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segunda-feira, março 23, 2015
O ELEFANTE NA LOJA DE CRISTAIS
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quarta-feira, fevereiro 04, 2009
QUESTÕES DE OPORTUNIDADE
Numa ocasião em que o desemprego atinge proporções alarmantes em Portugal, é difícil de engolir algumas propostas deste Governo. Uma proposta verdadeiramente indecente é a do convite aos professores reformados para fazerem trabalho voluntário e não remunerado nas escolas.
A memória nos políticos não é reconhecidamente uma qualidade pela qual eles sejam admirados, mas todos nós lemos muito recentemente que entre os funcionários públicos que pediram reformas, a profissão que mais tinha recorrido a este pedido tinha sido precisamente a dos professores. O motivo mais invocado foi precisamente a discordância com a política educativa deste executivo, e mesmo com as penalizações agravadas nos últimos anos, a decisão pendeu em muitos casos para a reforma, mesmo que antecipada.
Quem se lembraria numa ocasião em que o desemprego é uma ameaça que a todos assusta, vir a propor a reformados que venham a desempenhar funções a título gratuito, diminuindo assim as oportunidades para os que estão já no desemprego?
Por vezes pergunto-me se os políticos que nos (des) governam vivem no mesmo planeta que os restantes portugueses, ou se se trata mesmo da falta de qualidade a que muitos aludem, e que os ditos fazem questão de demonstrar com a sua acção.
quarta-feira, março 05, 2008
OS CHORAMINGAS
O chefe do governo deste país, que é um dos que tem dos piores indicadores económicos e sociais da União Europeia, não tinha necessidade nenhuma de, para elogiar ou sublinhar a importância de um determinado investimento, designar de “choramingas” os que se queixam, muito justamente, da má qualidade de vida que têm e da falta de perspectivas para o futuro próximo.
Um governante consciente e sensato, sabendo que há muita gente desempregada, outros a viverem de rendimentos sociais de inserção, bastantes com o ordenado mínimo, e um número exagerado de pessoas com trabalhos precários, para não me alongar muito, devia refrear o discurso e nunca desvalorizar as dificuldades por que passam muitos dos que por ele são governados. Sabemos que o senhor José Sócrates vê um país cor-de-rosa, mas toda esta legião de desfavorecidos, a que pretendeu chamar de “choramingas”, também veriam tudo mais cor-de-rosa, caso tivessem rendimentos semelhantes ao dele (metade devia chegar), as mesmas mordomias e os mesmos conhecimentos que lhes garantiriam, seguramente o futuro.
Não gosto de José Sócrates, nem a isso sou obrigado, mas gostaria de ver esse senhor a governar-se e à família com as dificuldades dos cidadãos “choramingas”, só para ver se a sua opinião não mudava radicalmente, e se a sua visão não começava a tingir-se de cinzento muito escuro.
Senhor 1º ministro, apetece-me dizer que o senhor é pago com dinheiro dos “choramingas” e que alguns (não é o meu caso), até votaram em si.

quinta-feira, outubro 04, 2007
INSENSIBILIDADE DO PODER
O governante do país que mais armamento produz em todo o mundo, e simultaneamente o que mais exporta, está a inquietar até os seus próprios apoiantes com este veto. A razão deste veto prende-se, segundo Bush, com os seus elevados custos.
As críticas já soaram de todos os quadrantes, acusando o presidente de “veto desumano” e de “distanciamento do povo americano”.
Lá, como cá, o pretexto para os cortes no sector da saúde é o dos custos. Por cá caminha-se cada vez mais para um sistema idêntico ao dos EUA, onde apenas os seguros de saúde garantirão um atendimento de qualidade e em tempo útil, ministrado num sector cada vez mais privatizado e baseado no lucro, complementado por alguns, poucos, estabelecimentos públicos que actuarão essencialmente numa base assistencial, quase caritativa, com todas as carências próprias deste tipo de actividade.
Não pretendo ser pessimista, mas sim realista, pois tudo aponta neste sentido apesar do que possa ser o discurso do senhor ministro C. de Campos. Podemos vir a gastar rios de dinheiro com a OTA ou com o TGV, para depois ser entregue à exploração de privados e com ajudas de verbas compensatórias garantidas por uma eternidade, como no caso da Lusoponte, mas a saúde, essa teremos que a pagar através de seguros ou em dinheiro, se a ela quisermos ter acesso quando precisamos.














