Merkel voltou a meter a pata na poça quando veio a público defender que era necessário haver uma uniformização entre os estados europeus no que respeita a férias e na idade de reforma, ligando de certa forma estes factores à produtividade.
A ignorância da chanceler alemã nem me preocupa demasiado, mas fico arreliado por saber que Merkel debita estas asneiras porque cá dentro há quem se desculpe do fracasso político e económico em que estamos, usando o factor custo do trabalho como principal argumento.
Nada justifica as palavras de Merkel, que não se devia meter nos assuntos de outro país. Por outro lado a sugestão é a demonstração clara do desconhecimento da realidade laboral em Portugal, pois na prática temos tantos ou menos dias de férias que os alemães, temos a idade de reforma nos 65 anos, tal como os alemães, que no entanto ganham muito mais e trabalham em média menos anos do que nós, como se conclui nos relatórios da OCDE.
Merkel só tem razão numa coisa, não podemos ter a mesma moeda e ter condições de trabalho tão diversas, que no nosso caso são muito inferiores às praticadas na Alemanha. Nivelar nem é uma má ideia, mas não se pode ver apenas uma parte, há que ver tudo.

