quinta-feira, setembro 06, 2007

SOMOS OS MAIORES

Quando ouvimos os nossos governantes a debitar os seus discursos, chegamos a pensar que este país é um Paraíso, e que nós somos os maiores.
A economia estava de rastos, mas o pragmatismo e o espírito reformista inverteram a tendência dos défices excessivos. O investimento que antes era no alcatrão e no betão, ou em projectos megalómanos como a Expo, ou os estádios de futebol, foi abandonado e agora, com grandes preocupações ambientais avançamos para os ecológicos campos de golfe e para a revitalização dos habitats naturais com unidades hoteleiras lá implantadas, para a defesa da biodiversidade. Megalomanias, nunca mais. O TGV e a OTA são símbolos da modernidade, porque não podemos perder a vanguarda dos transportes.
O sucesso empresarial é importante, mas as novas tecnologias são a nova mola impulsionadora do progresso, só é pena o tempo que se perde na escrita de blogues. A educação e as Novas Oportunidades combatem eficazmente o abandono escolar, e as notícias ultimamente vindas a lume, são apenas falácias induzidas por dados errados ou por má informação. As creches e as escolas vão funcionar exemplarmente durante mais horas por dia, para permitir que os pais trabalhem descansados. O ensino continua tendencialmente gratuito, e o que se paga é apenas um valor simbólico.
Que dizer da Saúde? Transformou-se num oásis, para o que bastou fechar uns quantos serviços obsoletos e com pouca afluência, para se elevar a qualidade dos hospitais empresa, de excelência como era de esperar, bem perto dos cidadãos, também tendencialmente gratuitos como consta da Constituição, e com uma gestão tão eficaz, que agora até dão lucros. Os medicamentos ficaram muito mais baratos, diria mesmo que com preços irrisórios, e já não há listas de espera para intervenções cirúrgicas, nem tempos de espera para as consultas de especialidade, ou para o atendimento nas urgências. Partos fora das unidades hospitalares, é coisa do passado.
Somos mesmo os maiores. Ainda há quem fale da Finlândia, da Dinamarca ou até da vizinha Espanha?
Tenham vergonha e deixem de apupar quem nos elevou a este patamar de bem estar e conforto, nunca antes alcançado na nossa História milenar.

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FOTOS - AO VENTO
Wind by Elisabeth Jakobsen

Christian Iversen

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CARTOON

Dilem

13 comentários:

Joca disse...

O vinho rosé também é bom, e há quem dele goste.
Lol

adrianeites disse...

é verdade.. de repente (a julgar pelos discursos politicos) parece que estamos a crescer acima da média europeia..
que o desemprego esta a baizar vertiginosamente..

que o abandono escolar desce.. enfim..

cp's

quintino disse...

Eu lia e ficava banzo...
TGV? É que é já a seguir... já a seguir...
Ota? É que é já a seguir... já a seguir... mesmo que seja em Alcochete...
Novas Oportunidades? É que é já a seguir... já a seguir... ficam na mesma, mas depois cria-se ou criam (quem vier a seguir) as Outras Fronteiras...
Ensino gratuito? É que é já a seguir... já a seguir... os míudos pagam os cacifos, pagam a comida, pagam as visitas de estudo, pagam os livros e depois as fotocópias, pagam o acesso à internet dos trabalhos que mandam fazer em casa.. pagam os livros... mas isso...
Saúde? É que é já a seguir... já a seguir... queremos mais hospitais EPE a dar prejuízo... protocolos com privados onde ninguém controla nada... querem salas de partos para quê se cada vez se pare menos em Portugal?
Medicamentos mais baratos? É que é já a seguir... já a seguir...
Pronto, tenho dito... mas cá para mim penso que sempre assim foi... e assim será... o Sr. Silva não é agora defensor acérrimo da flexigurança para reformar o modelo social europeu...

Tiago R Cardoso disse...

E tem razão, vamos a caminho da utopia do Sr. Sócrates, infelizmente parece que muita gente perdeu o comboio

Meg disse...

Zé,
Com este argumento, só mesmo o Woody Allen para fazer o filme!
Lembras-te da República das Bananas?
Nonsense!
Um abraço,

Zé Povinho disse...

Caros amigos
Isto de jantar fora e comer sabe-se lá o quê, por vezes tem destes efeitos, colaterais por certo. Não sei se alguém colocou no rango alguns cogumelos, mas o efeito foi rosácio.
Depressa me recomponho.
Abraço do Zé

MiguelGomes disse...

Sim, de facto estamos num paraíso, obrigado por me elucidares :)

Fica bem,
Miguel

Tiago disse...

Tenho no meu blog, algo que espelha bem isto. Dá lá uma espreita aos novos lusiadas. ;)

Fica bem

SILÊNCIO CULPADO disse...

Pois é. É por isso que nós estamos cá para questionar. Porque Portugal está muito longe das metas de Quioto, porque a paisagem humana apresenta, do ponto de vista social, fracturas inquietantes e porque o neo-liberalismo está a produzir quase 37 milhões de pobres nos USA o que adverte, de forma evidente, para a perigosidade desse modelo.
Um abraço

Zé Povinho disse...

Cavaco, o defensor do liberalismo económico, fala das preocupações sociais e das desigualdades, para logo defender a flexisegurança. O governo Sócrates diz-se socialista e ao mesmo tempo o fosso entre os ricos e os pobres aumenta em proporções nunca vistas. A saúde e a educação tendencialmente gratuitas segundo a Constituição começaram a ser um encargo menor para o Estado e a pesar mais directamente na bolsa dos cidadãos.
Ou o mundo está louco, ou então passou-me muito rapidamente o efeito dos cogumelos da rosa.
Abraço do Zé

C Valente disse...

São cartoons são fotos, é texto, e tudo se aproveita , bem haja
saudações amigas

A paginadora disse...

Esta desaparecida vem cumprimentar o Zé e dizer-lhe:
- Bravo!
As fotos estão óptimas mas o texto está do melhor. Somos os maiores entre quem? Quando,onde e como?
Só se for nos sonhos ou demência, de quem nos(des)governa.
Vivam as novas oportunidades,os famigerados campos de golfe (ai do meu Alentejo!),viva também a capacidade alargada dos senhores políticos para ver só rosas, sem espinhos. Sem eles o que seria de nós? Sentir-nos-iamos mais pobres e desamparados sem a sua visão estratégica sobre este próspero e desenvolvido país.A Europa que se cuide porque nós andamos por aí.
Um abraço Zé.

João Rato disse...

Um texto incisivo e certeiro, completo! Onde é que se assina?