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sexta-feira, agosto 30, 2013

A IMPRENSA E OS FRETES



Ainda esta semana se ouviu dizer que há imprensa que faz uns fretes a alguns interesses, como se tal não fosse evidente para todos, apesar das juras de imparcialidade que se vão ouvindo.

Certa imprensa vive de notícias com origem no governo, outras estão mais bem informadas sobre o mundo dos negócios e outras vivem dos boatos e das colunas das desgraças alheias. Verdadeiro jornalismo de investigação é cada vez mais raro e não é incentivado pelos “donos” da nossa imprensa.

Quando um jornal veicula uma notícia sobre as medidas que o FMI vai propor no próximo mês, e todos o citam como se fosse uma “caixa” de algum jornalista bem informado, logo surgem muitas desconfianças, pois a assinatura dele não existe, nem a fonte é identificada.

Lendo com alguma atenção o texto, e escalpelizando as medidas, logo nos cheira a fonte governamental. O timing, o único tema abordado e as críticas recentes sobre as informações erradas fornecidas pelo executivo, são boas pistas para decifrar a origem da informação.

Os portugueses podem estar distraídos em Agosto, mas tantas coincidências fazem desconfiar até os mais crédulos…


quarta-feira, outubro 31, 2012

POR QUE NO TE CALLAS?



Há ocasiões em que o melhor seria estar-se calado, e Fernado Ulrich perdeu recentemente ocasiões de estar calado.

Não faz muito tempo que o ouvimos dizer que daria emprego no seu banco a muitos desempregados se o Estado os obrigasse e lhes pagasse. A generosidade do banqueiro ficou registada e foi considerada uma proposta indecente por quase toda a gente.

A afirmação mais recente do banqueiro foi a de que “Se Portugal aguenta mais austeridade? Ai aguenta, aguenta!”, acrescentando quase de seguida que os gregos ainda estão vivos.

Não se pedirá a um banqueiro que tenha sensibilidade social, mas que seja no mínimo razoável. Curiosamente o BPI é um banco privado quase na falência técnica, que recentemente recorreu à ajuda com aval do Estado.

Não sei se Ulrich está a fazer um favor ao governo, mas a sua atitude e as suas declarações levam a que esta dedução não seja de descartar, porque é difícil aceitar que alguém com alguma inteligência possa dizer barbaridades tais, pelo menos no seu perfeito juízo. 


FOTOGRAFIA