Tenho assistido com alguma preocupação ao pouco interesse dos políticos e analistas perante a situação preocupante que se tem verificado na Grécia. A grande maioria dos políticos tem desvalorizado a situação e as únicas abordagens ao tema, com alguma profundidade, limitam-se a tentar fazer comparações estranhas com o Maio de 68.
Eu acho que esta leveza com que se aborda o caso, é grave, porque se trata de um protesto (?) desorganizado, sem nenhum controlo, e não enquadrado por instituições que tenham alguma exigência concreta ou algum ideário reivindicativo, claro.
Este tipo de manifestações que acabam por descambar em actos de violência gratuita, não são acontecimentos novos, basta lembrar o que se passou em França ainda há pouco tempo, mas são potencialmente perigosos, nomeadamente quando, como agora, começam a tornar-se evidentes problemas sociais graves decorrentes da crise económica que abala quase todo o mundo.
O que é preocupante, é que os cidadãos cada vez menos acreditam nos seus políticos e nas instituições, e estou a falar nos partidos, e sindicatos, que tradicionalmente esgrimem as suas diferenças com regras mais ou menos definidas. Estes incidentes que geralmente despontam por algum acontecimento grave mas fortuito, podem despoletar por arrasto muitos outros descontentamentos, e tornarem-se completamente incontroláveis, transformando-se num verdadeiro caos social, impossível de controlar sem o recurso à força pura e dura, o que se tornará um descalabro.
Não deviam perder tempo a desvalorizar estes incidentes, nem a teorizar sobre as diferenças com o Maio de 68, podiam isso sim, tentar evitar que o desemprego e a exclusão aumentassem, e deviam reflectir sobre os erros que nos conduziram à grave situação em que nos encontramos.



