quarta-feira, fevereiro 07, 2018

FOTOGRAFIAS

Uma volta pelos arquivos fotográficos e a devida arrumação e catalogação em sisteas informáticos cá da casa, fizeram-me recordar estas duas fotografias de 2012.

Caída by Palaciano

Fire by Palaciano

sábado, fevereiro 03, 2018

MUSEUS - ESTÁTUAS E PINTURAS OFENSIVAS



O quadro “Hylas and the Nymphs” foi retirado do local onde estava exposto, na Manchester Art Gallery, e o pretexto foi a forma como é representado o corpo da mulher.

Um quadro da época Vitoriana da autoria de John William Waterhouse, foi retirado da parede e no espaço antes ocupado pela pintura os visitantes foram convidados a escrever post-its com os seus pensamentos sobre a questão: Este quadro é ofensivo?

Como seria de esperar as reacções foram mistas, uns concordando que a sua exibição é ofensiva, e outros a afirmar que se trata de um precedente perigoso, pois não passa de um acto de pura censura.

Confesso que a adopção cega do politicamente correcto em matéria de gosto, e em especial em manifestações artísticas me deixam preocupado. Muitas pinturas e esculturas foram feitas em épocas em que essas obras eram aceites e admiradas, e os autores nem sequer estavam a desafiar mentalidades como acontece nos nossos dias.

As obras de arte fazem parte da História dos povos e como tal, devem ser encaradas, cabendo aos museus e outros agentes culturais explicar o contexto da época em que elas foram feitas, e não seguir cegamente o gosto de cada um, e as suas opiniões muitas vezes desenquadradas da realidade histórica.  


Hylas and the Nymphs 

quinta-feira, fevereiro 01, 2018

POR FALAR EM DISCRIMINAÇÃO



Numa altura em que se fala tanto em discriminação, de género, de cor, de raça, religiosa e sei lá mais de quê, muitas vezes nem damos pela discriminação que nos está mais próxima e à qual nem atribuímos qualquer importância, apenas porque sempre existiu.


Hoje mesmo os funcionários de um serviço público foram impedidos por um soldado da GNR de estacionar no parque que usam todos os dias, que apenas disse que o parque estava fechado, sem mais explicações. O facto não teria qualquer importância, não fosse ter sido autorizado o parqueamento a outros funcionários do mesmo serviço no tal parque interdito.


Por mero acaso soube-se que o agente tinha passado a perguntar se os funcionários eram técnicos superiores, e quem afirmasse ter tal categoria podia aceder ao parque.


Não julguem que este é um caso virgem, porque já o testemunhei pelo menos em dois outros locais, e exactamente nos mesmos moldes. Posso também dizer que há serviços em que mesmo em áreas de trabalho comuns, têm instalações sanitárias só para técnicos superiores, que naturalmente são melhores e mais próximas do que as destinadas aos restantes trabalhadores, que muitas vezes até são as mesmas do público em geral.


Devia haver um pouco mais de vergonha, porque casos destes demonstram um tratamento diferenciado (inferiorizado) a um grupo de pessoas, em razão da sua pertença a determinadas categorias profissionais, e a isso chama-se discriminação.



domingo, janeiro 28, 2018

UM QUADRO DE JOSÉ DE BRITO

Publiquei há alguns dias uma fotografia tirada a um quadro exibido no Palácio de Mafra, onde não consta nem a autoria nem o nome do mesmo. Confesso que consegui ler a assinatura e com ela cheguei a alguns dados sobre o autor, a sua obra e parte do seu percurso profissional e do seu tempo de aprendizagem.

O que mais me surpreendeu foi que após partilhar a fotografia do quadro, logo recebi um comentário com o nome do autor, da obra e até de quem o comprou. 

Fico mais contente por ver que nas redes sociais não existem apenas coisas banais e pessoas que perdem tempo com disparates, mas que existem também pessoas que não se importam em partilhar o conhecimento e em promover o gosto por coisas mais sérias como a arte. 

Alguns dados sobre José de Brito (AQUI)

Où est-tu Lili

Mártir do Fanatismo

sexta-feira, janeiro 26, 2018

SARAMAGO E PESSOA



Dois escritores portugueses, diferentes acima de tudo, um limitado às suas convicções, outro diverso, livre e cidadão do mundo, sem amarras chegando mesmo a dividir-se em heterónimos, talvez só comparáveis por serem observadores do mundo que os rodeia, embora separados pelo tempo e pelas circunstâncias.

Tendo assistido a várias dissertações sobre “o ano da morte de Ricardo Reis”, fiquei ainda mais convencido da excelência de Pessoa e reforcei a minha opinião sobre Saramago, de quem não consigo gostar, apesar de várias tentativas.

««« »»»

TEMPO - O meu passado é tudo quanto não consegui ser. Nem as sensações de momentos idos me são saudosas: o que se sente exige o momento; passado este, há um virar de página e a história continua, mas não o texto. 

Livro do Desassossego


quarta-feira, janeiro 24, 2018

O MUSEU DA MÚSICA EM MAFRA

Os diversos anúncios da ida do Museu da Música para Mafra, uns antigos, outros mais recentes, têm merecido diversos comentários, uns favoráveis, outros mais críticos, o que demonstra que a notícia não tem passado despercebida.

O acordo entre a Câmara Municipal de Mafra e a DGPC não é público, conhecendo-se apenas o que vem nas notícias, e parece que a C.M. de Mafra irá ceder um espaço no Palácio Nacional de Mafra (?) para a instalação do museu, que segundo consegui apurar ficará na ala Sul do conjunto monumental.

