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terça-feira, novembro 06, 2018

MUSEUS E TECNOLOGIA

A tecnologia não é inimiga dos museus, palácios e monumentos, mas a resistência continua a ser muita, quer por inércia, quer por falta de vontade para disponibilizar conteúdos.

Boa parte dos serviços tem muita falta de informação para disponibilizar ao público, e a divulgação do nosso Património é incipiente e pouco eficaz. 

A realidade está à vista de todos, e se em alguns (poucos) serviços se tenta remar contra a maré, na maioria dos casos não se vê qualquer tipo de inovação, nem se conhece qualquer tentativa  de inverter a situação, pelo menos que seja pública.


segunda-feira, dezembro 15, 2014

BEIRA - ROTEIRO SENTIMENTAL

O interesse pela baía do Pungoé - designada então por baía de Massansane ou baía do Mesquita - vem desde 1882 quando o explorador Joaquim Carlos Paiva de Andrada chamou a atenção da Sociedade de Geografia de Lisboa para a ocupação da vasta zona compreendida entre Sofala, Manica e Sena, sendo esta a porta natural para a reocupação de todo aquele território.
 
As origens e o desenvolvimento da cidade da Beira, cujo nome é uma homenagem ao príncipe herdeiro português D. Luís Filipe, tiveram a ver com a sua posição privilegiada numa futura rede de comunicações com o interior, que se viria a construir de acordo com as obrigações internacionalmente impostas a Portugal. A sua localização definitiva, na margem esquerda do rio Pungoé, à revelia das determinações oficiais de 1884, reflecte já a necessidade de encontrar melhor ancoradouro após o reconhecimento hidrográfico daquele rio.
 
A primeira ponte de desembarque viria a ser construída na margem direita do Chiveve, em 1895, estando na origem do actual complexo portuário que data de 1929. Uma linha ferroviária liga a cidade com o Zimbabwe (então Rodésia do Sul) desde 1896, sendo posteriormente aberto à exploração o transzambeziano, que tinha como ponto de partida o Dondo, a 27 quilómetros da Beira.
 
A fixação definitiva de portugueses na região, no interior duma pobre paliçada de paus e matope erigida nas terras desabitadas do Bangoé, só viria a dar-se em Agosto de 1887 após demoradas e difíceis negociações com Ngungunhane, senhor da região, a partir das invasões “nguni”(1835-1836).
 
Toda a região de Manica e Sofala viria a ser palco de graves conflitos internacionais nos quatro anos imediatos a essa instalação dos portugueses. Em 1891 chegou a estar iminente a sua ocupação pelas forças policiais da British South Africa Company.
 
A fixação e o desenvolvimento de tão vastos territórios viria a ser entregue a uma sociedade comercial (a primeira Companhia de Moçambique), como era comum na época. Instalada na Beira, procurou estabelecer a sua presença efectiva em Manica.
 
Só após o regresso da tranquilidade aos territórios e a constituição da segunda Companhia de Moçambique, em 1892 (com poderes majestáticos!), se iniciaram os grandes trabalhos que vieram a transformar a Beira.
 
A povoação nasceu verdadeiramente com os primeiros armazéns construídos pela primitiva Companhia de Moçambique, em 1888. Quatro anos depois, quando se fundou a segunda Companhia, as construções já se espalhavam, em desalinho, sobre uma estreita língua de areia, entre o Chiveve e o rio Pungué: as casas da Companhia ocupavam a margem direita, o acampamento da expedição militar e a aringa do comando militar do Aruângua, já em ruínas, a margem esquerda.
Por iniciativa do engenheiro Joaquim José Machado, na tentativa de obviar aos inconvenientes existentes, tal como se verificava com as primitivas barracas do Bairro da Alfândega (hoje completamente desaparecido), viria a ser delineada a primeira planta da povoação, onde se indicavam as principais ruas e bairros, numa estrutura regular e geométrica.
 
Evitou-se assim o crescimento desordenado e definiu-se um esquema de arruamentos ajustado à configuração do espaço. Espaço esse, que se foi ampliando conforme as necessidades da sua expansão, dividindo-se o terreno edificável em talhões com uma orientação definida.
 
Os planos de urbanização posteriores respeitaram o traçado primitivo, ajustando-o apenas às novas concepções urbanísticas. Na margem esquerda do Chiveve, onde se encontravam o farol, a alfândega, o hospital e o mercado, o traçado inflectiu sucessivamente para leste, facto ainda hoje facilmente verificável pelo percurso da Rua António Enes, acompanhando a estreita língua de areia, estendendo-se o extenso alinhamento até junto do mar, na actual Praça da Independência (conhecida, no período colonial, por Praça da Índia). No seu extremo, encontrava-se o Bairro da Ponta Gêa, onde desde cedo a Companhia construiu algumas infra-estruturas, como um posto semafórico/farol (1892-1893), estando este edificado numa península de areia.
 
