Não sou contra as novas tecnologias, porque lhes reconheço muita utilidade mormente no que respeita a facilitar o trabalho, mas não aceito como bons todos os usos dados às tecnologias, só por respeitar a modernidade.
Começo por não ser um escravo das novas tecnologias, não só porque continuo a escrever em cadernos de apontamentos, a comprar livros mesmo quando podia recorrer a edições electrónicas, e a fazer contas de cabeça, sempre que relativamente simples, mas também porque no princípio da linha, ou no seu final, sempre existirá o homem para tomar uma decisão ponderada e racional.
Hoje li que o Governo aprovou a obrigatoriedade da instalação de um “chip” electrónico na matrícula de todos os automóveis. Não serei dos que têm a mania da perseguição, mas parece-me que se está a ir longe de mais no controlo dos cidadãos. Pouco me comovem as explicações do executivo de que o sistema “respeita o direito à privacidade dos proprietários e/ou condutores bem como a protecção dos respectivos dados pessoais.
Não sejamos ingénuos, porque já hoje os talões de pagamento de portagens são aceites como prova em julgamento, bem como os talões de Multibanco ou pagamentos electrónicos que colocam os seus possuidores em determinado local à hora dos movimentos efectuados. Todos os movimentos das nossas viaturas serão controlados e controláveis com o recurso a estes chips.
Cada vez mais estamos ameaçados por um grande Big Brother que sabe tudo o que fazemos, o que temos, e por onde andamos, em benefício dos bancos e dos concessionários das estradas, que assim podem dispensar mais uns quantos trabalhadores, aumentando assim os seus lucros.
Eu prezo muito a minha Liberdade, e acho que deste modo sou cada vez mais controlado por um Estado que não me garante a minha privacidade, como não garante o segredo de justiça. Para cúmulo, ainda terei que pagar para me poderem controlar melhor!...



