quarta-feira, fevereiro 21, 2018

DOUTORES HÁ MUITOS…



Em Portugal o “título” de doutor tem sido banalizado, e qualquer indivíduo com uma licenciatura, por mais “manhosa” que seja, acha-se no direito de exigir ser tratado por esse “título”, que está plasmado nos cartões de débito e de crédito, e nos endereços de correio electrónico, como se isso fizesse quase parte do seu nome.

Curiosamente o Bastonário da Ordem dos Médicos, afinal os verdadeiros doutores, em muitos países, está a pensar avançar com uma proposta revolucionária, no sentido em que “os médicos deixem de ser chamados doutores”.

Enfim, tudo isto fica tão perto da frase do Vasco Santana, “chapéus há muitos, meu palerma”, que até dá vontade de rir…


sábado, fevereiro 17, 2018

PENSAMENTOS SOBRE A ACTUALIDADE

GRANDE ODALISCA - Esta pintura a óleo de Jean Auguste Dominique Ingres, exposta no Museu do Louvre em Paris, pode vir a ser mais uma das obras a ser retirada da exposição se o puritanismo que grassa em sociedades sem Cultura e sem qualquer sentido estético continuar a ser alimentado por um ensino sem uma vertente de conhecimento da História e da evolução do conhecimento.
 
CARNAVAL - Terminou o Carnaval de 2018, os corsos já tiveram o seu momento de glória, os foliões já retornaram à sua rotina e os miúdos já voltaram à escola. A crítica social já está esquecida, os carros alegóricos já desapareceram da vista e na memória de todos são poucas as coisas que ficam, e os nossos caretos vão ficando de ano para ano, resistindo ao tempo, como Património dum povo que pretende não deixar cair as suas tradições.

quinta-feira, fevereiro 15, 2018

MOTIVAÇÃO OU FRUSTRAÇÃO



Há quem defenda a cultura do mérito profissional, o que parece ser absolutamente racional e desejável aos olhos dos bem-intencionados.

A vida laboral nem sempre é racional, e a sociedade não é perfeita, longe disso. As chefias nem sempre são escolhidas pelo seu mérito, e as escolhas feitas ao mais alto nível têm sempre consequências a todos os níveis, até ao mais baixo.

Na função pública existem as escolhas baseadas na confiança política, quantas vezes desconhecedoras da realidade no terreno, e estas por sua vez rodeiam-se por amigos e outras escolhas entre quem não ponha em causa a sua direcção.

As classificações de serviço são uma absoluta mentira, porque as melhores classificações são para os amigos e para os incompetentes úteis às chefias, o que sob o pretexto das quotas impostas superiormente permite que os mais competentes fiquem de fora das melhores avaliações.

O sigilo sobre as classificações de serviço nem sempre consegue impedir que se saiba que uns quantos incompetentes recebem sistematicamente as melhores avaliações, e que os mais competentes e capazes se quedam por classificações médias que profissionalmente os prejudicam, também salarialmente, e ainda em possíveis futuros concursos e promoções.

Quem é que se sente motivado nos serviços públicos e quem se sente frustrado? Talvez seja fácil responder a esta questão, basta ver quem abarbata sempre as melhores classificações e proceder a uma avaliação independente e exterior ao serviço.



terça-feira, fevereiro 13, 2018

DEFESA, CULTURA E COMPROMISSOS

Portugal é um país muito curioso, porque quando se fala de compromissos ouvimos até um ministro, neste caso o da Defesa, Azeredo Lopes, dizer que “Portugal assume os seus compromissos e cumpre-os”.

A independência nacional deve estar em perigo, se calhar os nossos serviços de segurança descobriram alguma ameaça externa, e o governo sente-se na obrigação de aumentar o investimento na Defesa, para rechaçar alguma invasão que esteja a ser preparada por algum ditador.


É uma pena que o senhor 1º ministro e o seu ministro da Cultura não assumam nenhum compromisso sério para dotar a Cultura com um investimento de pelo menos 1% do PIB, afinal apenas metade do que Portugal parece comprometido para a Defesa.


domingo, fevereiro 11, 2018

PALÁCIO DE MAFRA O ESQUECIDO

O aumento das receitas e do número de entradas nos museus, palácios e monumento dependentes da DGPG, é um facto que merece ser festejado q.b. e que tem que ser analisado em termos de futuro do Património.

O investimento no Património tem sido mínimo nestes últimos anos, e para o presente ano de 2018 temos o anúncio de investimentos de 4,8 milhões de euros, com a ajuda de fundos comunitários em monumento da zona centro (Batalha, Alcobaça, Tomar, e Machado de Castro).

Não se pode dizer que seja um anúncio bombástico, muito pelo contrário, é mesmo modestíssimo tendo em conta as receitas arrecadadas pelo Património em 2017, que atingiram os 18,3 milhões.

Uma vez que o Palácio Nacional de Mafra comemorou em finais de 2017 o tricentenário do lançamento da 1ª pedra, talvez seja oportuno recordar o que diz uma página do seu sítio oficial, onde constam objectivos que se pretendiam alcançar, dos quais apenas um (e por via mecenática) foi atingido. Saliento nesta lista o restauro dos dois carrilhões, que é um promessa com vários anos e que está ainda por iniciar.


sexta-feira, fevereiro 09, 2018

A DITADURA DAS FINANÇAS E OS CONFORMADOS



Muitos serviços do Estado, especialmente na Administração Central, sofrem de grave falta de recursos humanos para o desempenho cabal das funções para que estão destinados. O resultado é quase sempre a degradação dos serviços prestados e a desmotivação dos funcionários, para além do descontentamento dos utentes.

