Hoje li duas notícias que por abordarem questões laborais por ópticas diferentes me chamaram a atenção. A primeira era referente à Alemanha e tratava da falta de pessoal qualificado, que é um problema muito sentido pela Europa, e dizia que os “trabalhadores de prata” (com mais de 60 anos) «são necessários em todas as áreas e devem ser valorizados pela sua experiência, pelo conhecimento, bem como pela facilidade de adaptação aos novos desafios».
A segunda, abordava o mercado de trabalho nacional e lamentava que jovens licenciados estivessem a desempenhar tarefas de venda de produtos como a banda larga que nada teriam a ver com a sua formação, concluindo que se queremos inovação, então teremos de dar mais oportunidades aos jovens com formação superior.
As duas abordagens têm pontos fortes e traduzem bem o impacto que a estagnação da economia europeia teve, na última década, no mercado laboral. Um pouco por todo lado, a partir dos anos 90, começaram a ser dispensados os trabalhadores com mais idade, com reformas antecipadas ou pre-reformas, num esforço de contenção de custos, mas quando a economia começou a mostrar sinais de retoma, constatou-se que não tinha havido uma renovação de gerações e que no mercado de trabalho não haviam profissionais experientes para contratar e que as novas gerações, mais bem habilitadas a nível formal não estavam disponíveis para trabalhar nos sectores fabris e industriais, nem tinham qualquer experiência nessas áreas.
Hoje estamos a enfrentar um problema complexo de gestão de recursos humanos, derivado de dois factores: a baixa natalidade neste continente e a falta de renovação de gerações na última década.
As consequências imediatas são o prolongamento da vida activa dos mais velhos, e a entrada tardia dos jovens na vida produtiva. Para os jovens acresce ainda um outro problema, vão ter de se habituar à ideia de terem de entrar no mundo laboral por posições mais modestas e a terem de aguardar pelas promoções que o mérito e profissionalismo inevitavelmente lhes darão. Os canudos terão menos magia que no passado recente todos, ou quase todos, terão de “começar por baixo”.
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