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terça-feira, julho 24, 2018

O REI E A MÚSICA


Sabe-se que alguns dos nossos reis manifestaram um gosto especial pela música, e ninguém ignora que D. João V encomendou os carrilhões de Mafra, ou que D. João VI encomendou os seis órgãos que estão hoje na Basílica de Mafra.

O gosto pela música por parte da realeza lusa é bastante anterior, basta mencionar o rei D. Dinis, mas pouco se fala de D. Manuel, que levou esse gosto a extremos.

Quando o rei se deslocava pela cidade de Lisboa, para além da verdadeira procissão que o acompanhava, que incluía um rinoceronte, elefantes, um leopardo e o seu séquito, também era acompanhado por trombeteiros e tambores. Quando se recolhia para os seus aposentos para descansar, mandava que lhe tocassem uma serenata.

Quando estava na Casa da Índia, no seu escritório, uma orquestra tocava para ele, e até quando às sextas-feiras estava no tribunal, lá se ouviam os sons de flauta e clavicórdio. Segundo Damião de Góis, o rei reuniu músicos de toda a Europa para a sua música de câmara e para a sua capela.

A tudo isto podemos juntar as muitas festas aos serões, onde imperava a música, a par com os comediantes e o próprio teatro.



sábado, fevereiro 03, 2018

MUSEUS - ESTÁTUAS E PINTURAS OFENSIVAS



O quadro “Hylas and the Nymphs” foi retirado do local onde estava exposto, na Manchester Art Gallery, e o pretexto foi a forma como é representado o corpo da mulher.

Um quadro da época Vitoriana da autoria de John William Waterhouse, foi retirado da parede e no espaço antes ocupado pela pintura os visitantes foram convidados a escrever post-its com os seus pensamentos sobre a questão: Este quadro é ofensivo?

Como seria de esperar as reacções foram mistas, uns concordando que a sua exibição é ofensiva, e outros a afirmar que se trata de um precedente perigoso, pois não passa de um acto de pura censura.

Confesso que a adopção cega do politicamente correcto em matéria de gosto, e em especial em manifestações artísticas me deixam preocupado. Muitas pinturas e esculturas foram feitas em épocas em que essas obras eram aceites e admiradas, e os autores nem sequer estavam a desafiar mentalidades como acontece nos nossos dias.

As obras de arte fazem parte da História dos povos e como tal, devem ser encaradas, cabendo aos museus e outros agentes culturais explicar o contexto da época em que elas foram feitas, e não seguir cegamente o gosto de cada um, e as suas opiniões muitas vezes desenquadradas da realidade histórica.  


Hylas and the Nymphs