quarta-feira, fevereiro 23, 2011

A POBREZA

Esta noite bateu-me à porta um indivíduo que à primeira vista eu não reconheci, mas que vinha apelar à minha boa vontade para o ajudar, que não tinha dinheiro para comer nem para o gás para cozinhar.

Meio aturdido, principalmente porque àquelas horas não é hábito baterem-me à porta, lá fui fixando a vista no indivíduo e verifiquei que a cara não me era estranha. Os lamentos do pobre lá continuaram, e chegaram ao seu termo com o lamento de que “já não tinha idade para isto”.

Ajuda entregue, em géneros, e lá parte o pobre com um tímido agradecimento, fugindo com o olhar. Creio que ele percebeu que eu o reconhecera, já que ele trabalhara para um vizinho meu, na construção civil, há uns bons anos.

Foi apenas mais um dos muitos trabalhadores que conheci, que sempre preferiram receber o pagamento em dinheiro, sem qualquer tipo de descontos, sem nunca pensar no futuro. Foi para o estrangeiro, recebeu bom dinheiro que enviou para a esposa e para os filhos, durante quase uma década.

A ausência e sabe-se lá o que mais, ditou o divórcio e acabou por perder a família, a casa e o carro, ficando apenas com a conta do tribunal para pagar. Não se conseguiu recompor, nem arranjou trabalho devido à idade, acabando por cair na rua.

Estes malditos tempos fazem-nos temer cada vez mais pelo nosso futuro, e pelo futuro dos nossos, porque melhoras é o que não se descortina no horizonte.

FOTOGRAFIA
By Palaciano

CARTOON


MÚSICA

4 comentários:

Valquiria Calado disse...

Triste o estado do homem, penso na familia, o que não deve passar, e com a idade só dificulta a reconstrução da vida. Abraço amigo.

Pata Negra disse...

Sempre houve pobres, precisamos dos ricos!... eis a voz do zé povinho reforçada nos votos que sempre fazem nos partidos da direita
Um abraço "meio" pobre mas com consciência política para com os pobres de todo

Cata- Vento disse...

Um caso de entre muitos, cada vez menos raros, que nos deixa a pensar no futuro dos mais novos.
Que tristeza!

Bem-hajas!

Um abraço fraterno

Zé Marreta disse...

Situação triste, mas uma realidade cada vez mais próxima de todos nós. Vale a solidariedade de cada um, pois deste desgoverno e deste sistema cada vez se pode esperar menos.

Saudações do Zé Marreta.