segunda-feira, julho 11, 2011

TUDO O QUE ME PODES DIZER

Olhava este momento que ia desaparecer, com saudade – porque nunca mais se repetiria no mundo. Nunca mais outro segundo igual nem na luz, nem na vibração, nem na ternura…
O momento em que me sorriste, baloiçado entre o nada e o nada, nunca mais se voltaria a repetir, idêntico e completo, em todos os séculos a vir! Estava ali a morte… está aqui a vida. Agora pergunto a mim mesmo se te deixo morrer; e a pergunta obsidia-me e exige resposta imediata. Sei tudo, tudo o que me podes dizer – já eu o disse a mim próprio. Até hoje falava a alguma coisa que me ouvia, hoje só interrogo a mudez, só a mim próprio me interrogo.

Húmus

Raúl Brandão


FOTOGRAFIA


CARTOON

3 comentários:

  1. Anónimo8:42 p.m.

    Onde desencantas tantos faunos? Os azulejos imagino, os "bonecos" não!
    Raúl Brandão é demasiado pessimista, não é?
    Bjos da Sílvia

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  2. Até os faunos andam a pedir coitados

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  3. Não conhecia este texto. Gosto dos painéis de azulejos.
    Um abraço

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