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sábado, dezembro 08, 2018

COMENTADORES E PALERMAS


Todos conhecemos uns quantos comentadores, com espaço na comunicação social (rádio, jornais, e televisões) que destilam ódio pelos funcionários públicos, e que demonstram ser tão cegos, que dizem disparates que não são admissíveis.

O comentador João Miguel Tavares, o ministro dos motins, não se limitou a disparatar quanto à greve dos guardas prisionais, como a dizer que também ele incendiaria baldes do lixo se estivesse preso. 

Depois disso só faltava mesmo mostrar a dúvida se “os funcionários públicos devem poder fazer greve?”.

Os argumentos utilizados são tão patéticos, que até doem. No caso dos guardas prisionais recorreu a dados estatísticos, para basear as suas críticas, mostrando a profundidade do seu raciocínio, e depois, no caso dos funcionários públicos recorre aos exemplos do Luxemburgo e da Polónia, que ele deve conhecer em profundidade.

Para terminar, porque o senhor comentador faz jus ao título de palerma, porque fala de privilégios únicos dos funcionários públicos, só me resta lamentar a sua obsessão, que só tem rival no seu colega de profissão, Miguel Sousa Tavares.



terça-feira, outubro 17, 2017

INCÊNDIOS, PREVENÇÃO E DISPARATES



Este ano tem sido pródigo em desgraças resultantes de incêndios, de falta de prevenção e do falhanço da Protecção Civil na coordenação e prontidão dos meios adequados de combate aos incêndios.

O desordenamento do território, a incúria, os actos criminosos, e as más práticas de alguns cidadãos podem ser as razões de grande parte dos incêndios, levando-nos a pensar que temos que ter uma política de ordenamento do território, acções de sensibilização das populações, maior cuidado na educação e mais vigilância.

O investimento muito dispendioso no combate podia e devia ser aliviado se houvesse mais investimento na prevenção. Os meios aéreos deviam ser operados pela Força Aérea, e os aviões teriam muito mais utilidade do que os submarinos.

Na área do disparate temos as declarações da senhora ministra e do seu secretário, a que se junta a teimosia de António Costa que começa a rivalizar com a de Passos Coelho. O prémio do disparate vai contudo para Miguel Sousa Tavares, que como sempre que algo de mau acontece, resolve a charada dizendo que a culpa é dos funcionários públicos, que para ele são os demónios desta terra. Coitado!



domingo, março 06, 2016

A GESTÃO E A CULTURA

A propósito da mudança na presidência do Centro Cultural de Belém, que se tem discutido nos últimos dias, ouvi e li muitos disparates resultantes da falta de memória que caracteriza as sociedades modernas.

O projecto do Eixo Belém /Ajuda, agora abandonado (?) por João Soares, visava sobretudo a valorização do Património e outros atractivos desta zona alargada, criando sinergias que deviam ser geridas em conjunto, ganhando-se assim uma escala maior e uma economia de meios que podia maximizar as receitas, redistribuir públicos, harmonizar e diversificar a oferta.

O modelo ficaria próximo do que acontece em Sintra com a empresa Parques de Sintra – Monte da Lua, que hoje é um sucesso sendo auto-suficiente, ganha prémios internacionais e apresenta o Património construído e natural em muito melhores condições do que se encontrava anteriormente com gestões públicas. 

Talvez muitos estejam esquecidos do que se passava em Sintra antes da existência da PS-ML, em que existiam diversas entidades públicas responsáveis por esse mesmo Património, desde o ministério da Agricultura, à câmara e à Cultura, que nunca se conseguiram entender para fazer uma oferta integrada, e os jardins estavam ao abandono, a serra igualmente, e os monumentos eram uma pálida ideia do que se vai vendo hoje. Como se percebe estava tudo como hoje se pode ver na zona de Belém e Ajuda, com o Mosteiro e a Torre cheios, e os museus dos Coches, de Etnologia e de Arte Popular, por exemplo, às moscas, para não falar do Palácio da Ajuda que sem as escolas seria um quase deserto.


Já vimos outras “soluções criativas” como é o caso do Côa, e sabemos qual o resultado, mas o que não conhecemos é a alternativa do ministro da Cultura, e para ser sincero, acho que não tem nenhuma em mente, por tudo que se ouviu até hoje.