Sem conhecer os detalhes desta nova casa do Museu da Música, não consigo ter uma opinião definida sobre esta mudança, contudo tenho algumas questões para as quais ainda não tive respostas satisfatórias.

Terá este venerável edifício condições para albergar instrumentos musicais, que todos sabemos serem bastante afectados pelas variações das condições térmicas e de humidade? O pessoal desse museu agora na Estação de Metro Alto dos Moínhos vai transitar para Mafra, ou terão de ser efectuadas novas admissões? O museu continuará a estar dependente da DGPC, ou ficará dependente da C.M. de Mafra?

Já me colocaram outras questões, talvez mais rebuscadas, como a de saber se a vinda deste museu para o edifício de Mafra tem algo que ver com o restauro dos carrilhões, que alguns apontam para este ano, e que deverá condicionar as visitas do palácio durante os trabalhos de retirada e colocação dos conjuntos de sinos.


Confesso que não sei responder a estas questões e que estou tão curioso quanto muitos os que se interessam pelo Património.



segunda-feira, janeiro 22, 2018

O PINHAL SORTIDO

Os nossos governantes conseguem sempre surpreender-nos e agora foi com o novo pinhal de Leiria, que ao contrário do de D. Dinis, vai ter sobreiros à mistura, e quem sabe outras espécies que o governo ache apropriadas para o "moderno" pinhal de Leiria.


sexta-feira, janeiro 19, 2018

MISÉRIA FRANCISCANA



Numa troca de opiniões sobre as condições de trabalho, mais do que penosas, dos vigilantes de museus, palácios e monumentos, alguém sugeriu que as condições climatéricas podiam ser obviadas com fardamentos apropriados. A ideia até podia ser boa se as condições fossem uniformes, e não são, e se os serviços tivessem orçamento que comportasse essa despesa, com fardamentos em quantidade suficiente e adaptados aos locais de trabalho e às diferentes condições existentes ao longo de todo o ano.

A realidade é bem diversa, e além de não serem fornecidos fardamentos adequados e em quantidade, os funcionários são mal remunerados e obrigados a apresentar-se dentro de parâmetros que os superiores consideram adequados, sendo que em alguns serviços as exigências são perfeitamente absurdas.

Esta situação de carência não é nova e por isso deixo-vos com extratos dum documento de 1912 e de outro de 1914:

“Em resposta ao ofício de V. Exª nº --- de 16 do corrente, cumpre-me dizer que solicitei da Administração do Concelho que… Quanto à substituição do fardamento não me é possível fazê-la, em virtude da pequena verba de dotação para os serviços a meu cargo. Envidarei porém os meus esforços para que da repartição que superintende n’este edifício se possa conseguir novos uniformes para o pessoal do museu.”  

“Sendo de muita necessidade a reparação dos fardamentos dos moços que fazem serviço no museu, e existindo em arrecadação neste serviço uns 8 capotes de cocheiro, já usados, mas que podem muito bem serem transformados em casacos para os mesmos, rogo a V. Exª se digne autorizar-me a fazê-lo, visto o cálculo feito por um alfaiate daqui a transformação não ir além de 8 escudos.”

Tudo isto pode parecer caricato, ultrapassado, e até despropositado, mas é tudo real, e parece que o tempo não fez com que a função fosse devidamente valorizada e respeitada.



quarta-feira, janeiro 17, 2018

PORQUE FALTAM VIGILANTES NOS MUSEUS



Esta frase pode ser uma afirmação mas pode também ser uma pergunta, e nos dois casos é pertinente saber-se das suas razões.

As dificuldades existentes devido à falta de pessoal de vigilância são públicas, e não são exclusivas do Museu Nacional de Arte Antiga, ou de qualquer outro museu, palácio ou monumento.

As razões para a escassez de funcionários para estas funções são diversas, começando pelo âmbito do recrutamento, que está restrito a quem tenha algum tipo de vínculo ao Estado, o que é absolutamente redutor. Os candidatos nestes concursos, na sua maioria, pretendem apenas solidificar o vínculo para depois “saltarem” para outras funções e ministérios, com condições mais favoráveis.

Falando das condições oferecidas nestas funções, temos o salário que é muito baixo (próximo do ordenado mínimo), um horário que se estende pelos sete dias da semana, incluindo sábados e domingos sem qualquer remuneração suplementar, e boa parte dos feriados, estes pagos como trabalho extraordinário. As folgas são 8 em cada 4 semanas, sendo que nesse período (das 4 semanas) se permite o gozo de um fim-de-semana completo.

Apesar da legislação existente, a formação profissional é inexistente, chega-se a exigir que o vigilante fique de pé durante as horas de serviço, tomando conta de várias salas ou de espaços amplos em que não se consegue abarcar tudo quando lá estão muitos visitantes, e muitas vezes sujeitos a temperaturas baixas, correntes de ar e humidade extrema.

Talvez o senhor ministro e alguns outros que ocupam lugares em escritórios climatizados, com boas cadeiras achem que estes lugares de vigilância são agradáveis, e que os salários são justos para a função, mas também se podiam questionar sobre as razões de não conseguirem fixar jovens nestas funções, ou então questionar os seus funcionários que desempenham esses cargos há muitos anos, e talvez mudassem a sua opinião sobre a gestão de recursos humanos nestes serviços.