Na margem direita do Chiveve, conhecido por Maquinino, erguiam-se também alguns dos principais edifícios da povoação, como o quartel, a cadeia, a igreja, o cemitério e um campo desportivo de cricket!
 
A ligação entre as duas margens era fundamental, tendo-se inicialmente construído uma ponte de madeira, que em 1910 foi substituída por uma ponte metálica.
 
A ligação com o interior viria a fazer se com uma estrada na direcção do norte, visando evitar o pântano, no sentido do Esturro, de onde inflectia para Matacuane. Deste local o traçado dirigia-se para a elevação arenosa da Chota, desviando-se depois no sentido da Manga Loforte. Mais tarde, foi aberta a estrada da Munhava e, a partir desta, no lugar do Esturro, uma outra directamente para a Manga.
 
A estrada de acesso ao Macúti, onde já existia um farol (1904), e à missão católica de Marora, não foi traçada ao longo da linha da praia por se recear a sua conservação, visto o vento a cobrir frequentemente de areia. Foi após a conclusão daquele arruamento, em Novembro de 1930, que se pensou em estudar para esse local a criação de uma “povoação de europeus”. O seu desenvolvimento viria a ocorrer vinte anos mais tarde, quando se construíram as 100 vivendas que constituíam o Bairro da Sofil (1953), se instalou algum comércio (o “Leão de Ouro” e o “Emporium”) e um clube náutico (1953).
 
Também se estabeleceu uma zona turística ao norte do farol, compreendendo, entre outros, um acampamento turístico e um hotel a partir de Abril de 1957.
O ante-projecto de urbanização da cidade, de autoria do engenheiro Joaquim de Oliveira Ribeiro Alegre e do arquitecto José Luís Porto, aprovado em 1947, marcaria o futuro da cidade até hoje.
 
A Beira dividia-se em bairros, tanto do ponto de vista étnico - europeu (estendia do sul do Chiveve até ao Macúti), asiático (Maquinino, Esturro e Matacuane) e africano (Manga) - como pela funcionalidade - comercial (na parte ocidental), industrial (a poente da estrada da Manga), ferroviário (onde actualmente ainda se encontra localizado) e campo de aviação (Manga). O Chiveve seria transformado num lago que, com o campo de golfe, daria lugar a um grande espaço livre, necessáriopara arejamento e desafogo da cidade, muito embora, posteriormente, para esse local tivesse sido preconizado um Centro Cívico e Comercial.
 
Só a partir da segunda metade dos anos 50 do século passado e da década seguinte se deu uma evolução na mancha urbana, de certo modo rápida, nas zonas do Macúti, Matacuane e Munhava-Nova, acompanhada com a construção de edifícios de grande porte, como o Grande Hotel da Beira, o Banco Nacional Ultramarino, os cinemas São Jorge e Nacional, e os prédios Bulha, Entreposto, A Teixeira, Souglides, F. L. Simões, Cocorozis, Nauticus, Nunes e Barreto.
 
Simbolicamente, a expressão mais visível das transformações urbanas ocorridas nesse novo período é a Praça do Município, surgida após a demolição das velhas casas de madeira e zinco ali existentes, tendo as obras da mesma ficado concluídas em Dezembro de 1954.
Não existe até hoje um inventário pormenorizado dos edifícios com interesse histórico ou arquitectónico da cidade da Beira. Das velhas edificações de madeira e zinco, muitas das quais resistiam ainda após a independência, praticamente já nada existe. O uso generalizado destes materiais nos princípios do século XX faria com que a Beira fosse conhecida internacionalmente como a “Cidade do zinco”. Quando a povoação se começou a expandir, a partir de 1891, dando origem à actual rua António Enes ligando o Comando Militar à zona da alfândega, encheu-se de casas deste tipo, de um e outro lado da rua - eram as chamadas “Casas do Governo”.
 
Com a passagem dos territórios para a Companhia de Moçambique, estas viriam a ser ocupadas pelos diversos serviços: Intendência, Tribunal, Conservatória e as residências dos respectivos funcionários.
 
O edifício da Intendência, que seria também a residência e sede do Governo do Distrito de Sofala, era na altura a melhor casa da Beira. Distinguia-se pelo enorme mastro, à entrada, ali colocado pela tripulação do navio de guerra “Mandovi”. Foi um dos últimos a desaparecer do chamado Bairro do Governo, demolido em Setembro de 1958. Hoje é o parque de estacionamento ao lado do cinema Nacional.
 
