A propósito da mudança na
presidência do Centro Cultural de Belém, que se tem discutido nos últimos dias,
ouvi e li muitos disparates resultantes da falta de memória que caracteriza as
sociedades modernas.
O projecto do Eixo Belém /Ajuda,
agora abandonado (?) por João Soares, visava sobretudo a valorização do
Património e outros atractivos desta zona alargada, criando sinergias que
deviam ser geridas em conjunto, ganhando-se assim uma escala maior e uma
economia de meios que podia maximizar as receitas, redistribuir públicos,
harmonizar e diversificar a oferta.
O modelo ficaria próximo do que
acontece em Sintra com a empresa Parques de Sintra – Monte da Lua, que hoje é um sucesso sendo auto-suficiente, ganha prémios internacionais e apresenta o Património construído e natural em muito melhores condições do que se encontrava anteriormente com gestões públicas.
Talvez muitos estejam esquecidos
do que se passava em Sintra antes da existência da PS-ML, em que existiam
diversas entidades públicas responsáveis por esse mesmo Património, desde o
ministério da Agricultura, à câmara e à Cultura, que nunca se conseguiram
entender para fazer uma oferta integrada, e os jardins estavam ao abandono, a
serra igualmente, e os monumentos eram uma pálida ideia do que se vai vendo
hoje. Como se percebe estava tudo como hoje se pode ver na zona de Belém e
Ajuda, com o Mosteiro e a Torre cheios, e os museus dos Coches, de Etnologia e
de Arte Popular, por exemplo, às moscas, para não falar do Palácio da Ajuda que
sem as escolas seria um quase deserto.
Já vimos outras “soluções
criativas” como é o caso do Côa, e sabemos qual o resultado, mas o que não
conhecemos é a alternativa do ministro da Cultura, e para ser sincero, acho que
não tem nenhuma em mente, por tudo que se ouviu até hoje.
