Vítor Constâncio começa a ficar notado pela sua constância em matérias onde a evolução ou mesmo a mudança de rumo eram mais saudáveis. Para alguns pode parecer que estou a referir-me aos constantes desaires na fiscalização da banca, onde chega sempre atrasado, mas hoje eu nem quero ir por aí. Hoje volto ao rendimento dos portugueses.
O senhor governador do Banco de Portugal, que até já reconheceu ganhar um salário demasiado elevado, que afirma não poder alterar, e que recordemos é bastante superior ao do seu congénere dos EUA, veio agora sugerir que “a vida pode sorrir” em 2009 e
Eu detesto este senhor, não o nego, mas atrevo-me a sugerir que ele não aceite o aumento de 2,9% a que terá direito a partir deste ano, que afinal no seu caso particular é uma pipa de massa. Não é que fosse um grande rombo nos seus rendimentos, mas ficava-lhe bem. Já agora, e porque deveria ser coerente e mais cauteloso quanto a previsões, não aposte muito na baixa prolongada dos combustíveis, porque não me consta que tenha acertado nessa matéria nos últimos anos, nem teime muito na baixa dos preços das matérias primas, porque isso nem sempre se reflecte correctamente nos preços ao consumidor, como acontece com o pão, massas alimentares e arroz cujos preços não baixam, muito pelo contrário.
Na boca de Vítor Constâncio não fica bem sair nenhum comentário sério sobre os rendimentos dos portugueses, tal o abismo entre os dele e os da maioria dos conterrâneos. Há quem teime no disparate de só ver o cisco no olho alheio e não ver a trave no próprio olho, e isso também é constância, mas imprudente.