Na realidade os serviços públicos, e os seus funcionários, são criticados pelo público em geral, quantas vezes tendo grandes razões de queixa, mas as responsabilidades estão bastante acima na cadeia de comando, e são invisíveis aos olhos do público.

Falando da Cultura e dos serviços ligados ao Património (museus, palácios e monumentos), é preciso salientar que os serviços têm quadros de pessoal subdimensionados, nomeadamente nas áreas de atendimento do público (vigilância, bilheteiras e lojas), e que os responsáveis o sabem bem, como sabem que é quase impossível fixar jovens nestas funções, e porquê.

Com a situação perfeitamente identificada, em vez de se tentar resolver o problema os responsáveis preferem restringir os períodos de férias e penalizar ainda mais os profissionais, já que são o elo mais fraco, por estarem na base da pirâmide da organização, e claro, das remunerações.

O senhor ministro da Cultura, a directora geral da DGPC, e os directores dos museus preferem conformar-se com o status quo, em vez de serem reivindicativos justificando as suas necessidades com maior empenho, perante o todo-poderoso Ministério das Finanças. Algumas vezes justificar-se-ia o pedido de demissão dos cargos por manifesta insuficiência de meios para realizar a sua missão com a devida dignidade.

O sistema de nomeações, a tal confiança política que lhes é exigida, e porventura os salários que auferem bem como as oportunidades que os postos lhes abrem, fazem com que quase todos pensem que é melhor não fazer ondas, conformarem-se com a situação e marimbarem-se para os funcionários e para o público.

Ainda um dia espero vir aqui manifestar o meu respeito e vir aplaudir a verticalidade de um alto responsável dum serviço que perante uma situação destas apresente a sua demissão por não estar disposto a defraudar o público e os seus subordinados.



quarta-feira, fevereiro 07, 2018

FOTOGRAFIAS

Uma volta pelos arquivos fotográficos e a devida arrumação e catalogação em sisteas informáticos cá da casa, fizeram-me recordar estas duas fotografias de 2012.

Caída by Palaciano

Fire by Palaciano

sábado, fevereiro 03, 2018

MUSEUS - ESTÁTUAS E PINTURAS OFENSIVAS



O quadro “Hylas and the Nymphs” foi retirado do local onde estava exposto, na Manchester Art Gallery, e o pretexto foi a forma como é representado o corpo da mulher.

Um quadro da época Vitoriana da autoria de John William Waterhouse, foi retirado da parede e no espaço antes ocupado pela pintura os visitantes foram convidados a escrever post-its com os seus pensamentos sobre a questão: Este quadro é ofensivo?

Como seria de esperar as reacções foram mistas, uns concordando que a sua exibição é ofensiva, e outros a afirmar que se trata de um precedente perigoso, pois não passa de um acto de pura censura.

Confesso que a adopção cega do politicamente correcto em matéria de gosto, e em especial em manifestações artísticas me deixam preocupado. Muitas pinturas e esculturas foram feitas em épocas em que essas obras eram aceites e admiradas, e os autores nem sequer estavam a desafiar mentalidades como acontece nos nossos dias.

As obras de arte fazem parte da História dos povos e como tal, devem ser encaradas, cabendo aos museus e outros agentes culturais explicar o contexto da época em que elas foram feitas, e não seguir cegamente o gosto de cada um, e as suas opiniões muitas vezes desenquadradas da realidade histórica.  


Hylas and the Nymphs 

quinta-feira, fevereiro 01, 2018

POR FALAR EM DISCRIMINAÇÃO



Numa altura em que se fala tanto em discriminação, de género, de cor, de raça, religiosa e sei lá mais de quê, muitas vezes nem damos pela discriminação que nos está mais próxima e à qual nem atribuímos qualquer importância, apenas porque sempre existiu.


Hoje mesmo os funcionários de um serviço público foram impedidos por um soldado da GNR de estacionar no parque que usam todos os dias, que apenas disse que o parque estava fechado, sem mais explicações. O facto não teria qualquer importância, não fosse ter sido autorizado o parqueamento a outros funcionários do mesmo serviço no tal parque interdito.


Por mero acaso soube-se que o agente tinha passado a perguntar se os funcionários eram técnicos superiores, e quem afirmasse ter tal categoria podia aceder ao parque.


Não julguem que este é um caso virgem, porque já o testemunhei pelo menos em dois outros locais, e exactamente nos mesmos moldes. Posso também dizer que há serviços em que mesmo em áreas de trabalho comuns, têm instalações sanitárias só para técnicos superiores, que naturalmente são melhores e mais próximas do que as destinadas aos restantes trabalhadores, que muitas vezes até são as mesmas do público em geral.


Devia haver um pouco mais de vergonha, porque casos destes demonstram um tratamento diferenciado (inferiorizado) a um grupo de pessoas, em razão da sua pertença a determinadas categorias profissionais, e a isso chama-se discriminação.