Natal e o que os outros consideram, pois os padrões são diferentes. Por exemplo, as refeições e a mesa de Natal são parte dos gastos dos portugueses, e não o são para outros povos, e o mesmo se pode dizer das deslocações para as reuniões familiares.

Certos dados e certas comparações só podem ser considerados se na sua ponderação também entrar o rendimento efectivo médio de cada povo, e aqui entram certos números que pesam imenso, pois um holandês tem rendimentos quase 80% superiores, e um alemão tem rendimentos 56,5% superiores aos de um português.

Falar de despesas suplementares em situações financeiras muito diferentes, é impossível e tirar conclusões é desonesto e demagógico. Talvez haja uma explicação lógica, que será a de tentar legitimar a acção do governo que pretende cortar ainda mais, mas isso não abona a quem publica e conclui a partir de estudos desta natureza.

CARTOON

FOTOGRAFIA
By Palaciano

quarta-feira, maio 21, 2008

O SEXO E O FUTEBOL

Há quem vá estranhar eu vir abordar este tema, principalmente porque mete futebol, e porque como já afirmei, não sou “um doente” desta modalidade desportiva, limitando o meu interesse ao apoio à selecção nacional.

O motivo desta escolha prende-se com uma notícia que dizia que “quatro em cada cinco portugueses preferem praticar sexo a assistir a um jogo de futebol”, e também que o futebol “é uma religião” para 73% dos portugueses.

Que fique assente que eu sou ateu, pelo menos na óptica futebolística, já quanto à prioridade relativamente ao sexo, ou ao futebol, pergunto-me se isso é lá uma questão a considerar. Será que o tal Social Issues Research Centre tinha algum propósito em mente quando formulou a pergunta? É que eu fiquei com a sensação de que os senhores não diferem muito das empresas portuguesas contratadas pelas autoridades portuguesas, que têm sempre uma ou mais questões completamente desnecessárias e bem tolas.

Ora bem, para afogar as mágoas ou para festejar uma vitória, nada melhor que aproveitar, … nem que seja para beber um copo, é claro. Afinal há tempo para tudo, podem crer.

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FOTOGRAFIA
Melody of Light AkimSV

Wind-of-Summer AkimSV

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... nas nuvens

Amantes no harém

terça-feira, outubro 30, 2007

MAIS E MELHOR, POR MENOS DINHEIRO

A propósito de um estudo, parece que encomendado pelo Instituto Nacional de Administração à Universidade Católica, o senhor ministro das Finanças concluiu brilhantemente, que “os cidadãos querem mais e melhor e que se gaste menos”.
Pelo que ouvi na rádio, foram inquiridas 300 pessoas das duas maiores cidades do país e 50 dirigentes da Administração Pública, pelo que se estranha muito a representatividade do mesmo, e mais ainda que dele se tirem algumas conclusões.
A propósito da afirmação de Teixeira dos Santos, pergunto se os portugueses fossem questionados sobre se “achavam que podiam produzir mais e melhor por menos dinheiro”, teria uma resposta que fosse do seu agrado.
Um estudo destes, ainda que coordenado por Roberto Carneiro, não deixa margem para dúvidas que é da conveniência do governo, quer pela oportunidade quer pelas conclusões, mesmo partindo de premissas bastante duvidosas. Como é que se pode admitir a comparação do desempenho entre o sector público e o privado, quando não há termo de comparação na maioria das funções? Porque carga de água o Ministério das Finanças aparece como um bom exemplo, quando é o mais odiado pelos contribuintes e dos que mais tempo demora a resolver as reclamações dos contribuintes? Será que os auscultados gostam tanto assim da celeridade das cobranças, que nem se importam com a morosidade nas reclamações?
Outro dado muito curioso deste estudo, foi a revelação do senhor ministro das Finanças de que há melhorias na função pública, dando como exemplo o rejuvenescimento dos funcionários. Curioso, porque a idade média dos funcionários tem aumentado a olhos vistos, e as admissões têm estado praticamente congeladas, à excepção do seu próprio ministério.
Eu concluo com um dito popular – querem galinha gorda por pouco dinheiro?

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Fotografia
Ловец снов

Ловец снов

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Steve Sack
John Cole