quarta-feira, outubro 11, 2017

COLONIALISMO E AMÉLIA



Andava eu a ler um livro à procura de informações sobre um monumento e eis que esbarro no nome de Francisco Maria Vítor Cordon e nos seus feitos em África.


Fiquei muito admirado quando fiquei a saber que em 1889, Vítor Cordon inaugurou os campos fortificados Luciano Cordeiro e Vila Amélia, este na terra que tinha sido distinguida com o nome da rainha D. Amélia, e viria alguns anos mais tarde a ser chamada de Porto Amélia.


Veio-me logo à memória da entrada de Samora Machel em Moçambique, depois do 25 de Abril, que no discurso feito nessa cidade perguntou à população: “Vocês conhecem a Amélia? Quem é a Amélia?”. Para depois utilizar o nome antigo da zona, Pemba, para apelidar a cidade.


O nome Porto Amélia caiu, por ser considerado um sinal do colonialismo, e a cidade passou a ser conhecida como Pemba.


Que Samora Machel desconhecesse a origem do nome, ou que tenha pretendido que assim era, não me incomoda nada, mas acho que muitos portugueses deviam saber um pouco mais sobre Vítor Cordon, que afinal teve o seu papel na criação desta vila (1934) e mais tarde cidade (1958).


Vítor Cordon foi recebido com honrarias, incluindo um banquete de gala no S. Carlos, outro na cidade de Estremoz (de onde era natural), foi agraciado com diversas medalhas, e viu o seu nome ser dado a ruas, em reconhecimento pelos bons serviços prestados à nação, e foi mesmo proclamado a 15 de Setembro de 1890, “Benemérito da Pátria”.


Aquele que hoje se sujeita a ser recordado como um colonialista, foi aos olhos dos seus contemporâneos considerado um herói e um exemplo.



1 comentário:

Elvira Carvalho disse...

Obrigado pelo que aprendi aqui hoje.
Abraço