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domingo, abril 28, 2013

BOCAGE



Tendo o terrível Bonaparte à vista, 
Novo Aníbal, que esfalfa a voz da Fama,
 "Oh capados heróis!" (aos seus exclama 
Purpúreo fanfarrão, papal
sacrista):

 "O progresso estorvai da atroz conquista
 Que da filosofia o mal derrama?...
" Disse, e em férvido tom saúda, e chama, 
Santos surdos, varões por sacra lista: 

Deles em vão rogando um pio arrojo, 
Convulso o corpo, as faces amarelas, 
Cede triste vitória, que faz nojo! 

O rápido francês vai-lhe às canelas; 
Dá, fere, mata: ficam-lhe em despojo
 Relíquias, bulas, merdas, bagatelas. 


FOTOGRAFIA
By Palaciano

sexta-feira, março 30, 2012

POESIA SATÍRICA

No dia 4 de Janeiro de 2010 postei neste mesmo espaço este poema, que apesar de já ter uns quantos séculos continua bem actual. Hoje é uma ocasião como outra qualquer para repescar um autor do passado.

Poema barroco ibérico

A cada canto um grande conselheiro,
Quer nos governar cabana e vinha, *
Não sabem governar sua cozinha,
E podem governar o mundo inteiro.

Em cada porta um freqüente olheiro,
Que a vida do vizinho, e da vizinha
Pesquisa, escuta, espreita e esquadrinha,
Para a levar à Praça e ao Terreiro.

Muitos mulatos desavergonhados
Trazidos pelos pés os homens nobres,
Posta nas palmas toda a picardia.*

Estupendas usuras* nos mercados,
Todos os que não furtam muito pobres:
E eis aqui a cidade da Bahia.

Cabana e vinha: no sentido de negócios particulares.
Picardia: esperteza ou desconsideração.
Usuras: juros ou lucros exagerados.

GREGÓRIO DE MATOS GUERRA (1636-1695)

FOTOGRAFIA
Pombo by Palaciano