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sábado, janeiro 19, 2008

MUSEUS E PLANEAMENTO

Já tenho abordado aqui as dificuldades com que se debatem os museus, palácios e monumentos, quer no que respeita a verbas, quer no campo dos recursos humanos. Infelizmente o retrato é muito negativo e não podemos embandeirar em arco, como se pretende, só porque o número de visitantes aumentou no último ano. As estatísticas frequentemente escondem fragilidades que não convém admitir.
Quem conhece ou trabalha neste meio, queixa-se de que os portugueses visitam pouco os nossos museus e monumentos, o que é uma realidade bem patente quando se sabe que em certos serviços os nacionais rondam apenas 12% do total das visitas, e mesmo assim porque se contabilizam as visitas de estudo, senão ficariam certamente abaixo dos dois dígitos. Talvez isto seja uma surpresa para alguns, quando se sabe que algumas exposições registaram números verdadeiramente interessantes.
O grande mal no sector do Património reside no planeamento, que pura e simplesmente é impossível. Estamos para além do meio do mês de Janeiro e ainda não está aprovado um plano de actividades para os museus e palácios dependentes do IMC, IP. O exagerado centralismo, a burocracia e os atrasos das reestruturações resultam na incapacidade de programar as actividades dos serviços.
Estou a lembrar-me da conversa tida recentemente com um conservador de um grande museu estrangeiro, que me dizia que tinha em mãos dois projectos de exposições, uma para 2009 e outra para 2010. Confidenciou-me este senhor que dois anos para contactos e planeamento de uma exposição, eram um tempo curto, e que a um ano de distância já tinha a aprovação do orçamento consagrado para o evento. Isto é absolutamente inviável em Portugal, pelo que a grande maioria das exposições são feitas com poucos recursos, e muitas vezes preparadas à pressa, não reunindo muitos dos meios que mereceriam e que estavam na ideia de quem as concebeu. Os resultados são fracos e o público não se sente atraído.
O “Roteiro para o Património” que Cavaco Silva vai iniciar na próxima semana, vai passar ao lado destes problemas, não me constando que esteja previsto nenhum encontro com os trabalhadores dos museus, palácios e monumentos, o que é pena, pois com alguma visibilidade talvez alguma coisa pudesse mudar nos tempos mais próximos.

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FOTOGRAFIA
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