Numa altura de crise e muito desemprego não será muito popular lutar por aumentos salariais por mais justa que seja a reivindicação. É isto que se passa com o funcionalismo público deste país que nos últimos 10 anos perdeu poder de compra em 9 anos consecutivos.
Mas o que mais intriga qualquer ser pensante são as afirmações de representantes do patronato que vêm dizer que “não há condições para aumentos na função pública”. Um tal senhor, de seu nome António Mendonça, na qualidade de presidente da CIP, ao mesmo tempo que reclamava “estímulos” às actividades económicas, ou seja mais investimento público, defendia o congelamento de salários dos funcionários públicos.
Não conheço o senhor António Mendonça nem é necessário. Antes dele já existia um outro presidente da CIP, e tal como agora culpava os funcionários do Estado dos males da economia e das dificuldades do sector privado, pedia contenção nas despesas públicas, exigia menos contribuições para o erário público, menos descontos para a segurança social, mais subsídios estatais, mais empréstimos a juro irrisório, e mesmo assim todos vimos como o desemprego subiu mais do que nos nossos parceiros económicos. Das falências e das fraudes conhecidas no sistema bancário nem falo porque afinal são tudo “bons rapazes” afinal estamos a falar da iniciativa privada, não é?
Senhor António Mendonça, não meta a foice em seara alheia, ponha antes os olhos no seu quintal e veja se deixa de estar sempre dependente das ajudas do Estado, que nos últimos anos têm sido conseguidas à custa dos funcionários públicos e dos fundos da Segurança Social.


