Uma das razões do sucesso dos humanos enquanto espécie dominante foi o seu grande poder de adaptação aliado à inteligência. O tamanho, a força e as suas armas (no sentido físico) não suplantam as de muitas outras espécies que partilham connosco a Terra.
A adaptabilidade do ser humano é fantástica, e verifica-se em muitas áreas, não só nas que nos diferenciam das outras espécies, mas também no que nos diferencia uns dos outros.
Não me interessa aprofundar muito o poder de adaptação, mas tão só registar algo em que reparei um destes dias e que deita por terra muitas teorias dos nossos gestores e economistas. Nós somos muito versáteis e sabemos adaptar-nos sempre que necessário.
Passeava eu pelo Rossio, em Lisboa, numa manhã que nasceu solarenga e fui abordado por quatro ou cinco indivíduos que me tentavam impingir óculos de sol de marca, provavelmente contrafeitos, o que recusei seguindo para a minha vida. Ao meio da tarde, já depois de ter tratado do que me levara à baixa de Lisboa, passei outra vez pelo Rossio, e na altura começara a chover. Espanto meu, os tais indivíduos dos óculos, apressaram-se a guardá-los e tiraram dos sacos que carregavam uns chapéus-de-chuva e começaram a apregoar os ditos a plenos pulmões, e não foram poucos os transeuntes que se aproximaram e compraram os úteis adereços.
Quem disse que não sabemos adaptar-nos às situações?

