domingo, novembro 10, 2013

TEMPOS ESTRANHOS



Vivemos tempos realmente estranhos em que os governos se preocupam mais com as imposições externas do que com as necessidades dos cidadãos. Tempos em que os políticos mentem para ganhar eleições, sem nunca mostrar arrependimento.

Talvez por serem tempos esquisitos, a palavra vale cada vez menos, a verdade é sempre relativa, o trabalho é desvalorizado, a incompetência é recompensada, a política deixou de ser respeitada e as relações humanas são cada vez mais impessoais.

O descontentamento é sistematicamente desvalorizado e o poder é cada vez mais surdo ao que se ouve nas ruas, restando ao protesto encontrar formas mais gravosas de protesto, ou protestos mais mediáticos.

Foi precisamente um protesto mediático o que o pintor russo Piotr Pavlenski efectuou na Praça Vermelha, em Moscovo, quando cravou os testículos ao solo com a ajuda de um martelo. Não terá sido uma acção que eu aprovasse ou que alguma vez pense vir a copiar, mas o que é certo é que mereceu espaço em quase toda a imprensa mundial.  

sexta-feira, novembro 08, 2013

SEMPRE A MESMA TRETA



O ministro Poiares Maduro, que já nos brindou com algumas pérolas da (péssima) comunicação deste governo, veio esta semana dizer que “o pior já passou” e que “por mais que penalizássemos os que mais têm, isso nunca seria suficiente”.

Não sei o que poderá o ministro querer dizer quando diz que o pior já passou, quando sabemos que o governo pretende implementar mais medidas de austeridade que atingem os salários e pensões, bem como outras prestações sociais. Talvez esteja a pensar nos multimilionários que têm aumentado em número no país, que está em crise, bem como vão aumentando o seu pecúlio enquanto muitos mais empobrecem.

A outra afirmação tem sido recorrente porque este governo acha sempre que taxar os que mais têm não resolve nenhuma coisa pois a colecta seria sempre insuficiente, por isso a solução está sempre em penalizar o trabalho e as pensões, porque é mais fácil e rende mais aos cofres públicos. Falar em justiça social e equidade é tempo perdido, porque a lógica do executivo é esta, apesar dos discursos bonitos sobre as preocupações sociais.


quarta-feira, novembro 06, 2013

O CIVISMO NA ESTRADA



É comum ler-se sobre a falta de civismo dos automobilistas enquanto conduzem os seus automóveis, e todos nós conhecemos uns quantos “nabos do volante”, ou já vimos condutores a quem saiu a carta na Farinha Amparo. Será que devemos ficar por aí?

Na realidade existem muitos mais perigos nas estradas para além dos automobilistas, e pouco se fala desses verdadeiros perigos, porque é politicamente incorrecto.

Podia começar pelos motociclistas com apetência para a velocidade e para as gincanas no meio do trânsito, que ultrapassam pela esquerda e pela direita, colocando a própria vida, e não só, em perigo.

O que dizer dos ciclistas, principalmente dos que usam as bikes para diversão, que circulam lado a lado como se isso fosse normal ou aceitável, circulando em vias estreitas e muito movimentadas, tantas vezes com auriculares, sempre sem um espelho e muito menos ainda com uma superfície reflectora no veículo, ou nas vestes, e sem uma luz à frente ou na rectaguarda.

Também convém referi os peões, que decidem atravessar uma rua subitamente, mesmo que não numa passadeira, e muitas vezes entretidos com os seus telemóveis ou ouvindo música. Já nem falo nos peões que em vez de usarem os passeios (onde os há) caminham pela estrada, ou correm alegremente pela mesma, desafiando inconscientemente a sorte.

Pelo exposto fica apenas uma conclusão: o que é necessário é existir mais civismo na estrada, mais respeito pela vida e pelos outros, seja qual for o meio de locomoção que usemos.

segunda-feira, novembro 04, 2013

DIA DE AZAR PARA O GOVERNO



Pode dizer-se que esta semana começou mal para o governo, e para a maioria que o suporta, porque foi tornado público o relatório da Organização Internacional do Trabalho (OIT), sobre a situação laboral portuguesa.
 
A OIT apresenta um conjunto de medidas para reforçar a protecção social, incluindo o Indexante de Apoios Sociais, o reforço do RSI, o aumento do salário mínimo e um programa para combater o desemprego jovem.

Um documento com menos páginas que o roteiro de Portas, é demolidor relativamente às políticas do governo e às políticas que a troika tem praticado por esta latitude. O retrato do mercado de trabalho em Portugal, desde 2008, nas palavras do relatório, "não registou qualquer melhoria desde o lançamento do programa de assistência financeira", antes pelo contrário: “ a tendência de desemprego crescente intensificou-se nos últimos dois anos”.

A isto tudo a OIT acrescente o que já por aqui se disse, que tudo aconteceu sem que os objectivos macroeconómicos, especialmente as metas do défice, tenham sido alcançados.


sexta-feira, novembro 01, 2013

“ESTE É O VOSSO PARLAMENTO”



Perante o protesto público, durante o debate da votação do Orçamento de Estado para 2014, que interrompeu o discurso do ministro Paulo Portas, a presidente da Assembleia da República mandou retirar o público das galerias e rematou com a frase: Este é o vosso Parlamento.

Todos sabemos que os protestos iam direitinhos para o governo, que apresentava a sua proposta de OE, e para a maioria que suporta o mesmo, e não para a generalidade do Parlamento. Todos, talvez excepto a senhora presidente.

Assunção Esteves enganou-se quando proferiu a frase, porque nem os membros do governo que se sujeitaram a eleições, nem os restantes deputados da maioria que o suporta, alguma vez disse ao eleitorado que iria tomar medidas como as que estão nesta proposta de orçamento, bem pelo contrário.

Quando se é eleito prometendo o contrário do que depois se faz, perde-se toda a legitimidade, e não vale a pena vir acenar com a legitimidade formal, quando o povo já deixou de acreditar nos eleitos que não souberam, ou quiseram, honrar a palavra dada.