Ainda que o uso do zinco se mantivesse até à década de 1920, já no final do século XIX começaram-se a construir alguns edifícios de alvenaria.
 
Mas das “construções de ferro” restam ainda belos exemplares, sendo a Casa Portugal o mais conhecido.



Texto do Dr. António Sopa
 Texto retirado do blogue Beira-amar 


quinta-feira, março 22, 2012

MOSTEIRO DA BATALHA

Vai ser inaugurado hoje o Centro de Interpretação do Mosteiro da Batalha, e a atracção principal vai ser a projecção em 3D das fases de construção ao longo dos séculos.

Aquele que foi o segundo panteão régio nacional, onde estão sepultados não só D. João I, esposa e filhos, como também os seus sucessores até D. João II, é também um dos símbolos do nosso desejo de independência nacional, mandado construir após a vitória alcançada na Batalha de Aljubarrota.

Muitas das pessoas que dizem ter visitado este monumento conhecem apenas a igreja e a Capela do Fundador, cujo acesso é livre, mas há muito mais para conhecer neste mosteiro, começando pela Sala do Capítulo e da sua famosa abóbada, os dois claustros e as Capelas Imperfeitas que são simplesmente inesquecíveis.

Não sei ainda o que vai ser mostrado nestas projecções em 3D mas espero que também sejam abordadas certas curiosidades menos conhecidas como a existência do Claustro de D. João III, destruído por um incêndio e os canais de drenagem de águas que existem sob o monumento e que serviam para drenar as águas (e não só) desta zona que era pantanosa. Também era interessante conhecerem-se certos pormenores como o facto de alguns dos túmulos reias só terem sido feitos séculos depois da trasladação dos corpos para este mosteiro.

Há sempre muito que pode ser feito para divulgar e dar a conhecer o nosso Património, e devemos sempre aplaudir iniciativas nesse sentido, mesmo que possamos querer sempre mais.


IMAGEM
Recebida por mail

sábado, novembro 14, 2009

MÚSICA ADEQUADA AO MOMENTO

Tenho acompanhado as notícias, mas como elas não são recomendáveis tenho-me entretido a ouvir música e encontrei duas que me pareceram adequadas ao momento.
Abraço do Zé para todos os que aqui passam






quarta-feira, agosto 06, 2008

RESPOSTA A PEDIDO

Não vou propriamente comentar o programa em directo feito pela RTP durante o dia de ontem, a partir do Largo Rainha Dª Amélia, fronteiro ao Palácio Nacional de Sintra, porque não o vi, e só soube alguma coisa porque mo disseram no café depois do jantar.

Não discuto gostos, por isso nem comento as “atracções” que me descreveram, nem o programa em si, mas acho que tanto o Ministério da Cultura como a RTP, podiam fazer muito mais e melhor para promover a zona histórica de Sintra, ou o Palácio da Vila onde decorreram as gravações.

Já afirmei aqui que o professor Hermano Saraiva fez mais pela divulgação do nosso património do que o ministério, e não retiro nada ao que disse, nem sequer algumas discordâncias quanto a alguns factos e às suas opiniões. Como sabem todos os que visitam o Património a cargo do Ministério da Cultura, em nenhum monumento ou palácio existe à venda um DVD que possamos comprar, que contenha uma resenha histórica, ou tão só uma vista comentada que possamos levar para casa e mais tarde rever. Porquê? Não sei.

Embora viva por estas bandas há relativamente pouco tempo, tanto quanto sei nunca houve uma recriação histórica de autos de Gil Vicente, ou da leitura de trechos dos Lusíadas, ou a saída para uma caçada real, ou a ainda a entronização de D. João II, isto só para falar de alguns exemplos do que se podia fazer no antigo Paço Real de Sintra.

Devo estar a delirar, tudo isso dá trabalho, necessita de ser planeado, requer alguma pesquisa, e isso é um obstáculo para quem está à frente dos destinos da Cultura.

Já devem ter percebido porque é que eu até preferia passar em branco o tal programa da RTP. Eu fico em regra bastante azedo quando se diz que um qualquer evento dá maior visibilidade a Sintra, ou a um dos seus monumentos, mas não se faz o que é óbvio e directamente ligado à sua História.



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IMAGEM E EFEITOS
Syllia... by *Dianae
Umbrella Sky by blackeri

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HUMANOS - UMA VISÃO DE MESTRE
Caloi/ Argentina
Caloi/ Argentina